XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas pt-BR contato@abravas.org.br (Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens) contato@softaliza.com.br (Softaliza Tecnologias LTDA) Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 OJS 3.3.0.9 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 EMPREGO DO BIOVIDRO-60S E ALFA-BISABOLOL NO TRATAMENTO DE FRATURA INFECTADA EM RAPOSA-DO-CAMPO (Lycalopex vetulus) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13941 O atropelamento de animais silvestres representa uma das principais ameaças à fauna brasileira, com estimativas de 470 milhões de vertebrados terrestres mortos por ano nas rodovias (1). A raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) está entre os mamíferos afetados, frequentemente apresentando fraturas ortopédicas. Nestes casos, a intervenção cirúrgica é uma abordagem terapêutica eficaz para promover a recuperação e a reintrodução desses animais à natureza (2). Nesse contexto, o presente resumo visa relatar o tratamento cirúrgico e terapêutico de fratura infectada de fêmur em raposa-do-campo. Foi recebido no Hospital Veterinário uma raposa-do-campo, macho, de 3kg, recolhida devido a um atropelamento. Passou por avaliação clínica e exames radiográficos (Figura 1), sendo possível notar fratura cominutiva em diáfise proximal e média do fêmur, com múltiplos fragmentos ósseos. Após avaliação do estado geral, foi submetido ao procedimento cirúrgico de osteossíntese de fêmur, utilizando a técnica Double Plate-Rod. O procedimento consistiu na retirada do tecido desvitalizado e das fibroses, um pino liso 2.0 foi inserido no canal medular, seguido da aplicação de uma placa de reconstrução na face lateral e uma placa reta na face cranial do fêmur, ambas do sistema 2.0 e na função de ponte. Após estabilização da fratura foi depositado 3g de Biovidro-60S e 200mg/kg de Alfa-bisabolol no foco da fratura (Figura 2), para posterior síntese dos tecidos. O protocolo utilizado após o procedimento foi de buprenorfina 7mcg/kg, cefazolina 30mg/kg, meloxicam 0,1mg/kg, dipirona 25mg/kg. Após 6 dias do procedimento, o membro acometido apresentou edema e vermelhidão, e ao puncionar o aumento de volume, foi drenado em torno de 130mL de líquido purulento (Figura 2) durante 4 dias consecutivos. O líquido puncionado foi encaminhado para cultura, resultando no crescimento das bactérias Pseudomonas spp e Proteus spp, e novas imagens radiográficas foram realizadas, apresentando alterações sugestivas de osteomielite. Após o resultado do antibiograma, foi instituído o uso da ceftriaxona 50mg/kg (42 dias), como forma de tratamento. Ao término do tratamento, seguido de 2 semanas sem uso de antibióticos, foi realizado a coleta de material, através da punção do fêmur com agulha, para realização de cultura bacteriana, a qual não houve crescimento. Em novo exame radiológico, as imagens demonstraram consolidação óssea favorável, indicativo da conclusão de um tratamento eficaz e com preservação do osso acometido. O tratamento cirúrgico com Double Plate-Rod visa a estabilização da fratura, promovendo a recuperação funcional do membro afetado (3), como visto no presente relato. Alves e colaboradores (4) citam que a aplicação de Biovidro-60S no foco da fratura pode acelerar o processo de consolidação óssea, devido às suas capacidades de aumentar a atividade osteblástica, como observado no caso descrito, com avançada reação óssea em 118 dias após o procedimento. De acordo com Amaral (5), o Alfa-bisabolol apresenta ação calmante, antibactericida, e anti-inflamatória, que foi essencial para este relato, se tratando de uma fratura infectada. Portanto, pode-se concluir que a associação de técnica cirúrgica adequada, em conjunto com o biomaterial e o óleo utilizados, foram essenciais para o sucesso do caso. Giovanna Borges Gomes, Lara Bernardes Bizinoto, Rebeca Alves de Oliveira, Keniker Junior Borges Batista, Fabia Maria Braga, Isabela Costa Bomtempo, Claudio Yudi Kanayama, Endrigo Gabellini Leonel Alves Copyright (c) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13941 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA E DIAGNÓSTICO DE LEISHMANIOSE CAUSADA POR Leishmania enrietti EM DOIS PORQUINHOS-DA-ÍNDIA (Cavia porcellus) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13940 As leishmanioses são doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania, transmitidas por vetores e classificadas clinicamente em formas cutânea, mucocutânea e visceral. Diversas espécies apresentam importância zoonótica, afetando seres humanos e animais. No entanto, algumas formas não zoonóticas são clinicamente relevantes na medicina veterinária, como a causada por Leishmania enrietti, descrita no Paraná em 1948 ADDIN ZOTERO_ITEM CSL_CITATION{quot;citationIDquot;:quot;jFEwcbBBquot;,quot;propertiesquot;:{quot;formattedCitationquot;:quot;(1)quot;,quot;plainCitationquot;:quot;(1)quot;,quot;noteIndexquot;:0},quot;citationItemsquot;:[{quot;idquot;:2007,quot;urisquot;:[quot;http://zotero.org/users/16837425/items/BKNPWI64quot;],quot;itemDataquot;:{quot;idquot;:2007,quot;typequot;:quot;article-journalquot;,quot;abstractquot;:quot;Leishmaniaenriettii has only been found in Curitiba metropolitan region, southern Brazilwere it was first observed in Cavia porcellus from the vivarium of Instituto deBiologia e Pesquisas Tecnológicas (IBPT - today named TECPAR) by Medina, 1944.Despite more than a half century from its discovery and several researcharticles on this species, the natural clinical signs in guinea pigs and theparasite genetic variability is still unclear. The aims of this study were todescribe the clinical features, investigate the potential wild reservoirs and,in addition, we intended to understand the polymorphism trait of the species.We analyzed 26 naturally infected guinea pigs from eight Paraná state cities.All animals showed lesions compatible with leishmaniosis, such as skin nodulesor ulcers on body extremities. Direct examination of the lesion samplesobtained by fine-needle aspiration or punch biopsy was conducted followed byisolation and identification of parasite DNA by random amplification ofpolymorphic DNA (RAPD)-PCR. Through the direct exam, a large number ofintracellular amastigote forms were observed in the lesions. Different strainsof the parasite, isolated from the 26 animals, were grouped in 5 clusters ofapproximately 65% similarity. We looked for L. enriettii in other potentialreservoir hosts but the parasite was not observed. These results confirm thatdistinct strains of L. enriettii circulate in guinea pigs from Paraná state,more specifically in the Atlantic forest region, where we believe it serves asthe center for dispersion of thespecies.quot;,quot;container-titlequot;:quot;Brazilian Archives of BiologyandTechnologyquot;,quot;DOIquot;:quot;10.1590/1678-4324-75years-2021210095quot;,quot;ISSNquot;:quot;1678-4324,1516-8913quot;,quot;issuequot;:quot;spequot;,quot;journalAbbreviationquot;:quot;Braz.arch. biol.technol.quot;,quot;languagequot;:quot;enquot;,quot;licensequot;:quot;http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/quot;,quot;pagequot;:quot;e21210095quot;,quot;sourcequot;:quot;DOI.org(Crossref)quot;,quot;titlequot;:quot;Guinea Pigs Naturally Infected byLeishmania enriettii: Clinical Analyses, Parasite Isolation andIdentificationquot;,quot;title-shortquot;:quot;Guinea Pigs NaturallyInfected by Leishmaniaenriettiiquot;,quot;volumequot;:quot;64quot;,quot;authorquot;:[{quot;familyquot;:quot;Soccolquot;,quot;givenquot;:quot;VaneteThomazquot;},{quot;familyquot;:quot;Castroquot;,quot;givenquot;:quot;EdileneAlcântaraDequot;},{quot;familyquot;:quot;Reifurquot;,quot;givenquot;:quot;Larissaquot;},{quot;familyquot;:quot;Teixeiraquot;,quot;givenquot;:quot;ValériaNataschaquot;},{quot;familyquot;:quot;Langequot;,quot;givenquot;:quot;RogérioRibasquot;},{quot;familyquot;:quot;Luzquot;,quot;givenquot;:quot;Ennioquot;}],quot;issuedquot;:{quot;date-partsquot;:[[quot;2021quot;]]}}}],quot;schemaquot;:quot;https://github.com/citation-style-language/schema/raw/master/csl-citation.jsonquot;}(1;2). Considerada uma leishmaniose mucocutânea, a infecção por L. enrietti acomete porquinhos-da-índia (Cavia porcellus), principalmente os mantidos em ambiente externo. Acredita-se que a transmissão se dá através da picada de flebotomíneos, embora o vetor ainda não tenha sido confirmado (1). Os sinais clínicos incluem o desenvolvimento de nódulos cutâneos firmes e avermelhados com exsudato e ulceração, atingindo orelhas, focinho, dígitos, pálpebras e região perianal. Além disso, as lesões cutâneas podem se disseminar e invadir as membranas mucosas, causando dificuldades respiratórias, broncopneumonia e provocando a morte do animal (3). Este relato descreve a evolução clínica e os achados diagnósticos em dois porquinhos-da-índia, contribuindo para a caracterização da enfermidade na espécie. Foram atendidos no hospital veterinário dois porquinhos-da-índia, machos, de três anos, mantidos em ambiente externo. O primeiro animal (peso: 1,058kg) apresentava lesões ulceradas crostosas em ambas as orelhas, com início na borda auricular e evolução progressiva por dois meses (Figura 1A). O segundo animal (peso: 0,887kg) apresentava na região rostral do focinho uma lesão firme e edemaciada com crostas, com o mesmo tempo de evolução (Figura 1B). Ambos mantinham apetite e comportamento responsivo. A suspeita de leishmaniose baseou-se no histórico e no aspecto das lesões. Para confirmação diagnóstica, foram realizadas coletas das lesões por imprinting, citologia aspirativa por agulha fina (CAAF), e biópsia por punch. O imprinting foi negativo; enquanto que a CAAF e biópsia revelaram formas amastigotas do protozoário intralesionais, caracterizando uma alteração de natureza inflamatória com curso clínico crônico e secundário à infecção por L. enrietti. Após três semanas houve progressão das lesões acometendo as orelhas, face rostral do focinho, ponta do dígito de membro torácico (Figuras 2A, 2B e 2C), e agravamento do quadro respiratório incluindo obstrução nasal, sibilos e perda de peso. Devido à piora clínica, optou-se pela eutanásia. À necropsia, observou-se congestão pulmonar e lesões ulceradas extensas. O presente relato apresenta a descrição das lesões causadas por L. enrietti em porquinhos-da-índia, caracterizando sua progressão e formas de diagnóstico laboratorial. Os achados são compatíveis com descrições de surtos espontâneos da doença na espécie, com alterações cutâneas e pulmonares de aspecto e localização semelhantes ADDIN ZOTERO_ITEM CSL_CITATION{quot;citationIDquot;:quot;PlirjXBEquot;,quot;propertiesquot;:{quot;formattedCitationquot;:quot;(3)quot;,quot;plainCitationquot;:quot;(3)quot;,quot;noteIndexquot;:0},quot;citationItemsquot;:[{quot;idquot;:2358,quot;urisquot;:[quot;http://zotero.org/users/16837425/items/9NEXHS2Dquot;],quot;itemDataquot;:{quot;idquot;:2358,quot;typequot;:quot;article-journalquot;,quot;abstractquot;:quot;RibeiroC., Koubiach K.N., Faccini L.S., Teixeira M.C., Schüür F.A., Thomaz-Soccol V.,Barros C.S.L. amp; Coelho A.C.B. 2023. Outbreak of leishmaniasis caused byLeishmania enriettii in guinea pigs (Cavia porcellus). Pesquisa VeterináriaBrasileira 43:e07241, 2023. Faculdade de Veterinária, Centro UnivesitátioRitter dos Reis, Av. Manoel Elias 2001, Porto Alegre, RS 91240-261, Brazil.E-mail: annaccarolina@hotmail.com We describe an outbreak of leishmaniasis inseven guinea pigs (Cavia porcellus) in which nodular ulcerated skin lesions ofvarying sizes were observed in the nasal cavity, upper lip, pinnae, vulva, andperiarticular region of the limbs. Cytologic exam of collected samples of thelesions in the auricle of one of the animals revealed macrophages containingparasitophorous vacuoles of approximately 4.0μm in diameter in their cytoplasmwith morphology suggestive of Leishmania sp. Although skin lesionsspontaneously regressed in two of the Guinea pigs, only one survived. All sixanimals that died were necropsied. Grossly, all animals showed bloody nodularcutaneous lesions with crusts. One of the guinea pigs had distended dark redand firm lungs. Histopathology of the skin lesions revealed histiocyticinterstitial acanthotic dermatitis associated with a myriad of Leishmaniaorganisms within macrophages cytoplasm. In the lung, the lesions werecharacteristic of broncho-interstitial pneumonia with focal infiltrates ofneutrophils, epithelioid macrophages, and multinucleated giant cells containing2µm basophilic amastigotes with morphology compatible with Leishmania spp. Afocal granulomatous lesion ,associated with the causal agent in the lung is anovel description of leishmaniasis in guinea pigs caused by L. enriettii. Thepolymerase chain reaction (PCR) technique with mini-exon primer performed insamples of lesions from two affected guinea pigs was positive and equal to thereference strain, identifying Leishmania enriettii. The cytological,macroscopic, and histological lesions associated with the PCR technique allowedthe diagnosis of leishmaniasis and the identification of the specie L.enriettii.quot;,quot;container-titlequot;:quot;Pesquisa VeterináriaBrasileiraquot;,quot;DOIquot;:quot;10.1590/1678-5150-pvb-7241quot;,quot;ISSNquot;:quot;1678-5150,0100-736Xquot;,quot;journalAbbreviationquot;:quot;Pesq. Vet.Bras.quot;,quot;languagequot;:quot;enquot;,quot;licensequot;:quot;http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/quot;,quot;pagequot;:quot;e07241quot;,quot;sourcequot;:quot;DOI.org(Crossref)quot;,quot;titlequot;:quot;Outbreak of leishmaniasis caused byLeishmania enriettii in guinea pigs (Cavia porcellus)quot;,quot;volumequot;:quot;43quot;,quot;authorquot;:[{quot;familyquot;:quot;Ribeiroquot;,quot;givenquot;:quot;Cibelequot;},{quot;familyquot;:quot;Koubiachquot;,quot;givenquot;:quot;KethleenN.quot;},{quot;familyquot;:quot;Facciniquot;,quot;givenquot;:quot;LeonardoS.quot;},{quot;familyquot;:quot;Teixeiraquot;,quot;givenquot;:quot;MarianaC.quot;},{quot;familyquot;:quot;Schüürquot;,quot;givenquot;:quot;FábioA.quot;},{quot;familyquot;:quot;Thomaz-Soccolquot;,quot;givenquot;:quot;Vanetequot;},{quot;familyquot;:quot;Barrosquot;,quot;givenquot;:quot;ClaudioS.L.quot;},{quot;familyquot;:quot;Coelhoquot;,quot;givenquot;:quot;AnaCarolina B.quot;}],quot;issuedquot;:{quot;date-partsquot;:[[quot;2023quot;]]}}}],quot;schemaquot;:quot;https://github.com/citation-style-language/schema/raw/master/csl-citation.jsonquot;}(3). A doença é de curso progressivo, sendo que a gravidade varia conforme a localização das lesões, principalmente quando há envolvimento respiratório (1). A CAAF se mostrou um método eficaz e pouco invasivo, facilitando o diagnóstico em ambiente clínico. Este relato contribui para o conhecimento da leishmaniose por Leishmania enrietti em porquinhos-da-índia, destacando a apresentação clínica mucocutânea com comprometimento respiratório. A caracterização clínica dos casos reforça a importância da vigilância sobre essa enfermidade endêmica do sul do Brasil, especialmente nos animais de companhia expostos a vetores. Fernanda Taques Wendt, Thiago Francisco Costa Solak, Talita Valmorbida, Camila Coscrato de Oliveira, Julia Welter Nascimento, Alaina Maria Correia, Jacqueline Schrotke del Vecchio, Rogerio Ribas Lange Ribas Lange Copyright (c) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13940 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 Benefícios da fisioterapia na reabilitação de filhotes de Psittacara leucophtalmus com splay leg https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13948 Introdução: Splay leg é uma condição ortopédica, de origem multifatorial, em que ocorre desvio lateral dos membros pélvicos (1) ou ainda, sub-luxação coxofemoral (2). Entre as causas mais comuns estão deficiências nutricionais, fatores genéticos, traumas e ninhos inapropriados (1, 2), sendo esta última frequente em filhotes de aves de intenso convívio antrópico, visto que nas áreas urbanas é frequente a ocupação de lugares impróprios para a construção de ninhos, como calhas, semáforos, chaminés, etc (3). Relato de caso: Foram atendidos, entre 2023 e 2025, o total de 11 indivíduos juvenis, de 4 diferentes ninhadas, da espécie Psittacara leucophtalmus em Belo Horizonte - Minas Gerais, os quais apresentavam quadro de splay leg acentuado (figura 1A) e propiocepção reduzida ou ausente. As aves apresentavam empenamento parcial compatível com a idade, escore corporal levemente reduzido, e demais parâmetros dentro da normalidade no momento da avaliação clínica. Todas as ninhadas foram encontradas em ninhos inapropriados, em calhas ou telhados. Foi utilizada uma combinação de técnicas de fisioterapia, incluindo laserterapia, alongamento dos membros com adução das articulações coxofemorais, realização de talas de constrição (figura 1B) e estímulo da propiocepção dos pés com a aplicação de contato com diferentes texturas. As talas eram removidas a cada 7 a 14 dias para realização de alongamentos e laserterapia, com laser infravermelho (120mW) na dosagem de 4J em cada uma das articulações e 1J em cada articulação dos dedos. Diariamente eram realizadas as terapias de contato, utilizando-se cerdas de escovas, grama, tapetes e pedras de jardim (figura 2). Os tratamentos tiveram duração média de 40 dias, com evolução satisfatória que permitiu a reabilitação completa e posterior soltura dos animais (figura 3). Discussão: Diferente do que ocorre em mamíferos, a epífise dos ossos das aves só é calcificada plenamente ao final do período de crescimento (4). Sendo assim, em indivíduos juvenis o tratamento conservativo demonstra-se mais eficaz, assim como em indivíduos cuja alteração seja identificada em estágios iniciais (2). Os membros pélvicos podem ser colocados em posição anatômica e fixados com o auxílio de talas ortopédicas (2, 4). Nos animais deste relato foram testadas talas com esponjas, em que foram feitos furos para passagem dos pés, e estas se mostraram efetivas. A fisioterapia teve papel fundamental no desenvolvimento muscular, amplitude de movimento, estímulo de propiocepção, e permitiu o controle de dor durante a reabilitação sem a necessidade de fármacos convencionais (5). Conclusão: Após 11 pacientes reabilitados com sucesso, a terapia de constrição associada a modalidades de fisioterapia se demonstrou eficaz para correção de splay leg em aves juvenis, mesmo que o desvio dos membros seja severo. O tempo de tratamento também foi satisfatório, e os animais se apresentaram bem durante toda a reabilitação, mesmo sem a utilização de fármacos analgésicos ou antiinflamatórios durante o tratamento, demonstrando ainda mais os benefícios e possibilidades com a fisioterapia. Nezumi Portela Procópio Frigo, Marcela Carvalho Ortiz, Vívian Fernandes Moreira Santos, Sandra Mara Ferreira Brito Dias Silva Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13948 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 TIMPANISMO RUMINAL EM VEADO-ROXO (Passalites nemorivagus): RELATO DE CASO https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13946 O veado-roxo (Passalites nemorivagus) é um mamífero artiodáctilo, encontrado na Amazônia e em áreas de transição (1). Entre as enfermidades que podem acometer esses animais, destaca-se o timpanismo ruminal, caracterizado pela distensão acentuada do rúmen, devido à incapacidade do animal de expulsar gases produzidos durante o processo fisiológico da fermentação (2). No dia 9 de maio de 2025, foi encaminhado por um órgão ambiental ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens, um espécime de veado-roxo (Figura 1), com ataxia e decúbito lateral. O animal, uma fêmea, adulta, com cerca de 10 kg, apresentava um quadro de estresse agudo e distensão abdominal evidente (Figura 2), com sons timpânicos ao teste de percussão. No exame clínico foi observado a ausência de movimentos ruminais no período de 2 minutos (desejável 1-3 por minuto) e turgor cutâneo reduzido. Devido à alta sensibilidade ao estresse nos cervídeos em geral e suas respectivas implicações, foi realizada a sedação do indivíduo com midazolam (0,3 mg/kg IM), antes da continuidade do manejo clínico. Como protocolo terapêutico, foi instituída fluidoterapia com solução de ringer com lactato, calculando-se a taxa de manutenção (50 mL/kg/dia IV), somada ao déficit de 7% de desidratação. O acesso intravenoso foi realizado na veia cefálica. Como coadjuvantes no processo de estabilização, foram administrados dipirona (25 mg/kg IV) e dexametasona (5 mg/animal IM). Diante do baixo peristaltismo ruminal, quadro de percussão timpânica e visível distensão abdominal, realizou-se a ruminocentese. No caso em questão, a ruminocentese foi realizada com o intuito de drenar e aliviar o volume de gases presente no rúmen. Imediatamente após a punção, foi percebido odor característico da eliminação de gases e diminuição da distensão ruminal. Apesar da melhora inicial, o peristaltismo seguia reduzido, motivo pelo qual seguimos para a sondagem orogástrica. O cervídeo foi posicionado em decúbito esternal para o procedimento, que foi interrompido, devido a refluxo de conteúdo alimentar durante a sondagem, enquanto a sonda ainda progredia pelo esôfago, de aspecto pastoso, coloração esverdeada escura e odor fétido. O animal foi mantido em posição esternal, que facilita a eructação e auxilia na respiração (3). Foi administrado éster tributílico (5 ml/VO). O espécime permaneceu em observação e, após cerca de 14 horas da sua admissão no CETRAS, conseguiu se manter em estação e movimentar-se normalmente. Com a evolução do quadro clínico, após quatro dias em reabilitação, o animal foi considerado apto para soltura, sendo destinado a um parque ecológico da região. O timpanismo ruminal em ruminantes selvagens representa um desafio, devido à alta sensibilidade ao estresse desses animais e à escassez de literatura sobre o tema. O caso reforça a importância de estudos clínicos voltados para essa casuística. A associação de técnicas como a ruminocentese, fluidoterapia, analgesia e suporte intensivo, possibilitou a recuperação plena do Passalites nemorivagus, evidenciando a viabilidade de sua reabilitação e reintrodução ao ambiente natural. Rayanne Gomes Silveira, Caroline Sotto Mayor Padua Rodrigues, Natália Boaventura Reis de Assis, Gabrielly Uchôa Gonçalves, Ellen Medeiros Almeida, Anna Lívia Altieri Lobo dos Santos, Djacy Barbosa Ribeiro, Ana Silvia Sardinha Ribeiro Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13946 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 MENSURAÇÃO DOS NÍVEIS SÉRICOS DE PROGESTERONA PARA AVALIAÇÃO REPRODUTIVA EM FÊMEAS DE PEIXE-BOI-MARINHO (Trichechus manatus) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13937 O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) é um mamífero aquático classificado mundialmente como vulnerável pela IUCN e em perigo de extinção no Brasil pelo ICMBio (1). Sua puberdade inicia-se entre três e quatro anos, associada a uma baixa taxa reprodutiva, que é justificada por uma gestação longa de 12 a 14 meses e, normalmente, nascimento de apenas um filhote, lactente por até dois anos (2). Os animais encalhados, majoritariamente neonatos, são resgatados nas praias por equipe técnica capacitada e encaminhados a um centro de reabilitação de fauna marinha e, após o desmame, translocados ao recinto de aclimatação (Figura 1), permanecendo no mínimo seis meses antes da soltura, em um grupo de até seis indivíduos que pode incluir machos e fêmeas. Dados reprodutivos referentes à espécie são incipientes na literatura, dessa forma, o objetivo deste trabalho é relatar a aplicabilidade da mensuração sérica de progesterona como exame complementar na avaliação reprodutiva de fêmeas de peixe-boi-marinho em processo de reabilitação. Uma fêmea de cinco anos e quatro meses mantida no recinto de aclimatação apresentou ganho progressivo de peso, constatando-se, através de avaliações clínicas e biometria trimestrais, um peso de 459,2 kg, representando um ganho de 55,7 kg em um intervalo de seis meses, um aumento de peso expressivo para animais mantidos na aclimatação pré-soltura, tendo em vista a maior atividade física devido à dinâmica de marés, recinto amplo e alimentação compartilhada pelo grupo. Concomitantemente registrou-se nos etogramas comportamento frequente de corte e cópula com um macho de cinco anos e sete meses, o que levou à suspeita de gestação. Optou-se por destinar parte das amostras de sangue coletadas (Autorização SISBIO 13694-15) de sete fêmeas no último manejo do plantel, incluindo animais juvenis do centro de reabilitação, para avaliação sérica de progesterona, com o objetivo de detectar uma possível gestação e obter valores para fins comparativos (Tabela 1). A fêmea com comportamento de cópula apresentou lt;1,0 ng/mL de progesterona sérica, indicando ausência de gestação. Das demais fêmeas avaliadas, apenas duas (28,57%) obtiveram valores acima de 1,0 ng/mL, ambas tinham idade acima de quatro anos e meio, no entanto, não houve correlação com o ambiente em que estavam sendo mantidas. A progesterona desempenha papel fundamental na manutenção e progresso da gestação em mamíferos por promover a quiescência uterina, assim, o aumento dos seus níveis plasmáticos pode predizer a fase gestacional (3). Sugere-se, pela dosagem de progesterona e estrógeno sérico, que a fêmea de peixe-boi-marinho só alcança a maturidade sexual plena entre cinco e seis anos (4). Fêmeas prenhes selvagens apresentaram variação na concentração de progesterona de 1,0 a 5,6 ng/mL na primeira metade da gestação (5). Devido ao grande porte destes animais, contenções físicas frequentes para coletas sanguíneas tornam-se inviáveis, dificultando avaliações precisas da fase reprodutiva por meio da mensuração seriada de progesterona. Ainda que mais estudos sejam necessários para maior elucidação acerca da reprodução do peixe-boi-marinho, neste caso, o método descrito teve relevância clínica, pois foi eficiente para diagnosticar ausência de gestação. João Vitor de Oliveira Gurgel, Juliana Maia de Lorena Pires, Fernando da Costa Fernandes, João Maurício Ferreira Aguiar, Matheus Félix Martins Paiva, João Victor Pessoa Fernandes, Augusto Carlos da Bôaviagem Freire, Alexandre Rodrigues Silva Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13937 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 SARCOMA FUSOCELULAR DE PARTES MOLES EM HAMSTER SÍRIO (Mesocricetus auratus): RELATO DE CASO. https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13953 Hamsters sírios (Mesocricetus auratus) são pequenos roedores amplamente criados como animais de companhia, destacando-se pelo comportamento dócil e fácil manejo, mas que, quando acometidos por alterações clínicas como massas cutâneas e subcutâneas, exigem abordagem diagnóstica criteriosa devido à diversidade de etiologias possíveis (1). Entre os principais diagnósticos diferenciais de massas em tecidos moles estão os abscessos, geralmente decorrentes de traumas, hérnias ventrais de origem congênita ou adquirida e as neoplasias, benignas ou malignas, que devem ser sempre consideradas na rotina clínica por seu potencial de comprometimento local e sistêmico (1). Neoplasias mesenquimais em hamsters são raramente relatadas, mas são reconhecidas como tumores de comportamento infiltrativo, crescimento rápido e, em alguns casos, capacidade metastática variável (2,4). Uma fêmea não castrada de hamster sírio, com 1 ano e 2 meses, foi encaminhada à clínica especializada apresentando histórico de apetite diminuído, dificuldade para locomoção e aumento progressivo de volume em região inguinal esquerda (figura 1). O exame físico evidenciou massa bem delimitada, firme, de aproximadamente 4 cm, localizada no subcutâneo inguinal do membro pélvico esquerdo, foi realizada a coleta de material para citologia por punção aspirativa por agulha fina e o resultado foi inconclusivo. Tendo em vista a velocidade da evolução do tumor, a paciente foi submetida a exérese cirúrgica sob anestesia inalatória, precedida por administração de cetamina, morfina e dexmedetomidina como medicação pré-anestésica e lidocaína infiltrativa na linha de incisão para bloqueio loco-regional. Durante o procedimento verificou-se que a massa encontrava-se intimamente aderida à musculatura do quadríceps e abdominal e continha grandes áreas císticas preenchidas por conteúdo hemorrágico, características que dificulataram a divulsão dos tecidos e remoção do tumor. Apesar da remoção completa da lesão e suporte anestésico adequado, a paciente evoluiu para parada cardiorrespiratória e óbito cerca de uma hora após o término do procedimento. A análise macroscópica revelou massa de 3,8 × 2,5 × 1,0 cm, de superfície lisa, coloração parda a esbranquiçada e consistência macia. O exame microscópico demonstrou neoplasia fusocelular maligna entremeada por áreas de necrose fibrino-hemorrágica, composta por células alongadas com moderada anisocitose e núcleos vesiculosos com anisocariose acentuada, além de 11 figuras mitóticas em 2,37 mm² (figura 2). O diagnóstico foi de sarcoma fusocelular de partes moles moderadamente diferenciado, com recomendação de imunoistoquímica para definição histogênica, uma vez que fibrossarcomas, neurofibrossarcomas e mixossarcomas compartilham características morfológicas semelhantes (2). Yuri dellape lima, Fabiano Rocha Prazeres Júnior, Amanda de Carvalho Moreira, Nayadjala Távita Alves dos Santos, Maxsuel Pedro dos Santos Lima, Ana Carolina Pontes de Miranda Maranhão, Vitor Fernando Mendes Malta, Clarice Oliveira Cavalcante, Emily Raquel Gomes Fernandes Moreira Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13953 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 MANEJO CLÍNICO E SENSORIAL EM TUCANO-TOCO (Ramphastos toco) COM CEGUEIRA BILATERAL https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13944 A deficiência visual representa um desafio no manejo de aves silvestres ex situ. Aves com deficiência visual podem apresentar qualidade de vida adequada quando submetidas a protocolos específicos de manejo (1). Ranfastídeos possuem particularidades anatômicas, como visão lateralizada acentuada e campo binocular reduzido, intensificando os desafios comportamentais (2). O objetivo deste trabalho é relatar o manejo de tucano-toco (Ramphastos toco) com cegueira bilateral mantido sob cuidados humanos. Um tucano-toco de três meses aproximadamente, sexo indeterminado, 0,34 kg, foi resgatado em novembro/2023 e levado a um Hospital Veterinário em Uberaba-MG, apresentando cegueira bilateral. No exame oftalmológico apresentou atrofia do olho esquerdo, possivelmente de origem traumática, mas sem histórico da causa, e perfuração do olho direito, sendo submetido à enucleação (Figura 1). O exame radiográfico de crânio, anterior à enucleação, não revelou fraturas ou alterações ósseas (Figura 2). O manejo consistiu em alimentação manual duas vezes ao dia, oferecendo 20% do peso corporal em dieta com ração para tucanos e frutas. A ave foi mantida em gaiola (1,15x0,8x0,95m) com poleiros na diagonal e bebedouro sempre no mesmo local. O animal desenvolveu um mapeamento espacial por meio de batidas da ranfoteca nas grades da gaiola e objetos, conseguindo, posteriormente, movimentar-se sem colisões e, após seis semanas, desenvolver capacidade de localização independente do bebedouro e poleiro. Observou-se melhora progressiva da acuidade auditiva, com reconhecimento de sons específicos durante a abertura da gaiola e aproximação do tratador após 12 meses. Após um ano, foi transferido para mantenedouro de fauna silvestre licenciado, onde permanece com protocolo similar. Após 20 meses do atendimento inicial, retornou para nova avaliação, passando por exame ultrassonográfico ocular, demonstrando ausência do bulbo ocular direito (enucleado), e a presença de estruturas amorfas de ecogenicidade distintas na órbita esquerda, entrando em consenso com a análise oftalmológica de atrofia (Figura 2). Não houve complicações decorrentes da enucleação e atrofia do olho contralateral (Figura 2). Atualmente a ave apresenta 0,62 kg, ausência de estereotipias, mantendo somente dependência para alimentação, contudo demonstrando autonomia para hidratação e movimentação no recinto. O protocolo de manejo oferecido demonstra viabilidade de manejo desta espécie com deficiência visual em ambientes controlados (1,3). A melhora da acuidade auditiva e desenvolvimento de estratégias compensatórias de orientação espacial são consistentes com adaptações neuroplásticas descritas em aves cegas, incluindo maior dependência sensorial do tato para navegação (3). O desenvolvimento de técnicas de mapeamento tátil com a ranfoteca representa adaptação comportamental específica, não previamente descrita em ranfastídeos (2). O protocolo de alimentação manual mostrou-se eficaz, evitando procedimentos invasivos como gavagem. A manutenção do mesmo ambiente e rotinas permanentes foram fundamentais para o sucesso adaptativo (4). O ganho de peso adequado para a espécie indica sucesso nutricional do protocolo adotado. A soltura observada em aves de rapina com lesões oculares (5) sugere que avaliações oftalmológicas detalhadas são fundamentais para decisões de manejo controlado. O manejo prolongado de tucano-toco com cegueira bilateral demonstrou ser viável, resultando no desenvolvimento de mecanismos adaptativos específicos e reforçando a viabilidade de manutenção em ambiente controlado com protocolo de manejo em casos similares. Cláudio Yudi Kanayama, Lara Bernardes Bizinoto, Ananda Neves Teodoro, Rebeca Alves de Oliveira, Isabella Domingos Pedrosa, João Paulo Vieira dos Santos, Renato Linhares Sampaio, Giovanna Borges Gomes Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13944 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 SUPORTE CLÍNICO-NUTRICIONAL COM PRÓPOLIS VERDE EM PASSERIFORMES RESGATADOS DO TRÁFICO NA PARAÍBA: RELATO DE CASO https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13935 INTRODUÇÃO: O tráfico de animais silvestres é um dos principais vetores de mortalidade e declínio populacional em passeriformes granívoros no Brasil, muitas aves chegam a centros de triagem desidratadas, desnutridas e imunossuprimidas em razão de superlotação, estresse e manejo insalubre, tornando-se vulneráveis a doenças metabólicas e infecciosas (1). Como suporte a um manejo clínico-nutricional acessível, a própolis, uma resina vegetal coletada e processada por abelhas, contém flavonoides, ácidos fenólicos e vitaminas B, C e E, com propriedades anti-inflamatória, antioxidante, antimicrobiana e imunomoduladora descritas em estudos experimentais e em animais sob cuidados humanos (2,3). Objetivou-se relatar o uso de uma dose única de extrato de própolis verde na admissão de passeriformes resgatados do tráfico e descrever desfechos clínicos básicos observados.RELATO DE CASO: Série prospectiva observacional conduzida entre 20/07/2021 e 21/03/2023 com passeriformes granívoros adultos (≤30 g) provenientes de resgates ou apreensões legais. Na admissão, realizou-se triagem clínica, quarentena e administração oral de 0,05 ml de extrato aquoso de própolis verde comercial (dose única alométrica adaptada; teor declarado: 11% polifenóis). O alojamento ocorreu em recintos sanitariamente controlados, com dieta granívora balanceada e água ad libitum. Foram monitorados peso, escore corporal e parasitologia fecal em pool por lote (amostras individuais quando indicado). Dados históricos prévios ao protocolo serviram como comparativo de sobrevivência. No período, foram admitidos 412 indivíduos de 16 espécies, incluindo duas listadas em categorias de ameaça (Spinus yarrelli e Sporophila hypoxantha). A taxa média de sobrevivência até a soltura foi 87,92%, incremento gt;31,75% em relação a períodos históricos sem o uso de própolis (56,17%). Observou-se ganho ponderal em 94,7% dos monitorados e melhora de escore corporal em 96,1% das aves. Exames parasitológicos revelaram Isospora spp. (17,96%), Ancylostoma/Strongyloides spp. (0,72%) e ovos de ectoparasitas (2,42%); casos positivos foram tratados conforme rotina farmacológica, sem evidência de efeito antiparasitário direto atribuível ao própolis. DISCUSSÃO: Aves traficadas sofrem estresse oxidativo, trauma e imunodepressão que elevam morbimortalidade. Polifenóis da própolis podem inibir ciclooxigenases, modular prostaglandinas e reduzir citocinas pró-inflamatórias; estudos indicam estímulo à imunidade inata via TLR-2/TLR-4 e interleucinas como IL-2 e IL-6, além de efeito citoprotetor frente a radicais livres, sendo um fator que melhora os indicadores de sobrevivência(3,4). Vitaminas do complexo B podem favorecer metabolismo energético intestinal e consumo alimentar, contribuindo para o ganho ponderal descrito (5). CONCLUSÃO: A administração única de própolis verde na admissão de passeriformes resgatados mostrou-se prática, segura, de baixo custo e associada a maior sobrevivência e melhor condição corporal. Não substitui terapias específicas, mas pode integrar protocolos de suporte adicionais. AUDISIO ALVES DA COSTA FILHO, Lucas Rannier Ribeiro Antonino Carvalho, Glenison Ferreira Dias, Georgia Carneiro Duarte, Rayla Ribeiro de Souza, Ana Lúcia Coelho Carvalho Gomes, Ividy Bison, Andrey Augusto José Souza da Silva Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13935 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS EM UM PEIXE-GATO-ELÉTRICO (Malapterurus electricus) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13951 Neoplasias espontâneas têm sido comumente relatadas em peixes, mas a incidência média é desconhecida. O carcinoma de células escamosas é raramente descrito em peixes na literatura, com alguns relatos em populações selvagens e ex-situ (1). Um Peixe Gato Elétrico (Malapterurus electricus), adulto, foi avaliado por apresentar uma massa aderida na nadadeira peitoral esquerda, de aproximadamente 1,5 cm, que estava em crescimento há 2 meses. Por conta da capacidade de produção de descargas elétricas da espécie, para a segurança dos técnicos e do animal, foi optado sedar o animal com propofol (5mg/kg) aplicado diretamente nas brânquias. Para a manipulação , com intuito de evitar descargas elétricas, foi utilizada luva nitrílica coberta com luva de borracha. Durante todo o procedimento o animal foi mantido em circuito de circulação de água com oxigenação. Foi-se acompanhando a frequência respiratória por movimentação opercular e a frequência cardíaca com auxílio de um doppler. Foi realizado bloqueio local com 2mg/kg de lidocaína e, em seguida, feita ressecção da massa com material cirúrgico protegido com fita isolante, envolvida com vetrap estéril. A massa estava friável e aderida principalmente na porção cranial da nadadeira, sendo necessário seccionar parte da mesma. Foi realizada sutura com fio nylon 4-0 na área de secção de parte da nadadeira. Cetoprofeno (2mg/kg) foi administrado via intramuscular e prescrito via oral por mais 2 dias. Durante o procedimento foi realizado coleta de sangue para hemograma e bioquímico. Ao exame de sangue, não foram observadas alterações. O fragmento enviado em formol 10% para exame histopatológico, apresentou diagnóstico compatível com Carcinoma de Células Escamosa. O manejo de peixes elétricos apresenta particularidades, devido ao fato de possuírem órgão elétrico localizado na pele e envolvendo o corpo em boa parte da sua extensão, podendo gerar descargas elétricas de 300 a 400v (2) e devido a este fato, existe a necessidade de usar luvas de borracha e fita isolante para evitar descargas elétricas. As lesões de carcinoma de células escamosas podem assemelhar-se grosseiramente a papilomas ou podem ser uma neoplasia difusa e infiltrativa (1). O aspecto inicial da massa deste caso era sugestivo para papiloma, porém, ao exame histopatológico, o resultado era compatível com carcinoma de células escamosas. A incidência desse tipo de câncer em peixes na literatura é baixa, cerca de 16 indivíduos, representando 3,5% dos tumores em um estudo realizado (3). Neoplasias em peixes ainda são pouco descritas na literatura, porém o número de casos publicados está crescendo ao longo dos anos. O manejo anestésico e cirúrgico de peixes elétricos necessita de um planejamento prévio para evitar acidentes com a equipe técnica e com o animal em procedimento. JORDANA BARROS, Laura Reisfeld, Paloma Canedo, Islene Santos Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13951 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 Intoxicação de lagomorfo por Ipomoea asarifolia (Desr.) Roem. e Schult. https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13942 A Ipomoea asarifolia (Desr.) Roem. amp; Schult., conhecida como salsa ou salsa-brava, é uma planta tóxica para várias espécies animais. Em ruminantes, causa sintomas neurológicos como ataxia, tremores, convulsões e nistagmo, além de sinais gastrointestinais como salivação excessiva e diarreia, devido a substâncias que afetam o sistema nervoso central. Embora amplamente descrita na literatura veterinária quanto à sua toxicidade em espécies de produção, poucos relatos envolvem animais domésticos não ruminantes ou espécies utilizadas em experimentação. No presente relato, um coelho [Oryctolagus cuniculus (Linnaeus, 1758)] macho adulto de aproximadamente 3 anos, da raça Lion Head, escore corporal 3-4, pesando 3,5 kg, mantido em biotério, junto a mais 20 animais no setor de cunicultura do CCA/UFPB, ingeriu acidentalmente partes da Ipomoea asarifolia misturadas à sua dieta. Mesmo com a ingestão de uma pequena quantidade, uma vez que o vegetal foi colhido acidentalmente, o animal apresentou, minutos após a ingestão das folhas e talos, sintomas agudos de intoxicação, incluindo convulsões, nistagmo, descoordenação motora, inclinação cefálica, sialorreia e descoordenação neurológica generalizada. Ao ser colocado no solo, o animal apresentava rolamento corporal completo para o lado contralateral à inclinação cefálica, o que sugere perda de equilíbrio decorrente de disfunção vestibular. A sintomatologia teve início logo após o repasto, caracterizando um quadro neurotóxico de abrupta evolução, com duração de aproximadamente 20 minutos (momento registrado em vídeo), seguidos por uma recuperação rápida e completa antes da possibilidade de acesso e intervenção médica veterinária. Após o ocorrido, o animal passou a acompanhamento médico veterinário, e não apresentou alterações nos parâmetros biológicos, sinais clínicos de evolução prolongada, recorrência dos sintomas, manifestações clínicas residuais ou sequelas da intoxicação. Este achado reforça a hipótese de que os efeitos tóxicos em lagomorfos podem ser agudos e autolimitados, mas ainda não totalmente compreendidos. Na literatura encontrada, em um experimento controlado realizado com coelhos alimentados por 15 semanas com dietas contendo diferentes níveis de inclusão de folha de Ipomoea asarifolia, não foram observadas mortes nos grupos expostos a dietas composta com até 7,5% da planta. Em contrapartida, a inclusão de 10% ou mais resultou em mortalidade de até 29%, além de alterações hepáticas associadas ao esforço de detoxificação. No presente relato, apesar da ingestão acidental, única e em quantidade desconhecida, e desconsiderando a fase aguda imediata, o animal não apresentou qualquer tipo de sequela clínica após a recuperação inicial. Dessa forma, Ipomoea asarifolia deve ser considerada uma planta de risco em ambientes onde animais confinados possam ter acesso a ela, o que reforça a necessidade de cuidados rigorosos na formulação da dieta de espécies domésticas e na vigilância das áreas de pastejo. O caso também evidencia a importância da identificação criteriosa das espécies vegetais oferecidas aos animais, mesmo em pequenas quantidades, diante do potencial risco toxicológico. Por se tratar de um relato isolado, são necessários estudos adicionais que subsidiem condutas terapêuticas mais adequadas e permitam compreender com maior profundidade os mecanismos fisiopatológicos dessa intoxicação em lagomorfos. NATHALIA FERNANDES PINTO, Matheus Henrique Andrade da Silva, Alice Rainara Câmara Galdino Nascimento, Cauã Rocha Lopes Freire, Ana Clara Oliveira Campos, Gabriel Barreto Pinto, Yanna Carolina Ferreira Teles, MIRTA OLIVEIRA GOMES DA SILVA, Abraão Ribeiro Barbosa Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13942 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 RETALHO DE AVANÇO UNIPEDICULADO PARA CORREÇÃO DE DEFEITO CUTÂNEO NA CAUDA DE OURIÇO-CACHEIRO (Coendou spinosus) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13949 O ouriço-cacheiro (Coendou spinosus) é um animal arborícola que utiliza seus membros para locomover-se por entre os galhos (1), mas a expansão das áreas urbanas submete os animais silvestres à perda de habitat, deixando-os vulneráveis a traumas que podem necessitar intervenção veterinária (2). O objetivo deste trabalho é descrever a realização de um retalho de avanço unipediculado para correção de defeito cutâneo na cauda de um exemplar da espécie Coendou spinosus. Recebeu atendimento veterinário um ouriço-cacheiro de vida livre, macho, adulto, pesando 1,1kg, apresentando trauma na cauda com extensa perda de tecido cutâneo e ósseo. Antes de sua chegada, havia sido aplicada sulfadiazina de prata em spray na lesão. No exame clínico, o paciente estava responsivo, moderadamente desidratado, hipocorado e demais parâmetros normais. Iniciada terapia com meloxicam (0,2mg/kg IM BID por 5d), cloridrato de tramadol (4mg/kg IM BID por 16d), dipirona sódica (25mg/kg VO BID por 25d), ceftazidima (40mg/kg IM BID por 13d), metronidazol (40mg/kg VO BID por 20d) e fluidoterapia. Realizada contenção química para limpeza do ferimento, visando reduzir a contaminação local e retirar tecidos desvitalizados. O animal foi submetido a exame radiográfico, hemograma e bioquímicos, que demonstraram anemia (hematócrito 24% ref. 39-55%) e leucocitose (27.2x10³/µL ref. 2.9-14.4x10³/µL) (3). Uma semana após admissão, o paciente foi encaminhado para amputação da vértebra caudal remanescente (1ª vértebra caudal) e realização de um flap de pele. O procedimento foi conduzido sob protocolo anestésico inicial (MPA) por midazolam (0,5 mg/kg, IM), cetamina (0,5 mg/kg, IM) e morfina (1 mg/kg, IM) e, posteriormente, com isofluorano. O paciente foi posicionado em decúbito esternal com a região pélvica elevada e após antissepsia e isolamento do campo operatório, com auxílio de uma goiva, a vértebra foi removida, mantendo íntegra pele e musculatura da porção ventral proximal da cauda. Posteriormente, realizada lavagem copiosa com solução fisiológica estéril no leito receptor e doador. Para correção do defeito, um retalho de avanço unipediculado foi criado a partir da pele e musculatura restantes, que tiveram seus bordos cutâneos desbridados. Na síntese cirúrgica, aproximação da musculatura foi realizada com sutura padrão Sultan e fio mononylon 3.0, redução de subcutâneo padrão zigue-zague com fio poliglecaprone 3.0 e dermorrafia padrão isolado simples com fio mononylon 3.0, garantindo mínimo de tensão na sutura (Figura 1). No pós-operatório, o animal recebeu novamente meloxicam (0,2mg/kg IM SID por 3d), continuou com medicações supracitadas e realizada limpeza da ferida cirúrgica com troca de curativos diários. Durante o procedimento, não foi possível visualização total da circulação caudal, portanto o retalho de avanço unipediculado foi classificado como subdérmico, ou seja, depende do plexo subcutâneo para garantir perfusão. Flaps de áreas adjacentes às receptoras são um método prático para fechamento de feridas não acessíveis à oclusão direta e cirurgias reconstrutivas tornaram-se opção viável para consolidar defeitos secundários a traumas (4). Relatos de mamíferos arborícolas que sobreviveram à amputação de membros sugerem que o ouriço-cacheiro pode se adaptar bem à perda de sua cauda (5). Um mês após cirurgia, a lesão encontrava-se com aceitação do retalho e adequada cicatrização, mostrando resultado satisfatório do procedimento. Cléo Mendes Vargas, Júlia Benvegnú Karlinski, João Pedro Nunes Soares, Ana Carolina Contri Natal, Paola Antunes Rodrigues, Roberta Picoli, Roger Ferreira Gomes, Lívia Eichenberg Surita, Marcelo Meller Alievi Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13949 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 Uso da laserterapia no atendimento emergencial de um neonato de periquito-australiano politraumatizado https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13947 Introdução: Aves recém-nascidas frequentemente chegam para atendimento em estado crítico, podendo apresentar hipotermia, hipoglicemia, desidratação e/ou septicemia, visto que são altriciais e, portanto, frágeis. A abordagem para correção de qualquer desequilíbrio deve ser implementada imediatamente para garantir a sua sobrevivência (1). Relato de caso: Foi recebido para atendimento de emergência um neonato de Melopsittacus undulatus com histórico de queda do ninho, com o crânio ruborizado e edemaciado, hematomas no crânio e membro anterior esquerdo, e escoriação medial ao olho esquerdo (figura 1A). Compatível com o histórico, o paciente apresentava estado de consciência reduzido e hipotermia. Devido ao diminuto tamanho do paciente, a equipe optou pela oxigenioterapia e aquecimento imediatos, e em conjunto, o filhote recebeu laserterapia. Foi utilizada a laserterapia transcraniana, usando como referência os acupontos VG16 e VG20, com laser pulsado vermelho (100mW) e infravermelho (120mW), na dose de 0,5J e frequência de 10Hz por ponto. Também foi utilizado 1J do laser vermelho na lesão da asa direita. O animal foi mantido em aquecimento até o fim do internamento. A oxigenioterapia foi mantida nas primeiras 6 horas. No dia seguinte à internação, o paciente já se apresentava ativo e alerta, vocalizando como o esperado para a idade, aceitou alimentação com fórmula para filhotes de psitacídeo e defecou. A coloração dos hematomas havia amenizado. O protocolo de laser foi mantido então pelo total de 3 dias consecutivos. Observada melhora satisfatória (figura 1B), o paciente recebeu alta clínica. Discussão: A administração de medicamentos em pacientes neonatos tem suas particularidades, visto que o metabolismo e desenvolvimento de órgãos como fígado e rins de um filhote são diferentes dos de uma ave adulta. Além disso, administrações injetáveis, mesmo com uma agulha 27G, correm risco de gerar lesões teciduais, dada a fragilidade da pele, mínima cobertura muscular, e ossos ainda não completamente calcificados (1, 2). Devido a essas especificidades, a abordagem integrativa com a fotobiomodulação para este caso, em que o paciente já apresentava outras injúrias, se mostrou como uma alternativa. Seus principais efeitos desejáveis são analgesia, redução da inflamação e aceleração da cicatrização (3), sem a possibilidade de efeitos adversos de fármacos, como lesão hepática e renal ou intoxicação. O sistema nervoso central é ainda mais acessível à terapia, dada sua proximidade à superfície da pele e alta presença de mitocôndrias nas células cerebrais (4). Conclusão: É essencial considerar as especificidades anatômicas e fisiológicas de animais neonatos no atendimento a esses pacientes, de modo a garantir sua recuperação da maneira mais eficiente e segura possível. Dentro deste contexto, a laserterapia se mostrou não só segura, como também valorosa para a recuperação do paciente. Sugere-se que, mesmo em casos com necessidade de administração de fármacos, a fotobiomodulação pode contribuir para redução de doses e de tempo de recuperação. Nezumi Portela Procópio Frigo, Marcela Carvalho Ortiz, Vívian Fernandes Moreira Santos, Sandra Mara Ferreira Brito Dias Silva Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13947 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 MANEJO CLÍNICO-CIRÚRGICO DE CATARATA BILATERAL EM MURUCUTUTU (PULSATRIX PERSPICILLATA): RELATO DE CASO https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13938 A catarata é uma doença ocular muito comum, caracterizada principalmente pela opacificação da cápsula ou das fibras da lente, resultando de modificações na arquitetura lamelar dessas estruturas (1). Desta forma, objetiva-se relatar a conduta clínica cirúrgica em Murucututu (P. perpicillata) com diagnóstico de catarata bilateral, submetida ao procedimento de focoemulsificação. A sintomatologia clínica apresentada era déficit visual severo, caracterizado por comprometimento quase total da acuidade visual e dificuldades na ingesta de alimentos. Nos exames laboratoriais, não apresentou nenhuma alteração, indicando-se apta a realização da cirurgia. Para tanto, foi realizado como protocolo pré-anestésico cetamina (10mg.kg-1IM), tramadol (5mg.kg-1IM), midazolam (1mg.kg-1IM), e manutenção anestésica com isofluorano, além da terapia de apoio com enrofloxacina (15mg.kg-1IM), e meloxicam (1,5mg.kg-1IM). Após, em decúbito dorsal, cabeça levemente elevada, e o microscópio cirúrgico devidamente ajustado e alinhado ao eixo ocular. Iniciou-se por uma incisão corneana 4 horas, com bisturi 3,2mm, seguido de uma incisão acessória de 2mm, a 70° da anterior. Através da incisão principal, instilou-se epinefrina intracameral. Sequencialmente, injetou-se o corante azul tripam para corar a capsula anterior e desta forma auxiliar na capsulorrexe, a qual foi obtida. Utilizando uma pinça de utrata. Após realizou-se a hidrodissecção com o uso de uma cânula plana, liberando as aderências que seguram a lente ao saco capsular. A caneta do facoemulsificador foi então inserida através da incisão principal, dando início a facoemulsificação. Após a remoção de todos os fragmentos da catarata, o material cortical foi aspirado utilizando uma caneta de I/A (irrigação e aspiração) e, seguiu-se pela execução de dois pontos simples separados na córnea, utilizando poliglecaprone 9-0. Após realizou-se o mesmo procedimento no outro olho. Por fim, por via intracameral foi injetado (2,5mg.kg-1) de ativador de plasminogênio tecidual. Como terapia de suporte no pós-operatório, foi instituída a instilação de uma gota de colírio à base de gatifloxacino 0,3% associado ao acetato de prednisolona 1% em cada olho operado, com frequência inicial a cada duas horas, durante os primeiros sete dias, além de dipirona (30mg.kg-1VO,TID). Na segunda semana, a frequência foi reduzida para intervalos de três horas, na terceira, para quatro horas e, a partir da quarta semana, para oito horas. Após a medicação tópica foi suspensa conforme resposta clínica favorável. As aves de rapina desenvolveram uma visão tão eficiente que permite uma movimentação e orientação no ambiente, além da prática de caça precisa. Tal fator possui um peso ainda maior por tratar-se de animais predadores (2). Diante disso, alterações oftálmicas nesses animais devem ser estudadas pela influência sobre o desempenho de suas funções no ambiente natural (3). A doença catarata pode ser considerada como a causa mais relevante de cegueira tratável. A terapia para essa doença é principalmente a cirúrgica (4). Tendo em vista o comprometimento quase total da visão, foi decidido a intervenção cirúrgica, no propósito da melhora do quadro clínico. Visto a condição clínica e exames, a falcoemulsificação se mostrou a melhor opção, culminando em um desfecho satisfatório. Luis Otávio, Alissa da Silva Farias, Bruna Mounzer Gobbato, Eduarda Ferreira, Isabela Almeida Araldi, Indaia Bisognin, Jeane Beatriz Trein, Kimberly Weschenfelder Teixeira de Carvalho, Michelli Westphal Ataide Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13938 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 MANEJO GERIÁTRICO DE UM INDIVÍDUO DE RAPOSA-VOADORA (Pteropus vampyrus) SOB CUIDADOS HUMANOS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13952 O avanço dos cuidados com animais mantidos sob cuidados humanos vem acarretando o aumento da longevidade desses animais e, com isso, alterações crônicas físicas e mentais podem ser observadas. Essas alterações podem afetar o bem estar do indivíduo, necessitando de cuidados especiais para cada caso específico (1). Uma fêmea de raposa voadora de aproximadamente 19 anos, vem sendo acompanhada nos últimos 2 anos após ter apresentado queda no recinto por doença articular degenerativa. Com exames radiográficos e tomografia neste período de 2 anos, foram confirmadas alterações em cotovelos, articulação escapuloumeral e femorotibiopatelar bilateral, cifose lombar e espondiloses por toda a coluna. Em manejos preventivos, faz-se acompanhamento de nódulos em ambas as adrenais por ultrassom e endocardiose no ecocardiograma, onde ambas as alterações se mantiveram estável. Durante esse período o indivíduo foi separado do grupo, alojado em um local menor para acompanhamento onde foi visto que ainda apresentava quedas. Após acompanhamento por um etograma, visto que as quedas aconteciam principalmente na movimentação de urinar e defecar, realizou-se adaptação do recinto para colocação de cordas de diversas alturas, onde permitia que ficasse apoiada na altura que se sentia mais confortável. O protocolo medicamentoso foi reformulado ao longo desses dois anos, consistindo atualmente em: dipirona 25mg/kg BID + cetoprofeno 0,5mg/kg SID + amitriptilina 1mg/kg SID + suplementação articular (Boswelia 8,6mg + UC2 1,72mg + Vit. K2 2,58mg + Manganes Quelato 1,72mg + Vit D3 86UI + Diacereina 1,72mg + Curcumina 5mg) SID. As terapias complementares realizadas para controle de dor são: laserterapia (luz vermelha e infravermelha 4 joules) 1 vez por semana, sessão de osteopatia semestral e aplicação de implante de ouro nos pontos VB20 (Feng-chi); B23 (Shenshu) e B40 (Weizhong). A avaliação de dor é acompanhada diariamente, onde é avaliado o consumo alimentar, postura na gaiola e comportamento. Quando apresenta alguma alteração nesses parâmetros, a necessidade de resgate analgésico é realizado com aumento pontual da dose de cetoprofeno (0,5 a 1mg/kg) ou administração de tramadol (2 a 5mg/kg). A longevidade de morcegos gigantes do gênero Pteropus mantidos sob cuidados humanos é de média de 20 anos (2), com doença articular degenerativa sendo bastante frequente em morcegos geriátricos, afetando principalmente articulações do quadril, joelho, interfalângicas e metacarpofalângicas (3,4). As dosagens das drogas utilizadas e as técnicas de terapias complementares para este caso foram extrapoladas da literatura conhecida de manejo de dor crônica em cães e gatos (5). Já para o indivíduo em questão foi necessário dessensibilizar ao toque para realizar alguns procedimentos, como a laserterapia e osteopatia, porém não foi permissivo para acupuntura, então a aplicação de implante de ouro em acupontos voltados para dores articulares foi realizada. Com o aumento de animais geriátricos ex-situ, se faz necessário manejos adaptados para cada alteração específica. A avaliação preventiva permite o diagnóstico e acompanhamento das alterações, possibilitando intervenções precocemente, melhorando sua qualidade de vida e servindo como modelo para casos semelhantes. JORDANA BARROS, Laura Reisfeld, Paloma Canedo, Islene Santos Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13952 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 ESTUDO DA ESTOMATITE BACTERIANA EM SERPENTES MANTIDAS EX SITU https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13939 Introdução: Dentre as afecções mais comuns em ofídios mantidos ex situ para a extração de peçonha para a produção dos soros antiofídicos está a estomatite infecciosa, patologia caracterizada pela infecção da mucosa oral, podendo evoluir para hemorragias, úlceras e até necrose (1). A imunossupressão causada por fatores estressantes como a inadequação dos fatores abióticos, contenção física, presença de doenças sistêmicas, imunosenescência natural, entre outros, configuram‑se como os principais elementos predisponentes à estomatite (2,3). A identificação dos agentes bacterianos envolvidos, associada à seleção dos antibióticos mais eficazes, acelera o tratamento, reduz a mortalidade e contribui para a melhora da qualidade de vida dos animais (4). Deste modo, o objetivo deste trabalho foi o de identificar as principais bactérias envolvidas nas estomatites, assim como os antibióticos de eleição para o tratamento. Material e métodos: Em parceria com o Laboratório de Bacteriologia foi realizado um levantamento retrospectivo dos resultados microbiológicos dos casos de estomatite bacteriana no período de 2019 a 2024. As amostragens de material biológico da cavidade oral dos animais com estomatite foram realizadas por meio de suabe, precedidas de lavagem com solução fisiológica 0,9%, sendo esses e todos os demais procedimentos autorizados pelo CEUAIB sob o número 7967310720. As amostras foram cultivadas em ágar MacConkey e ágar sangue, a 35ºC, para isolar e identificar as espécies de bactérias, através do sistema API® (bioMérieux). Para a realização do antibiograma foi utilizado o método Kirby-Bauer (método de difusão em ágar), conforme o Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). Resultados: Nesse período foram registrados 37 casos de estomatite bacteriana, sendo 36 deles em serpentes do gênero Bothrops (13 B. alternatus, 8 B. moojeni, 6 B. jararaca, 6 B. jararacussu, 2 B. atrox e 1 B. neuwiedi) e uma em Crotalus (C. durissus cascavella). Do material colhido, 70 colônias bacterianas foram isoladas, distribuídas em 15 espécies diferentes (Figura 1), sendo que 64,86% das serpentes tiveram 2 ou mais colônias isoladas. A mais frequente foi a Aeromonas hydrophila, com 27,14% de incidência. Quanto ao perfil de sensibilidade, em 68 das 70 colônias isoladas, observou‐se alto índice de sensibilidade à amicacina (95,71%), seguido da enrofloxacina (94,29%), da gentamicina (91,43%) e da ciprofloxacina (90%). Contudo, algumas bactérias apresentaram resistência a esses mesmos antibióticos (Figura 2). Discussão: Fatores estressantes e a imunosenescência natural, configuram‑se como os principais elementos predisponentes à estomatite, já que levam o animal à imunossupressão e predispõem à proliferação de bactérias já presentes na microbiota oral (5), como as bactérias Gram-negativas e oportunistas identificadas neste estudo, corroborando resultados de literatura (1,2,4). A falta de tratamento apropriado e condições inadequadas de manejo podem fazer a estomatite infecciosa evoluir para casos de sinusite/rinite, pneumonia e osteomielite, de modo a piorar o prognóstico do animal (3). Conclusão: A identificação de bactérias multirresistentes reforça a importância da identificação dos microrganismos causadores de infecções e da realização do antibiograma, evitando o uso indiscriminado de antibióticos. O tratamento assertivo agiliza a recuperação, previne complicações secundárias, reduzindo a mortalidade dos animais. Laura da Costa Lima, Letícia Paradinovic Coelho, Sandra Fernanda Bilbao Orozco, Marcia Regina Franzolin, Susana de Souza Barreto, Luciana Carla Rameh-de-Alburquerque, Kathleen Fernandes Grego Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13939 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 SENTINELAS ALADAS: VIGILÂNCIA MOLECULAR DE Flavivírus EM AVES SILVESTRES NA AMAZÔNIA OCIDENTAL https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13933 A Amazônia Ocidental, marcada por alta biodiversidade e interfaces intensas entre ambientes silvestres, rurais e urbanos, apresenta condições ecoepidemiológicas propícias à emergência de patógenos com alto risco de transbordamento zoonótico entre humanos e animais. As arboviroses são transmitidas por artrópodes hematófagos e representam um grupo de doenças como a Dengue, Zika, Febre Amarela e Febre do Nilo Ocidental [1]. As aves silvestres desempenham papel ecológico essencial na dinâmica dessas infecções, atuando como hospedeiros naturais e potenciais sentinelas para o monitoramento de agentes virais, mas sua participação na ecologia desses ciclos ainda é pouco documentada na Amazônia brasileira [2]. Nesse contexto, objetivou-se realizar a vigilância de arboviroses em aves silvestres de vida livre no estado do Acre. Este estudo foi protocolado no SISBIO, sob registro nº 23269-10 , e autorizado pelo CEUA da Universidade Federal do Acre (Ufac), sob protocolo nº 22/2024. A captura dos animais com redes de neblina ocorreu em diferentes fragmentos florestais urbanos e periurbanos na cidade de Rio Branco, Acre, no período entre janeiro e abril de 2025. Carcaças de aves oriundas de encontro ocasional também foram recebidas. Todos os animais foram devidamente identificados de acordo com suas características morfológicas e morfométricas, conforme chave taxonômica. Ao todo foram obtidas 91 aves, de 31 espécies distintas, sendo destinadas à coleta de amostras sanguíneas por venopunção ou coleta de fragmentos de órgãos, no caso das carcaças recebidas. As amostras foram submetidas à extração de RNA, com o QIAamp Viral RNA Mini Kit, e posterior triagem por RT-PCR para detecção de Flavivirus. Como resultado, todas as amostras analisadas apresentaram resultado negativo, indicando ausência de RNA viral detectável no momento da coleta. A ausência de detecção molecular de Flavivírus nas amostras de aves silvestres neste estudo não diminui a relevância da vigilância contínua na região, especialmente diante do contexto epidemiológico atual. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (World Health Organization - WHO) desenvolveu a Iniciativa Global contra Arboviroses, que reforça a necessidade de monitoramento integrado e precoce desses vírus para a prevenção de surtos em nível mundial [3]. Ademais, o Acre enfrentou, no início de 2025, um surto expressivo de arboviroses que foi oficialmente declarado situação de emergência em saúde pública, evidenciando a vulnerabilidade da região a esses agentes e a importância de estudos que possam fornecer informações sobre o assunto [4]. Mesmo com resultados negativos no presente levantamento molecular, o monitoramento das aves silvestres constitui uma ferramenta fundamental para antecipar possíveis emergências e auxiliar na compreensão da dinâmica viral em áreas urbanas e periurbanas. Esses animais desempenham um papel crucial na manutenção e disseminação de arbovírus, atuando como reservatórios e amplificadores desses agentes infecciosos, por apresentarem comportamento migratório [5]. Portanto, este trabalho representa um importante marco inicial para futuras investigações e reforça a necessidade de vigilância integrada, multidisciplinar e alinhada às diretrizes internacionais para o enfrentamento das arboviroses na Amazônia Ocidental. Pedro Henrique Rodrigues dos Santos, Edson Guilherme, Kaiky Sousa da Silva, Giovana de Almeida Calacina, Osmaikon Lisboa Lobato, Jhonatan Henrique Lima da Rocha, Lilian Silva Catenacci, Guilherme Henrique Reckziegel, Tamyres Izarelly Barbosa da Silva Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13933 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 CASUÍSTICA CIRÚRGICA EM MAMÍFEROS SILVESTRES: ESTUDO RETROSPECTIVO (2013 - 2023) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13945 A cirurgia em animais silvestres exige adaptações às particularidades das diferentes espécies. Muitas vezes, os procedimentos se tornam desafiadores frente ao porte reduzido dos pacientes e às suas características anatômicas e fisiológicas (1). Portanto, dados sobre a casuística cirúrgica nesses animais se mostram importantes para o planejamento dos hospitais veterinários especializados, bem como para a capacitação dos profissionais envolvidos. Este estudo retrospectivo objetivou apresentar dados acerca de procedimentos cirúrgicos realizados em mamíferos silvestres em um hospital-escola, no período de dez anos. Realizou-se um levantamento de natureza quantitativa e qualitativa, a partir de dados de atas e prontuários clínicos de pacientes admitidos na instituição entre 1º de janeiro de 2013 e 31 de dezembro de 2023. Os casos foram caracterizados de acordo com a espécie, sexo e fase de vida, bem como em relação às cirurgias (sistema envolvido e procedimento realizado). No total foram feitas 112 intervenções cirúrgicas em 96 mamíferos silvestres das ordens Primates (36/96; 37,50%), Didelphimorphia (31/96; 32,29%), Carnivora (12/96; 12,50%), Rodentia (10/96; 10,41%), Artiodactyla (3/96; 3,12%), Cingulata (2/96; 2,08%) e Pilosa (2/96; 2,08%). As espécies mais acometidas foram Callithrix penicillata (33/96; 35,41%), Didelphis albiventris (31/96; 41,66%), Cerdocyon thous (8/96; 9,33%) e Coendou prehensilis (8/96; 9,33%) (Tabela 1). Treze animais (13/96; 13,54%) foram submetidos a mais de um procedimento cirúrgico. Os animais eram, em sua maioria, machos (55/96; 49,11%) e adultos (66/96; 58,93%). A respeito dos sistemas orgânicos, o sistema locomotor (75/112; 66,96%) foi o mais afetado, seguido do sistema tegumentar (10/112; 8,92%), cavidade abdominal (7/112; 6,25%), sistema ocular (7/112; 6,25%), sistema reprodutor (5/112; 4,46%), sistema gastrointestinal (5/112; 4,46%), sistema urinário (2/112; 1,78%) e procedimento odontológico (1/112; 1,04%). Sobre os tipos de procedimentos cirúrgicos mais executados destacaram-se a amputação de membro (41/112; 36,60%), a caudectomia (19/112; 16,96%), a osteossíntese (10/112; 8,92%) e a enucleação (6/112; 5,35%). O trauma é recorrente na clínica cirúrgica de animais silvestres (1) e no presente estudo, as intervenções ortopédicas foram expressivas, principalmente a amputação, que é indicada para afecções extensas, como as fraturas com prognóstico reservado quanto à recuperação da funcionalidade do membro, e em primatas esse procedimento é frequente nos casos de eletrocussão (4, 5). No Distrito Federal, cerca de 11% dos calitriquídeos necropsiados entre 2015 a 2018 foram eletrocutados, pois são animais arborícolas e os fios de alta tensão costumam ficar próximos das árvores (3). Também se destacaram as cirurgias em sistema reprodutor com destaque à ovariossalpingohisterectomia, que é uma técnica cirúrgica utilizada em afecções reprodutivas neoplásicas, infecciosas, para controle populacional entre outras razões, tendo sido realizada em 50% de exemplares de Cerdocyon thous (2). A caracterização das cirurgias em mamíferos silvestres do estudo demonstrou que a espécie Callithrix penicillata obteve a maior quantidade de intervenções cirúrgicas, com maior expressão de indivíduos adultos, machos e em evidência denota-se as cirurgias do sistema locomotor com ênfase a amputação como o procedimento mais realizado. Zênia Rebeca Alves Falcão, Fernanda Vitória Marinho da Costa Santos, Dara Evely Vieira da Costa, Clarice Cristina Alves de Almeida Medeiros, Michaella Menezes Cunha, Fernanda Viana Mergulhão, Júlio César Montanha, Líria Queiroz Luz Hirano Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13945 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 DESCRIÇÃO DE PLANO ANESTÉSICO EM BARATAS-DE-MADAGASCAR (Gromphadorhina portentosa) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13936 A preocupação com o bem-estar animal e a ampliação do conhecimento da senciência faunística têm impulsionado o manejo ético de invertebrados, como, por exemplo, o uso de analgesia e anestesia durante procedimentos potencialmente dolorosos (1). A anestesia de invertebrados ainda é um campo pouco explorado, com escassez de informações a respeito da anestesia de baratas-de-Madagascar (2, 3). Não há dados sobre parâmetros anestésicos para esses artrópodes, com foco na segurança e eficácia do procedimento, por isso, o objetivo deste trabalho é caracterizar os estágios do plano anestésico em baratas-de-Madagascar, a partir dos estabelecidos por Guedel (4). Doze indivíduos adultos (6 machos e 6 fêmeas) foram submetidos à anestesia inalatória com isoflurano, e foram observados quanto à profundidade, reação, e efeitos adversos para descrição dos estágios anestésicos. Os animais foram colocados em uma câmara anestésica circular (15 x 13cm), e foram pré-oxigenados por 5 minutos. A concentração do isoflurano foi iniciada em 1%, e era aumentada, a cada 2 minutos, em 0,5%. Os estágios e efeitos foram representados na Tabela 1 e Figura 1. No estágio 1, 2/12 dos animais atingiram decúbito. No estágio 2, todos os animais defecaram e duas fêmeas vomitaram, com presença de excitabilidade, que foi mais proeminente nos machos, que se locomoviam descoordenadamente, tinham tremores em membros e ficavam sustentados apenas pelos dois membros posteriores, além de ocorrer a exposição de falo. As fêmeas apresentaram excitação mais discreta, com tremores e contração abdominal. O estágio 3 foi atingido com a vaporização de isoflurano a 6%, por pelo menos dez minutos. O estágio 4 foi observado em apenas um indivíduo que apresentou prolapso intestinal. O reconhecimento dos estágios anestésicos é essencial para que seja evitada a overdose, recuperação prolongada e distúrbios hemodinâmicos. Com este estudo, foi possível evidenciar a importância do jejum pré-anestésico em artrópodes, tendo em vista que 16,6% dos animais vomitaram na indução anestésica, e todos defecaram. Mesmo que o vômito não implique em uma falsa via, uma vez que a boca das baratas é distante dos espiráculos (5), seria importante reduzir o desconforto e enjôo no procedimento. Um estudo prévio de anestesia em baratas-de-Madagascar analisou apenas o tempo de indução e recuperação (2), enquanto em outro foi proposta uma escala de pontuação de estímulo motor, similar às de sedação em mamíferos, com pontuação de 1 a 4, classificada progressivamente em movimento coordenado, movimento atáxico, pouco movimento e ausência de movimento (3). A escala apresentada neste trabalho é inédita para a espécie e complementa as informações disponíveis, por abranger outras avaliações direcionadas à determinação do plano anestésico, bem como à sua profundidade. Embora apresentem parâmetros de avaliação em comum, elas possuem empregos diferentes frente à rotina anestésica. Recomenda-se maiores estudos sobre protocolos anestésicos para a espécie, com foco na anestesia balanceada e multimodal para suprimir os efeitos do estágio 2, frequentemente associado a delírios e excitação (4). Este trabalho fornece dados importantes para o avanço da anestesia em artrópodes e colabora com o manejo voltado ao bem-estar animal, frente à senciência dos invertebrados. Sofia Silva La Rocca de Freitas, Elda Ely Gomes de Souza, Arthur Freitas Silva dos Santos, Helena Exposto Novoselecki, Nanci Sousa Nilo Bahia Diniz, Bianca Peixoto Lima Amaral, Karolina Vitorino Barbosa Fernandes, Líria Queiroz Luz Hirano Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13936 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 CRIOPRESERVAÇÃO DE ESPERMATOZOIDES EPIDÍDIMÁRIOS COMO ALTERNATIVA PARA CONSERVAÇÃO DE GERMOPLASMA DE PREÁS DA CAATINGA (GALEA SPIXII) https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13943 Os preás da Caatinga (Galea spixii) são importantes engenheiros ambientais cuja reprodução natural tem sido impactada pela fragmentação do seu habitat (1). Assim, a preservação de espermatozoides epidídimários surge como opção para sua conservação, principalmente em indivíduos que venham subitamente a óbito (2). O objetivo foi comparar o efeito de dois métodos sobre a preservação de espermatozoides e do tecido epididimário de preás da Caatinga. Foram utilizados epidídimos de 5 animais adultos do criatório científico da UFERSA, cuja eutanásia foi autorizada pelo CEUA/UFERSA (nº 33/2024) e SISBIO (nº 6618-5). As caudas epididimárias foram destinadas a dois grupos: no primeiro, espermatozoides foram coletados por lavagem retrógrada e criopreservados isoladamente em diluente Tris com 10% gema e 12% glicerol, armazenados em nitrogênio (3), posteriormente reaquecidos e analisados quanto a motilidade e morfologia, sob microscopia de luz; ademais, fragmentos do tecido fresco foram fixados em Bouin (controle). No segundo, procedeu-se vitrificação da cauda epididimária por completo em solução de equilíbrio, seguida de exposição a solução vitrificante com 2,5 mL de Meio Eagle Modificado de Dulbecco, 0,25M de sacarose, 10% de soro fetal bovino e 40% de etilenoglicol por 2 minutos. As amostras foram acondicionadas em dispositivos metálicos, armazenadas em nitrogênio, reaquecidas após uma semana, removendo-se os crioprotetores em soluções de sacarose (5M, 2,5M, e 0M). Procedeu-se recuperação de espermatozoides por flutuação seguida de análise de motilidade e morfologia, e fixação de tecidos da cauda epididimária em Bouin. Os fragmentos fixados foram processados para histologia (4), corados com hematoxilina-eosina, e avaliados sob microscopia quanto a ruptura do epitélio, retração da membrana basal e conteúdo luminal, em escores de 3 a 1. Os resultados foram expressos em média ± erro-padrão e comparados pelo teste T (Plt;0,05). Quanto à motilidade espermática, houve diferença significativa (Plt;0,05), entre os grupos de espermatozoides congelados isoladamente (33,2 ± 4,5%), e daqueles inclusos na cauda (0,20 ± 0,20%); ao contrário para a morfologia espermática, os grupos foram similares (P gt; 0,05), com valores de 85,8 ± 3,4% e 81,8 ± 4,5%, respectivamente. Na análise do tecido epididimário, o controle fresco apresentou escores de 2,93 ± 0,0 para integridade do epitélio, 2,89 ± 0,0 para a membrana basal, e 2,94 ± 0,0 para conteúdo luminal coeso (Figura 1AB). No grupo em que os espermatozoides foram criopreservados inclusos na cauda epididimária, o tecido sofreu significativa queda de qualidade (P lt; 0,05), apresentando escores de 1,63 ± 0,0 na integridade epitelial, 1,77 ± 0,0 para ruptura de membrana, e 1,47 ± 0,0 na coesão do conteúdo luminal. De fato, o tecido criopreservado apresentou epitélio com injúrias, como rupturas do epitélio, retração da membrana basal e conteúdo luminal não coeso (Figura 1CD). Em conclusão, a criopreservação de espermatozoides inclusos na cauda epididimária leva a perda significativa na qualidade tecidual e espermática, sendo então sugestivo o uso da criopreservação de espermatozoides epididimários isolados como ferramenta para formação de biobancos de germoplasma de preás da Caatinga, com possibilidade de extrapolação da técnica para outros roedores cavídeos. Herlon Victor Rodrigues Silva, Pedro Augusto Pinheiro Brito, Lilian Leal Dantas, Euziele Oliveira de Santana, Romário Parente dos Santos, Andréia Maria da Silva, Carlos Eduardo Bezerra Moura, Alexandre Rodrigues Silva Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13943 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 AVALIAÇÃO PARAMÉTRICA PARA DETERMINAÇÃO DE VALORES DE REFERÊNCIA DE PARÂMETROS HEMATOLÓGICOS DE Didelphis albiventris https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13934 Decisões clínicas costumam ser tomadas com base em exames laboratoriais, utilizando valores de referência previamente estabelecidos para populações saudáveis (1). Com ampla distribuição nas Américas, os gambás (Didelphis spp.) são frequentemente resgatados por diversas instituições responsáveis pela gestão de fauna (centros de resgate, clínicas veterinárias, universidades, zoológicos, entre outros); ainda assim, há escassez de dados hematológicos baseados em critérios estatísticos confiáveis (2,3). Este estudo, aprovado pela CEUA (0237/2022) e pelo SISBIO (84319-1), teve por objetivo realizar a análise estatística de hemogramas de gambás de vida livre, com o intuito de determinar limites dos parâmetros hematológicos desses animais. Para tanto, os hemogramas foram realizados a partir do sangue coletado de gambás de vida livre resgatados por duas instituições do estado de São Paulo, no momento da admissão dos animais (4). Os animais estavam clinicamente saudáveis, sem sinais de enfermidades ou lesões. A partir do material colhido, foram realizados hemogramas completos de 32 indivíduos de gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris). Para a condução da análise estatística dos hemogramas, foram seguidas as recomendações da American Society for Veterinary Clinical Pathology (1). Os outliers foram identificados e excluídos com base no método do intervalo interquartil (IQR), a fim de evitar distorções e viés nos resultados. A distribuição dos dados foi avaliada por meio do teste de Shapiro-Wilk (α = 0,05), com o objetivo de verificar a aderência à distribuição normal (Gaussiana). Com o intuito de indicar a precisão das estimativas, foram calculados intervalos de confiança de 90% para os limites de referência dos parâmetros que atenderam aos critérios de normalidade. Após a identificação e exclusão dos outliers, observou-se uma redução no número de amostras aptas à análise (Tabela 1). Os valores médios e desvios-padrão obtidos foram: hemácias 3,68 ± 0,50, hemoglobina 8,85 ± 2,07, hematócrito 29,65 ± 5,66, VCM 83,81 ± 7,65, HCM 25,33 ± 2,79, CHCM 29,40 ± 1,77, leucócitos totais 12.523 ± 4.282, neutrófilos segmentados 5.962 ± 2.954, linfócitos 5.944 ± 1.753, eosinófilos 427 ± 378, monócitos 273 ± 193 e plaquetas 164.503 ± 92.652. O uso de métodos estatísticos apropriados é fundamental na definição de intervalos de referência de parâmetros biológicos (1). No presente estudo, não foi possível realizar a comparação das fontes de variabilidade entre os animais (machos × fêmeas / jovens × adultos), em razão do baixo número amostral em cada grupo; no entanto, isso não exclui a possibilidade de existirem diferenças entre os parâmetros. Quando se trata de espécies silvestres, coletar grandes números de amostras para gerar intervalos de referência populacionais pode ser difícil e pouco viável (1). Nesses casos, o intervalo de referência pode ser calculado por métodos robustos ou paramétricos, desde que a normalidade seja estabelecida (1). Este estudo reforça a importância do uso de métodos estatísticos adequados em pesquisas que visam estabelecer intervalos de referência. Além disso, apresenta dados hematológicos de Didelphis albiventris de vida livre, no estado de São Paulo. Stephany Rocha Ribeiro, João Otávio Mochiuti, Lígia Souza Lima Silveira da Mota, Rodrigo Hidalgo Friciello Teixeira Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13934 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000 PREVALÊNCIA DE OOCISTOS DE ISOSPORA SP. EM Serinus canaria (Linnaeus, 1758) DE CATIVEIRO NO CEARÁ https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13950 Introdução: O gênero Isospora (Apicomplexa: Eimeriidae) representa protozoários coccídios de relevância médica em Passeriformes, com destaque para o canário-doméstico (Serinus canaria), uma espécie comum no comércio de aves. A transmissão do parasita ocorre por via fecal-oral, favorecendo a disseminação em criadouros com alta concentração de aves em recintos compartilhados. Duas formas clínicas distintas são reconhecidas: a entérica, de ocorrência clínica mais frequente, e a sistêmica, associada à maior letalidade. Passeriformes representam hospedeiros importantes do gênero Isospora, sendo a principal ordem com relatos de infecção sistêmica por espécies deste gênero (1). Aves parasitadas por Isospora sp. comumente são assintomáticas e, quando presentes, as manifestações clínicas são inespecíficas, fator que dificulta a identificação precoce das diversas formas da parasitose (2). Diante desse cenário, este estudo objetivou determinar a prevalência de Isospora sp. em um criadouro comercial de S. canaria em Fortaleza, Ceará, Brasil e correlacionar a presença do parasita com manifestações clínicas. Material e Métodos: O estudo foi realizado sob aprovação do Comitê de Ética para o Uso de Animais da Universidade Estadual do Ceará, correspondente ao número de protocolo 31032.010162/2024-98. Foram coletadas amostras de fezes do fundo de 22 gaiolas pertencentes a um criadouro comercial de S. canaria. As gaiolas foram forradas com papel alumínio e amostras frescas foram armazenadas em caixas refrigeradas de isopor. Para a análise das fezes, utilizou-se a técnica de Willis Mollay para detecção de coccídios de Isospora sp., seguida de esporulação das amostras positivas no dicromato de potássio 2,5% (3). Por fim, realizou-se a análise microscópica das amostras para identificação morfológica dos coccídios. O estudo foi feito com viés apenas investigativo, sem posterior utilização de protocolo terapêutico nas aves parasitadas. Resultados: As amostras contendo oocistos de Isospora sp. corresponderam a 77,27% (n=17) das amostras analisadas, das quais 88,23% (n=15) corresponderam a aves assintomáticas. Discussão: O aspecto subclínico da infecção evidenciado pelo presente estudo, concordando com a literatura preexistente, é preocupante, tornando aves infectadas fontes silenciosas de disseminação. Assim, destaca-se a importância de avaliações parasitológicas periódicas em centros comerciais de Passeriformes (2). A elevada prevalência do agente também aponta que o ambiente cativo pode ser propício à disseminação do parasita. Além disso, imunossupressão, estresse crônico e condições sanitárias inadequadas são possíveis fatores de risco que contribuem para a contaminação por Isospora sp. em populações de S. canaria de cativeiro (4). O tratamento direcionado à coccidiose causada por Isospora sp. depende de fatores como a carga de oocistos excretados e a presença de sinais clínicos. O protocolo terapêutico recomendado consiste em medidas de higiene rigorosas e no tratamento com drogas coccidiostáticas ou coccidicidas (5). Conclusão: A alta prevalência de Isospora sp. no criadouro de S. canaria analisada no estudo, atrelada a frequente ausência de sinais clínicos, evidencia o papel epidemiológico de Passeriformes como reservatórios silenciosos do protozoário. Dessa forma, ressalta-se a importância do manejo preventivo, que visa conter possíveis fatores de risco, mantendo a sanidade do ambiente e dos animais para evitar possíveis infecções. Isabele Araújo Morais, Natália Maria Sousa Falcão, Renan Carlos de Souza Lima, Camila Carvalho Fontão, Gabriela Maria Schwinden, Desireé Solano Mendes Carvalho, Ana Caroline Oliveira Rocha, William Cardoso Maciel Copyright (c) 2026 XXXIII Encontro e XXVII Congresso ABRAVAS https://publicacoes.softaliza.com.br/congressoabravas/article/view/13950 Sun, 01 Mar 2026 00:00:00 +0000