CIÊNCIA CIDADÃ DOCUMENTA EXPANSÃO DE ESPÉCIES INVASORAS DE Callithrix E EXCLUSÃO ESPACIAL DO SAGUI-DA-SERRA ESCURO, C. aurita, NO LESTE DO BRASIL

Autores

  • maira cunha ferreira
  • Fabiano Rodrigues de Melo
  • Erika Hingst Zaher

Palavras-chave:

Ciência cidadã. Espécies invasoras. Hibridização. iNaturalist. Mata Atlântica

Resumo

A distribuição de saguis do gênero Callithrix no Brasil foi profundamente alterada por fatores antropogênicos. As espécies do gênero possuem distribuições largamente parapátricas, moldadas por barreiras geográficas e processos históricos: C. jacchus ocorre naturalmente no Nordeste, C. penicillata no Cerrado e áreas de transição, e C. aurita, atualmente ameaçado de extinção, é restrito à Mata Atlântica de altitude do leste do Brasil. A translocação humana, associada ao tráfico e à soltura de animais, rompeu essas barreiras biogeográficas, promovendo a expansão de C. jacchus e C. penicillata para o leste do Brasil e a consequente hibridização com a espécie nativa.Investigamos a dinâmica espacial e os direcionadores ambientais da ocorrência de Callithrix utilizando dados curados de ciência cidadã da plataforma iNaturalist. Todos os registros passaram por filtragem rigorosa e triagem manual para fenótipos híbridos, resultando em 256 registros validados para C. aurita, 1.063 para C. jacchus e 1.314 para C. penicillata. Fenótipos híbridos representaram 31,4% de todos os registros. As análises espaciais, utilizando grades hexagonais, incluíram correlação de Pearson, Modelos Lineares Generalizados Mistos e testes de Qui-Quadrado. As espécies invasoras apresentaram distribuição mais ampla, com C. penicillata ocupando 46,3% das grades, em comparação a 18,4% para C. aurita. A análise de correlação confirmou a exclusão espacial da espécie nativa e uma forte associação entre C. jacchus e híbridos (r = 0,90). Os GLMMs mostraram que C. aurita está positivamente associado à altitude e negativamente à urbanização, enquanto as espécies invasoras exibiram o padrão oposto. O conjunto dos resultados reforça a urgência de ações de manejo das populações invasoras para garantir a conservação de C. aurita frente à expansão de congêneres exóticos e à hibridização.

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Publicado

2026-08-24

Edição

Seção

Pesquisas científicas e tecnológicas

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