AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTIPARASITÁRIO DA SEMENTE DE ABÓBORA ASSOCIADA A FÁRMACOS SINTÉTICOS EM ARARAS VERMELHAS (Ara chloropterus)
Palavras-chave:
Cucurbita moschata, Cucurbitacinas, Helmintos, Psitacídeos, ZoonosesResumo
O controle convencional de parasitas em psitacídeos baseia-se no uso de antiparasitários sintéticos, como ivermectina, que apresenta efeitos adversos associados ao uso prolongado. Com isso, buscou-se associar as sementes de abóbora (Cucurbita spp.), as quais destacam-se pelo potencial antiparasitário. Utilizou-se de cinco indivíduos de araras vermelhas, com cinco tratamentos, objetivando avaliar o potencial da semente de abóbora como vermífugo natural e sua associação a 3 fármacos sintéticos. Assim, foi analisado que o uso da semente de abóbora, de forma isolada, não se tem resultados satisfatórios e, nesse caso, sua utilização associada ao Levamisol, se deu de melhor estratégia para a eliminação de parasitas intestinais. As araras-vermelhas (Ara chloropterus) são aves neotropicais de grande porte, pertencentes ao grupo das araras, caracterizadas por hábitos alimentares generalistas, embora apresentem dependência de sementes grandes ao longo de extensos períodos. Essa relação com itens específicos da dieta tem implicações diretas na saúde desses animais, uma vez que determinados componentes alimentares podem atuar não apenas na nutrição, mas também na modulação da carga parasitária. Nesse contexto, a utilização de recursos naturais, como a semente de abóbora, tem sido investigada por seu potencial antiparasitário, especialmente quando associada a fármacos sintéticos, visando potencializar a eficácia terapêutica e reduzir efeitos adversos. A incidência de parasitas em araras vermelhas, particularmente em condições de cuidados humanos, representa um desafio recorrente para a sanidade e o bem-estar desses indivíduos. Assim, torna-se essencial o desenvolvimento de estratégias alternativas que minimizem os impactos do uso contínuo de antiparasitários convencionais, contribuindo para práticas mais sustentáveis de manejo. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a eficácia da inclusão de sementes de abóbora (Cucurbita spp.) na dieta de araras-vermelhas (Ara chloropterus) como alternativa vermífuga natural, associada ao uso de fármacos convencionais, visando o controle de parasitas gastrointestinais e a melhoria da saúde das aves. O estudo foi conduzido no Parque Estadual de Dois Irmãos (Recife–PE), com cinco indivíduos de araras-vermelhas (Ara chloropterus), com infestação crônica parasitária, mantidas em recinto, conforme diretrizes do IBAMA/SISBIO. O delineamento experimental adotado foi do tipo medidas repetidas no tempo, no qual os mesmos indivíduos foram submetidos sequencialmente a diferentes tratamentos, permitindo a comparação intra individual da resposta ao longo dos períodos experimentais. Foram conduzidos cinco tratamentos sequenciais: (1) dieta habitual composta por ração, frutas e mix de sementes; (2) substituição do mix por sementes de abóbora por 30 dias; (3) associação das sementes de abóbora com albendazol; (4) associação com fenbendazol; e (5) associação com levamisol. Foram realizadas coletas fecais antes e após cada tratamento, com análise coproparasitológica para avaliação de endoparasitas. Os resultados indicaram a persistência de endoparasitas intestinais nos indivíduos ao longo dos tratamentos iniciais, incluindo a dieta com sementes de abóbora isoladas e associadas ao albendazol e fenbendazol. Embora essas abordagens tenham sugerido possível redução na carga parasitária, não foram suficientes para promover a eliminação completa dos parasitas. Apenas após a administração de levamisol, associada à semente, observou-se resultado negativo, evidenciando maior eficácia deste fármaco no controle parasitário. Os achados indicam que, embora a semente de abóbora apresente potencial como agente auxiliar, sua ação isolada ou associada a determinados protocolos não substitui completamente os antiparasitários sintéticos em casos de infestação estabelecida. Conclui-se que a utilização de sementes de abóbora (Cucurbita spp.) apresenta potencial como estratégia complementar no manejo parasitário de araras-vermelhas, porém não foi eficaz como método único. A administração de levamisol demonstrou maior eficiência, sendo determinante para a negativação dos exames. Dessa forma, recomenda-se o uso integrado de abordagens naturais e farmacológicas para otimizar o controle parasitário em aves mantidas sob cuidados humanos.
