SENTINELAS ALADAS: VIGILÂNCIA MOLECULAR DE Flavivírus EM AVES SILVESTRES NA AMAZÔNIA OCIDENTAL
Palavras-chave:
Arbovírus, Ornitofauna, Saúde ÚnicaResumo
A Amazônia Ocidental, marcada por alta biodiversidade e interfaces intensas entre ambientes silvestres, rurais e urbanos, apresenta condições ecoepidemiológicas propícias à emergência de patógenos com alto risco de transbordamento zoonótico entre humanos e animais. As arboviroses são transmitidas por artrópodes hematófagos e representam um grupo de doenças como a Dengue, Zika, Febre Amarela e Febre do Nilo Ocidental [1]. As aves silvestres desempenham papel ecológico essencial na dinâmica dessas infecções, atuando como hospedeiros naturais e potenciais sentinelas para o monitoramento de agentes virais, mas sua participação na ecologia desses ciclos ainda é pouco documentada na Amazônia brasileira [2]. Nesse contexto, objetivou-se realizar a vigilância de arboviroses em aves silvestres de vida livre no estado do Acre. Este estudo foi protocolado no SISBIO, sob registro nº 23269-10 , e autorizado pelo CEUA da Universidade Federal do Acre (Ufac), sob protocolo nº 22/2024. A captura dos animais com redes de neblina ocorreu em diferentes fragmentos florestais urbanos e periurbanos na cidade de Rio Branco, Acre, no período entre janeiro e abril de 2025. Carcaças de aves oriundas de encontro ocasional também foram recebidas. Todos os animais foram devidamente identificados de acordo com suas características morfológicas e morfométricas, conforme chave taxonômica. Ao todo foram obtidas 91 aves, de 31 espécies distintas, sendo destinadas à coleta de amostras sanguíneas por venopunção ou coleta de fragmentos de órgãos, no caso das carcaças recebidas. As amostras foram submetidas à extração de RNA, com o QIAamp Viral RNA Mini Kit, e posterior triagem por RT-PCR para detecção de Flavivirus. Como resultado, todas as amostras analisadas apresentaram resultado negativo, indicando ausência de RNA viral detectável no momento da coleta. A ausência de detecção molecular de Flavivírus nas amostras de aves silvestres neste estudo não diminui a relevância da vigilância contínua na região, especialmente diante do contexto epidemiológico atual. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (World Health Organization - WHO) desenvolveu a Iniciativa Global contra Arboviroses, que reforça a necessidade de monitoramento integrado e precoce desses vírus para a prevenção de surtos em nível mundial [3]. Ademais, o Acre enfrentou, no início de 2025, um surto expressivo de arboviroses que foi oficialmente declarado situação de emergência em saúde pública, evidenciando a vulnerabilidade da região a esses agentes e a importância de estudos que possam fornecer informações sobre o assunto [4]. Mesmo com resultados negativos no presente levantamento molecular, o monitoramento das aves silvestres constitui uma ferramenta fundamental para antecipar possíveis emergências e auxiliar na compreensão da dinâmica viral em áreas urbanas e periurbanas. Esses animais desempenham um papel crucial na manutenção e disseminação de arbovírus, atuando como reservatórios e amplificadores desses agentes infecciosos, por apresentarem comportamento migratório [5]. Portanto, este trabalho representa um importante marco inicial para futuras investigações e reforça a necessidade de vigilância integrada, multidisciplinar e alinhada às diretrizes internacionais para o enfrentamento das arboviroses na Amazônia Ocidental.Downloads
Publicado
2026-03-01
Edição
Seção
Resumo Cientifico
