AVALIAÇÃO PARAMÉTRICA PARA DETERMINAÇÃO DE VALORES DE REFERÊNCIA DE PARÂMETROS HEMATOLÓGICOS DE Didelphis albiventris
Palavras-chave:
Análise estatística, Didelphidae, hemograma.Resumo
Decisões clínicas costumam ser tomadas com base em exames laboratoriais, utilizando valores de referência previamente estabelecidos para populações saudáveis (1). Com ampla distribuição nas Américas, os gambás (Didelphis spp.) são frequentemente resgatados por diversas instituições responsáveis pela gestão de fauna (centros de resgate, clínicas veterinárias, universidades, zoológicos, entre outros); ainda assim, há escassez de dados hematológicos baseados em critérios estatísticos confiáveis (2,3). Este estudo, aprovado pela CEUA (0237/2022) e pelo SISBIO (84319-1), teve por objetivo realizar a análise estatística de hemogramas de gambás de vida livre, com o intuito de determinar limites dos parâmetros hematológicos desses animais. Para tanto, os hemogramas foram realizados a partir do sangue coletado de gambás de vida livre resgatados por duas instituições do estado de São Paulo, no momento da admissão dos animais (4). Os animais estavam clinicamente saudáveis, sem sinais de enfermidades ou lesões. A partir do material colhido, foram realizados hemogramas completos de 32 indivíduos de gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris). Para a condução da análise estatística dos hemogramas, foram seguidas as recomendações da American Society for Veterinary Clinical Pathology (1). Os outliers foram identificados e excluídos com base no método do intervalo interquartil (IQR), a fim de evitar distorções e viés nos resultados. A distribuição dos dados foi avaliada por meio do teste de Shapiro-Wilk (α = 0,05), com o objetivo de verificar a aderência à distribuição normal (Gaussiana). Com o intuito de indicar a precisão das estimativas, foram calculados intervalos de confiança de 90% para os limites de referência dos parâmetros que atenderam aos critérios de normalidade. Após a identificação e exclusão dos outliers, observou-se uma redução no número de amostras aptas à análise (Tabela 1). Os valores médios e desvios-padrão obtidos foram: hemácias 3,68 ± 0,50, hemoglobina 8,85 ± 2,07, hematócrito 29,65 ± 5,66, VCM 83,81 ± 7,65, HCM 25,33 ± 2,79, CHCM 29,40 ± 1,77, leucócitos totais 12.523 ± 4.282, neutrófilos segmentados 5.962 ± 2.954, linfócitos 5.944 ± 1.753, eosinófilos 427 ± 378, monócitos 273 ± 193 e plaquetas 164.503 ± 92.652. O uso de métodos estatísticos apropriados é fundamental na definição de intervalos de referência de parâmetros biológicos (1). No presente estudo, não foi possível realizar a comparação das fontes de variabilidade entre os animais (machos × fêmeas / jovens × adultos), em razão do baixo número amostral em cada grupo; no entanto, isso não exclui a possibilidade de existirem diferenças entre os parâmetros. Quando se trata de espécies silvestres, coletar grandes números de amostras para gerar intervalos de referência populacionais pode ser difícil e pouco viável (1). Nesses casos, o intervalo de referência pode ser calculado por métodos robustos ou paramétricos, desde que a normalidade seja estabelecida (1). Este estudo reforça a importância do uso de métodos estatísticos adequados em pesquisas que visam estabelecer intervalos de referência. Além disso, apresenta dados hematológicos de Didelphis albiventris de vida livre, no estado de São Paulo.Downloads
Publicado
2026-03-01
Edição
Seção
Resumo Cientifico
