SUPORTE CLÍNICO-NUTRICIONAL COM PRÓPOLIS VERDE EM PASSERIFORMES RESGATADOS DO TRÁFICO NA PARAÍBA: RELATO DE CASO

Autores

  • AUDISIO ALVES DA COSTA FILHO
  • Lucas Rannier Ribeiro Antonino Carvalho
  • Glenison Ferreira Dias
  • Georgia Carneiro Duarte
  • Rayla Ribeiro de Souza
  • Ana Lúcia Coelho Carvalho Gomes
  • Ividy Bison
  • Andrey Augusto José Souza da Silva

Palavras-chave:

Passeriformes , Própolis , Tráfico

Resumo

INTRODUÇÃO: O tráfico de animais silvestres é um dos principais vetores de mortalidade e declínio populacional em passeriformes granívoros no Brasil, muitas aves chegam a centros de triagem desidratadas, desnutridas e imunossuprimidas em razão de superlotação, estresse e manejo insalubre, tornando-se vulneráveis a doenças metabólicas e infecciosas (1). Como suporte a um manejo clínico-nutricional acessível, a própolis, uma resina vegetal coletada e processada por abelhas, contém flavonoides, ácidos fenólicos e vitaminas B, C e E, com propriedades anti-inflamatória, antioxidante, antimicrobiana e imunomoduladora descritas em estudos experimentais e em animais sob cuidados humanos (2,3). Objetivou-se relatar o uso de uma dose única de extrato de própolis verde na admissão de passeriformes resgatados do tráfico e descrever desfechos clínicos básicos observados.RELATO DE CASO: Série prospectiva observacional conduzida entre 20/07/2021 e 21/03/2023 com passeriformes granívoros adultos (≤30 g) provenientes de resgates ou apreensões legais. Na admissão, realizou-se triagem clínica, quarentena e administração oral de 0,05 ml de extrato aquoso de própolis verde comercial (dose única alométrica adaptada; teor declarado: 11% polifenóis). O alojamento ocorreu em recintos sanitariamente controlados, com dieta granívora balanceada e água ad libitum. Foram monitorados peso, escore corporal e parasitologia fecal em pool por lote (amostras individuais quando indicado). Dados históricos prévios ao protocolo serviram como comparativo de sobrevivência. No período, foram admitidos 412 indivíduos de 16 espécies, incluindo duas listadas em categorias de ameaça (Spinus yarrelli e Sporophila hypoxantha). A taxa média de sobrevivência até a soltura foi 87,92%, incremento gt;31,75% em relação a períodos históricos sem o uso de própolis (56,17%). Observou-se ganho ponderal em 94,7% dos monitorados e melhora de escore corporal em 96,1% das aves. Exames parasitológicos revelaram Isospora spp. (17,96%), Ancylostoma/Strongyloides spp. (0,72%) e ovos de ectoparasitas (2,42%); casos positivos foram tratados conforme rotina farmacológica, sem evidência de efeito antiparasitário direto atribuível ao própolis. DISCUSSÃO: Aves traficadas sofrem estresse oxidativo, trauma e imunodepressão que elevam morbimortalidade. Polifenóis da própolis podem inibir ciclooxigenases, modular prostaglandinas e reduzir citocinas pró-inflamatórias; estudos indicam estímulo à imunidade inata via TLR-2/TLR-4 e interleucinas como IL-2 e IL-6, além de efeito citoprotetor frente a radicais livres, sendo um fator que melhora os indicadores de sobrevivência(3,4). Vitaminas do complexo B podem favorecer metabolismo energético intestinal e consumo alimentar, contribuindo para o ganho ponderal descrito (5). CONCLUSÃO: A administração única de própolis verde na admissão de passeriformes resgatados mostrou-se prática, segura, de baixo custo e associada a maior sobrevivência e melhor condição corporal. Não substitui terapias específicas, mas pode integrar protocolos de suporte adicionais.

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Publicado

2026-03-01