MANEJO CLÍNICO-CIRÚRGICO DE CATARATA BILATERAL EM MURUCUTUTU (PULSATRIX PERSPICILLATA): RELATO DE CASO

Autores

  • Luis Otávio
  • Alissa da Silva Farias
  • Bruna Mounzer Gobbato
  • Eduarda Ferreira
  • Isabela Almeida Araldi
  • Indaia Bisognin
  • Jeane Beatriz Trein
  • Kimberly Weschenfelder Teixeira de Carvalho
  • Michelli Westphal Ataide

Palavras-chave:

Falcoemulsifiação, Oftalmologia, Rapinantes.

Resumo

A catarata é uma doença ocular muito comum, caracterizada principalmente pela opacificação da cápsula ou das fibras da lente, resultando de modificações na arquitetura lamelar dessas estruturas (1). Desta forma, objetiva-se relatar a conduta clínica cirúrgica em Murucututu (P. perpicillata) com diagnóstico de catarata bilateral, submetida ao procedimento de focoemulsificação. A sintomatologia clínica apresentada era déficit visual severo, caracterizado por comprometimento quase total da acuidade visual e dificuldades na ingesta de alimentos. Nos exames laboratoriais, não apresentou nenhuma alteração, indicando-se apta a realização da cirurgia. Para tanto, foi realizado como protocolo pré-anestésico cetamina (10mg.kg-1IM), tramadol (5mg.kg-1IM), midazolam (1mg.kg-1IM), e manutenção anestésica com isofluorano, além da terapia de apoio com enrofloxacina (15mg.kg-1IM), e meloxicam (1,5mg.kg-1IM). Após, em decúbito dorsal, cabeça levemente elevada, e o microscópio cirúrgico devidamente ajustado e alinhado ao eixo ocular. Iniciou-se por uma incisão corneana 4 horas, com bisturi 3,2mm, seguido de uma incisão acessória de 2mm, a 70° da anterior. Através da incisão principal, instilou-se epinefrina intracameral. Sequencialmente, injetou-se o corante azul tripam para corar a capsula anterior e desta forma auxiliar na capsulorrexe, a qual foi obtida. Utilizando uma pinça de utrata. Após realizou-se a hidrodissecção com o uso de uma cânula plana, liberando as aderências que seguram a lente ao saco capsular. A caneta do facoemulsificador foi então inserida através da incisão principal, dando início a facoemulsificação. Após a remoção de todos os fragmentos da catarata, o material cortical foi aspirado utilizando uma caneta de I/A (irrigação e aspiração) e, seguiu-se pela execução de dois pontos simples separados na córnea, utilizando poliglecaprone 9-0. Após realizou-se o mesmo procedimento no outro olho. Por fim, por via intracameral foi injetado (2,5mg.kg-1) de ativador de plasminogênio tecidual. Como terapia de suporte no pós-operatório, foi instituída a instilação de uma gota de colírio à base de gatifloxacino 0,3% associado ao acetato de prednisolona 1% em cada olho operado, com frequência inicial a cada duas horas, durante os primeiros sete dias, além de dipirona (30mg.kg-1VO,TID). Na segunda semana, a frequência foi reduzida para intervalos de três horas, na terceira, para quatro horas e, a partir da quarta semana, para oito horas. Após a medicação tópica foi suspensa conforme resposta clínica favorável. As aves de rapina desenvolveram uma visão tão eficiente que permite uma movimentação e orientação no ambiente, além da prática de caça precisa. Tal fator possui um peso ainda maior por tratar-se de animais predadores (2). Diante disso, alterações oftálmicas nesses animais devem ser estudadas pela influência sobre o desempenho de suas funções no ambiente natural (3). A doença catarata pode ser considerada como a causa mais relevante de cegueira tratável. A terapia para essa doença é principalmente a cirúrgica (4). Tendo em vista o comprometimento quase total da visão, foi decidido a intervenção cirúrgica, no propósito da melhora do quadro clínico. Visto a condição clínica e exames, a falcoemulsificação se mostrou a melhor opção, culminando em um desfecho satisfatório.

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Publicado

2026-03-01