ESTUDO DA ESTOMATITE BACTERIANA EM SERPENTES MANTIDAS EX SITU
Palavras-chave:
Microbiologia, Bothrops, AntibiogramaResumo
Introdução: Dentre as afecções mais comuns em ofídios mantidos ex situ para a extração de peçonha para a produção dos soros antiofídicos está a estomatite infecciosa, patologia caracterizada pela infecção da mucosa oral, podendo evoluir para hemorragias, úlceras e até necrose (1). A imunossupressão causada por fatores estressantes como a inadequação dos fatores abióticos, contenção física, presença de doenças sistêmicas, imunosenescência natural, entre outros, configuram‑se como os principais elementos predisponentes à estomatite (2,3). A identificação dos agentes bacterianos envolvidos, associada à seleção dos antibióticos mais eficazes, acelera o tratamento, reduz a mortalidade e contribui para a melhora da qualidade de vida dos animais (4). Deste modo, o objetivo deste trabalho foi o de identificar as principais bactérias envolvidas nas estomatites, assim como os antibióticos de eleição para o tratamento. Material e métodos: Em parceria com o Laboratório de Bacteriologia foi realizado um levantamento retrospectivo dos resultados microbiológicos dos casos de estomatite bacteriana no período de 2019 a 2024. As amostragens de material biológico da cavidade oral dos animais com estomatite foram realizadas por meio de suabe, precedidas de lavagem com solução fisiológica 0,9%, sendo esses e todos os demais procedimentos autorizados pelo CEUAIB sob o número 7967310720. As amostras foram cultivadas em ágar MacConkey e ágar sangue, a 35ºC, para isolar e identificar as espécies de bactérias, através do sistema API® (bioMérieux). Para a realização do antibiograma foi utilizado o método Kirby-Bauer (método de difusão em ágar), conforme o Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). Resultados: Nesse período foram registrados 37 casos de estomatite bacteriana, sendo 36 deles em serpentes do gênero Bothrops (13 B. alternatus, 8 B. moojeni, 6 B. jararaca, 6 B. jararacussu, 2 B. atrox e 1 B. neuwiedi) e uma em Crotalus (C. durissus cascavella). Do material colhido, 70 colônias bacterianas foram isoladas, distribuídas em 15 espécies diferentes (Figura 1), sendo que 64,86% das serpentes tiveram 2 ou mais colônias isoladas. A mais frequente foi a Aeromonas hydrophila, com 27,14% de incidência. Quanto ao perfil de sensibilidade, em 68 das 70 colônias isoladas, observou‐se alto índice de sensibilidade à amicacina (95,71%), seguido da enrofloxacina (94,29%), da gentamicina (91,43%) e da ciprofloxacina (90%). Contudo, algumas bactérias apresentaram resistência a esses mesmos antibióticos (Figura 2). Discussão: Fatores estressantes e a imunosenescência natural, configuram‑se como os principais elementos predisponentes à estomatite, já que levam o animal à imunossupressão e predispõem à proliferação de bactérias já presentes na microbiota oral (5), como as bactérias Gram-negativas e oportunistas identificadas neste estudo, corroborando resultados de literatura (1,2,4). A falta de tratamento apropriado e condições inadequadas de manejo podem fazer a estomatite infecciosa evoluir para casos de sinusite/rinite, pneumonia e osteomielite, de modo a piorar o prognóstico do animal (3). Conclusão: A identificação de bactérias multirresistentes reforça a importância da identificação dos microrganismos causadores de infecções e da realização do antibiograma, evitando o uso indiscriminado de antibióticos. O tratamento assertivo agiliza a recuperação, previne complicações secundárias, reduzindo a mortalidade dos animais.Downloads
Publicado
2026-03-01
Edição
Seção
Resumo Cientifico
