Intoxicação de lagomorfo por Ipomoea asarifolia (Desr.) Roem. e Schult.

Autores

  • NATHALIA FERNANDES PINTO
  • Matheus Henrique Andrade da Silva
  • Alice Rainara Câmara Galdino Nascimento
  • Cauã Rocha Lopes Freire
  • Ana Clara Oliveira Campos
  • Gabriel Barreto Pinto
  • Yanna Carolina Ferreira Teles
  • MIRTA OLIVEIRA GOMES DA SILVA
  • Abraão Ribeiro Barbosa

Palavras-chave:

Coelho; Salsa-brava; Toxicologia

Resumo

A Ipomoea asarifolia (Desr.) Roem. amp; Schult., conhecida como salsa ou salsa-brava, é uma planta tóxica para várias espécies animais. Em ruminantes, causa sintomas neurológicos como ataxia, tremores, convulsões e nistagmo, além de sinais gastrointestinais como salivação excessiva e diarreia, devido a substâncias que afetam o sistema nervoso central. Embora amplamente descrita na literatura veterinária quanto à sua toxicidade em espécies de produção, poucos relatos envolvem animais domésticos não ruminantes ou espécies utilizadas em experimentação. No presente relato, um coelho [Oryctolagus cuniculus (Linnaeus, 1758)] macho adulto de aproximadamente 3 anos, da raça Lion Head, escore corporal 3-4, pesando 3,5 kg, mantido em biotério, junto a mais 20 animais no setor de cunicultura do CCA/UFPB, ingeriu acidentalmente partes da Ipomoea asarifolia misturadas à sua dieta. Mesmo com a ingestão de uma pequena quantidade, uma vez que o vegetal foi colhido acidentalmente, o animal apresentou, minutos após a ingestão das folhas e talos, sintomas agudos de intoxicação, incluindo convulsões, nistagmo, descoordenação motora, inclinação cefálica, sialorreia e descoordenação neurológica generalizada. Ao ser colocado no solo, o animal apresentava rolamento corporal completo para o lado contralateral à inclinação cefálica, o que sugere perda de equilíbrio decorrente de disfunção vestibular. A sintomatologia teve início logo após o repasto, caracterizando um quadro neurotóxico de abrupta evolução, com duração de aproximadamente 20 minutos (momento registrado em vídeo), seguidos por uma recuperação rápida e completa antes da possibilidade de acesso e intervenção médica veterinária. Após o ocorrido, o animal passou a acompanhamento médico veterinário, e não apresentou alterações nos parâmetros biológicos, sinais clínicos de evolução prolongada, recorrência dos sintomas, manifestações clínicas residuais ou sequelas da intoxicação. Este achado reforça a hipótese de que os efeitos tóxicos em lagomorfos podem ser agudos e autolimitados, mas ainda não totalmente compreendidos. Na literatura encontrada, em um experimento controlado realizado com coelhos alimentados por 15 semanas com dietas contendo diferentes níveis de inclusão de folha de Ipomoea asarifolia, não foram observadas mortes nos grupos expostos a dietas composta com até 7,5% da planta. Em contrapartida, a inclusão de 10% ou mais resultou em mortalidade de até 29%, além de alterações hepáticas associadas ao esforço de detoxificação. No presente relato, apesar da ingestão acidental, única e em quantidade desconhecida, e desconsiderando a fase aguda imediata, o animal não apresentou qualquer tipo de sequela clínica após a recuperação inicial. Dessa forma, Ipomoea asarifolia deve ser considerada uma planta de risco em ambientes onde animais confinados possam ter acesso a ela, o que reforça a necessidade de cuidados rigorosos na formulação da dieta de espécies domésticas e na vigilância das áreas de pastejo. O caso também evidencia a importância da identificação criteriosa das espécies vegetais oferecidas aos animais, mesmo em pequenas quantidades, diante do potencial risco toxicológico. Por se tratar de um relato isolado, são necessários estudos adicionais que subsidiem condutas terapêuticas mais adequadas e permitam compreender com maior profundidade os mecanismos fisiopatológicos dessa intoxicação em lagomorfos.

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Publicado

2026-03-01