CRIOPRESERVAÇÃO DE ESPERMATOZOIDES EPIDÍDIMÁRIOS COMO ALTERNATIVA PARA CONSERVAÇÃO DE GERMOPLASMA DE PREÁS DA CAATINGA (GALEA SPIXII)
Palavras-chave:
Biobank , rodents , wildlifeResumo
Os preás da Caatinga (Galea spixii) são importantes engenheiros ambientais cuja reprodução natural tem sido impactada pela fragmentação do seu habitat (1). Assim, a preservação de espermatozoides epidídimários surge como opção para sua conservação, principalmente em indivíduos que venham subitamente a óbito (2). O objetivo foi comparar o efeito de dois métodos sobre a preservação de espermatozoides e do tecido epididimário de preás da Caatinga. Foram utilizados epidídimos de 5 animais adultos do criatório científico da UFERSA, cuja eutanásia foi autorizada pelo CEUA/UFERSA (nº 33/2024) e SISBIO (nº 6618-5). As caudas epididimárias foram destinadas a dois grupos: no primeiro, espermatozoides foram coletados por lavagem retrógrada e criopreservados isoladamente em diluente Tris com 10% gema e 12% glicerol, armazenados em nitrogênio (3), posteriormente reaquecidos e analisados quanto a motilidade e morfologia, sob microscopia de luz; ademais, fragmentos do tecido fresco foram fixados em Bouin (controle). No segundo, procedeu-se vitrificação da cauda epididimária por completo em solução de equilíbrio, seguida de exposição a solução vitrificante com 2,5 mL de Meio Eagle Modificado de Dulbecco, 0,25M de sacarose, 10% de soro fetal bovino e 40% de etilenoglicol por 2 minutos. As amostras foram acondicionadas em dispositivos metálicos, armazenadas em nitrogênio, reaquecidas após uma semana, removendo-se os crioprotetores em soluções de sacarose (5M, 2,5M, e 0M). Procedeu-se recuperação de espermatozoides por flutuação seguida de análise de motilidade e morfologia, e fixação de tecidos da cauda epididimária em Bouin. Os fragmentos fixados foram processados para histologia (4), corados com hematoxilina-eosina, e avaliados sob microscopia quanto a ruptura do epitélio, retração da membrana basal e conteúdo luminal, em escores de 3 a 1. Os resultados foram expressos em média ± erro-padrão e comparados pelo teste T (Plt;0,05). Quanto à motilidade espermática, houve diferença significativa (Plt;0,05), entre os grupos de espermatozoides congelados isoladamente (33,2 ± 4,5%), e daqueles inclusos na cauda (0,20 ± 0,20%); ao contrário para a morfologia espermática, os grupos foram similares (P gt; 0,05), com valores de 85,8 ± 3,4% e 81,8 ± 4,5%, respectivamente. Na análise do tecido epididimário, o controle fresco apresentou escores de 2,93 ± 0,0 para integridade do epitélio, 2,89 ± 0,0 para a membrana basal, e 2,94 ± 0,0 para conteúdo luminal coeso (Figura 1AB). No grupo em que os espermatozoides foram criopreservados inclusos na cauda epididimária, o tecido sofreu significativa queda de qualidade (P lt; 0,05), apresentando escores de 1,63 ± 0,0 na integridade epitelial, 1,77 ± 0,0 para ruptura de membrana, e 1,47 ± 0,0 na coesão do conteúdo luminal. De fato, o tecido criopreservado apresentou epitélio com injúrias, como rupturas do epitélio, retração da membrana basal e conteúdo luminal não coeso (Figura 1CD). Em conclusão, a criopreservação de espermatozoides inclusos na cauda epididimária leva a perda significativa na qualidade tecidual e espermática, sendo então sugestivo o uso da criopreservação de espermatozoides epididimários isolados como ferramenta para formação de biobancos de germoplasma de preás da Caatinga, com possibilidade de extrapolação da técnica para outros roedores cavídeos.Downloads
Publicado
2026-03-01
Edição
Seção
Resumo Cientifico
