TIMPANISMO RUMINAL EM VEADO-ROXO (Passalites nemorivagus): RELATO DE CASO

Autores

  • Rayanne Gomes Silveira
  • Caroline Sotto Mayor Padua Rodrigues
  • Natália Boaventura Reis de Assis
  • Gabrielly Uchôa Gonçalves
  • Ellen Medeiros Almeida
  • Anna Lívia Altieri Lobo dos Santos
  • Djacy Barbosa Ribeiro
  • Ana Silvia Sardinha Ribeiro

Palavras-chave:

cervídeos, reabilitação, ruminocentese

Resumo

O veado-roxo (Passalites nemorivagus) é um mamífero artiodáctilo, encontrado na Amazônia e em áreas de transição (1). Entre as enfermidades que podem acometer esses animais, destaca-se o timpanismo ruminal, caracterizado pela distensão acentuada do rúmen, devido à incapacidade do animal de expulsar gases produzidos durante o processo fisiológico da fermentação (2). No dia 9 de maio de 2025, foi encaminhado por um órgão ambiental ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens, um espécime de veado-roxo (Figura 1), com ataxia e decúbito lateral. O animal, uma fêmea, adulta, com cerca de 10 kg, apresentava um quadro de estresse agudo e distensão abdominal evidente (Figura 2), com sons timpânicos ao teste de percussão. No exame clínico foi observado a ausência de movimentos ruminais no período de 2 minutos (desejável 1-3 por minuto) e turgor cutâneo reduzido. Devido à alta sensibilidade ao estresse nos cervídeos em geral e suas respectivas implicações, foi realizada a sedação do indivíduo com midazolam (0,3 mg/kg IM), antes da continuidade do manejo clínico. Como protocolo terapêutico, foi instituída fluidoterapia com solução de ringer com lactato, calculando-se a taxa de manutenção (50 mL/kg/dia IV), somada ao déficit de 7% de desidratação. O acesso intravenoso foi realizado na veia cefálica. Como coadjuvantes no processo de estabilização, foram administrados dipirona (25 mg/kg IV) e dexametasona (5 mg/animal IM). Diante do baixo peristaltismo ruminal, quadro de percussão timpânica e visível distensão abdominal, realizou-se a ruminocentese. No caso em questão, a ruminocentese foi realizada com o intuito de drenar e aliviar o volume de gases presente no rúmen. Imediatamente após a punção, foi percebido odor característico da eliminação de gases e diminuição da distensão ruminal. Apesar da melhora inicial, o peristaltismo seguia reduzido, motivo pelo qual seguimos para a sondagem orogástrica. O cervídeo foi posicionado em decúbito esternal para o procedimento, que foi interrompido, devido a refluxo de conteúdo alimentar durante a sondagem, enquanto a sonda ainda progredia pelo esôfago, de aspecto pastoso, coloração esverdeada escura e odor fétido. O animal foi mantido em posição esternal, que facilita a eructação e auxilia na respiração (3). Foi administrado éster tributílico (5 ml/VO). O espécime permaneceu em observação e, após cerca de 14 horas da sua admissão no CETRAS, conseguiu se manter em estação e movimentar-se normalmente. Com a evolução do quadro clínico, após quatro dias em reabilitação, o animal foi considerado apto para soltura, sendo destinado a um parque ecológico da região. O timpanismo ruminal em ruminantes selvagens representa um desafio, devido à alta sensibilidade ao estresse desses animais e à escassez de literatura sobre o tema. O caso reforça a importância de estudos clínicos voltados para essa casuística. A associação de técnicas como a ruminocentese, fluidoterapia, analgesia e suporte intensivo, possibilitou a recuperação plena do Passalites nemorivagus, evidenciando a viabilidade de sua reabilitação e reintrodução ao ambiente natural.

Downloads

Publicado

2026-03-01