Uso da laserterapia no atendimento emergencial de um neonato de periquito-australiano politraumatizado

Autores

  • Nezumi Portela Procópio Frigo
  • Marcela Carvalho Ortiz
  • Vívian Fernandes Moreira Santos
  • Sandra Mara Ferreira Brito Dias Silva

Palavras-chave:

fotobiomodulação, neonatologia, trauma

Resumo

Introdução: Aves recém-nascidas frequentemente chegam para atendimento em estado crítico, podendo apresentar hipotermia, hipoglicemia, desidratação e/ou septicemia, visto que são altriciais e, portanto, frágeis. A abordagem para correção de qualquer desequilíbrio deve ser implementada imediatamente para garantir a sua sobrevivência (1). Relato de caso: Foi recebido para atendimento de emergência um neonato de Melopsittacus undulatus com histórico de queda do ninho, com o crânio ruborizado e edemaciado, hematomas no crânio e membro anterior esquerdo, e escoriação medial ao olho esquerdo (figura 1A). Compatível com o histórico, o paciente apresentava estado de consciência reduzido e hipotermia. Devido ao diminuto tamanho do paciente, a equipe optou pela oxigenioterapia e aquecimento imediatos, e em conjunto, o filhote recebeu laserterapia. Foi utilizada a laserterapia transcraniana, usando como referência os acupontos VG16 e VG20, com laser pulsado vermelho (100mW) e infravermelho (120mW), na dose de 0,5J e frequência de 10Hz por ponto. Também foi utilizado 1J do laser vermelho na lesão da asa direita. O animal foi mantido em aquecimento até o fim do internamento. A oxigenioterapia foi mantida nas primeiras 6 horas. No dia seguinte à internação, o paciente já se apresentava ativo e alerta, vocalizando como o esperado para a idade, aceitou alimentação com fórmula para filhotes de psitacídeo e defecou. A coloração dos hematomas havia amenizado. O protocolo de laser foi mantido então pelo total de 3 dias consecutivos. Observada melhora satisfatória (figura 1B), o paciente recebeu alta clínica. Discussão: A administração de medicamentos em pacientes neonatos tem suas particularidades, visto que o metabolismo e desenvolvimento de órgãos como fígado e rins de um filhote são diferentes dos de uma ave adulta. Além disso, administrações injetáveis, mesmo com uma agulha 27G, correm risco de gerar lesões teciduais, dada a fragilidade da pele, mínima cobertura muscular, e ossos ainda não completamente calcificados (1, 2). Devido a essas especificidades, a abordagem integrativa com a fotobiomodulação para este caso, em que o paciente já apresentava outras injúrias, se mostrou como uma alternativa. Seus principais efeitos desejáveis são analgesia, redução da inflamação e aceleração da cicatrização (3), sem a possibilidade de efeitos adversos de fármacos, como lesão hepática e renal ou intoxicação. O sistema nervoso central é ainda mais acessível à terapia, dada sua proximidade à superfície da pele e alta presença de mitocôndrias nas células cerebrais (4). Conclusão: É essencial considerar as especificidades anatômicas e fisiológicas de animais neonatos no atendimento a esses pacientes, de modo a garantir sua recuperação da maneira mais eficiente e segura possível. Dentro deste contexto, a laserterapia se mostrou não só segura, como também valorosa para a recuperação do paciente. Sugere-se que, mesmo em casos com necessidade de administração de fármacos, a fotobiomodulação pode contribuir para redução de doses e de tempo de recuperação.

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Publicado

2026-03-01