PREVALÊNCIA DE OOCISTOS DE ISOSPORA SP. EM Serinus canaria (Linnaeus, 1758) DE CATIVEIRO NO CEARÁ
Palavras-chave:
Coccidiose, Passeriformes, Willis Mollay.Resumo
Introdução: O gênero Isospora (Apicomplexa: Eimeriidae) representa protozoários coccídios de relevância médica em Passeriformes, com destaque para o canário-doméstico (Serinus canaria), uma espécie comum no comércio de aves. A transmissão do parasita ocorre por via fecal-oral, favorecendo a disseminação em criadouros com alta concentração de aves em recintos compartilhados. Duas formas clínicas distintas são reconhecidas: a entérica, de ocorrência clínica mais frequente, e a sistêmica, associada à maior letalidade. Passeriformes representam hospedeiros importantes do gênero Isospora, sendo a principal ordem com relatos de infecção sistêmica por espécies deste gênero (1). Aves parasitadas por Isospora sp. comumente são assintomáticas e, quando presentes, as manifestações clínicas são inespecíficas, fator que dificulta a identificação precoce das diversas formas da parasitose (2). Diante desse cenário, este estudo objetivou determinar a prevalência de Isospora sp. em um criadouro comercial de S. canaria em Fortaleza, Ceará, Brasil e correlacionar a presença do parasita com manifestações clínicas. Material e Métodos: O estudo foi realizado sob aprovação do Comitê de Ética para o Uso de Animais da Universidade Estadual do Ceará, correspondente ao número de protocolo 31032.010162/2024-98. Foram coletadas amostras de fezes do fundo de 22 gaiolas pertencentes a um criadouro comercial de S. canaria. As gaiolas foram forradas com papel alumínio e amostras frescas foram armazenadas em caixas refrigeradas de isopor. Para a análise das fezes, utilizou-se a técnica de Willis Mollay para detecção de coccídios de Isospora sp., seguida de esporulação das amostras positivas no dicromato de potássio 2,5% (3). Por fim, realizou-se a análise microscópica das amostras para identificação morfológica dos coccídios. O estudo foi feito com viés apenas investigativo, sem posterior utilização de protocolo terapêutico nas aves parasitadas. Resultados: As amostras contendo oocistos de Isospora sp. corresponderam a 77,27% (n=17) das amostras analisadas, das quais 88,23% (n=15) corresponderam a aves assintomáticas. Discussão: O aspecto subclínico da infecção evidenciado pelo presente estudo, concordando com a literatura preexistente, é preocupante, tornando aves infectadas fontes silenciosas de disseminação. Assim, destaca-se a importância de avaliações parasitológicas periódicas em centros comerciais de Passeriformes (2). A elevada prevalência do agente também aponta que o ambiente cativo pode ser propício à disseminação do parasita. Além disso, imunossupressão, estresse crônico e condições sanitárias inadequadas são possíveis fatores de risco que contribuem para a contaminação por Isospora sp. em populações de S. canaria de cativeiro (4). O tratamento direcionado à coccidiose causada por Isospora sp. depende de fatores como a carga de oocistos excretados e a presença de sinais clínicos. O protocolo terapêutico recomendado consiste em medidas de higiene rigorosas e no tratamento com drogas coccidiostáticas ou coccidicidas (5). Conclusão: A alta prevalência de Isospora sp. no criadouro de S. canaria analisada no estudo, atrelada a frequente ausência de sinais clínicos, evidencia o papel epidemiológico de Passeriformes como reservatórios silenciosos do protozoário. Dessa forma, ressalta-se a importância do manejo preventivo, que visa conter possíveis fatores de risco, mantendo a sanidade do ambiente e dos animais para evitar possíveis infecções.Downloads
Publicado
2026-03-01
Edição
Seção
Resumo Cientifico
