MANEJO GERIÁTRICO DE UM INDIVÍDUO DE RAPOSA-VOADORA (Pteropus vampyrus) SOB CUIDADOS HUMANOS
Palavras-chave:
Joint disease, Bat, Complementary therapiesResumo
O avanço dos cuidados com animais mantidos sob cuidados humanos vem acarretando o aumento da longevidade desses animais e, com isso, alterações crônicas físicas e mentais podem ser observadas. Essas alterações podem afetar o bem estar do indivíduo, necessitando de cuidados especiais para cada caso específico (1). Uma fêmea de raposa voadora de aproximadamente 19 anos, vem sendo acompanhada nos últimos 2 anos após ter apresentado queda no recinto por doença articular degenerativa. Com exames radiográficos e tomografia neste período de 2 anos, foram confirmadas alterações em cotovelos, articulação escapuloumeral e femorotibiopatelar bilateral, cifose lombar e espondiloses por toda a coluna. Em manejos preventivos, faz-se acompanhamento de nódulos em ambas as adrenais por ultrassom e endocardiose no ecocardiograma, onde ambas as alterações se mantiveram estável. Durante esse período o indivíduo foi separado do grupo, alojado em um local menor para acompanhamento onde foi visto que ainda apresentava quedas. Após acompanhamento por um etograma, visto que as quedas aconteciam principalmente na movimentação de urinar e defecar, realizou-se adaptação do recinto para colocação de cordas de diversas alturas, onde permitia que ficasse apoiada na altura que se sentia mais confortável. O protocolo medicamentoso foi reformulado ao longo desses dois anos, consistindo atualmente em: dipirona 25mg/kg BID + cetoprofeno 0,5mg/kg SID + amitriptilina 1mg/kg SID + suplementação articular (Boswelia 8,6mg + UC2 1,72mg + Vit. K2 2,58mg + Manganes Quelato 1,72mg + Vit D3 86UI + Diacereina 1,72mg + Curcumina 5mg) SID. As terapias complementares realizadas para controle de dor são: laserterapia (luz vermelha e infravermelha 4 joules) 1 vez por semana, sessão de osteopatia semestral e aplicação de implante de ouro nos pontos VB20 (Feng-chi); B23 (Shenshu) e B40 (Weizhong). A avaliação de dor é acompanhada diariamente, onde é avaliado o consumo alimentar, postura na gaiola e comportamento. Quando apresenta alguma alteração nesses parâmetros, a necessidade de resgate analgésico é realizado com aumento pontual da dose de cetoprofeno (0,5 a 1mg/kg) ou administração de tramadol (2 a 5mg/kg). A longevidade de morcegos gigantes do gênero Pteropus mantidos sob cuidados humanos é de média de 20 anos (2), com doença articular degenerativa sendo bastante frequente em morcegos geriátricos, afetando principalmente articulações do quadril, joelho, interfalângicas e metacarpofalângicas (3,4). As dosagens das drogas utilizadas e as técnicas de terapias complementares para este caso foram extrapoladas da literatura conhecida de manejo de dor crônica em cães e gatos (5). Já para o indivíduo em questão foi necessário dessensibilizar ao toque para realizar alguns procedimentos, como a laserterapia e osteopatia, porém não foi permissivo para acupuntura, então a aplicação de implante de ouro em acupontos voltados para dores articulares foi realizada. Com o aumento de animais geriátricos ex-situ, se faz necessário manejos adaptados para cada alteração específica. A avaliação preventiva permite o diagnóstico e acompanhamento das alterações, possibilitando intervenções precocemente, melhorando sua qualidade de vida e servindo como modelo para casos semelhantes.Downloads
Publicado
2026-03-01
Edição
Seção
Relato de Caso
