SARCOMA FUSOCELULAR DE PARTES MOLES EM HAMSTER SÍRIO (Mesocricetus auratus): RELATO DE CASO.

Autores

  • Yuri dellape lima
  • Fabiano Rocha Prazeres Júnior
  • Amanda de Carvalho Moreira
  • Nayadjala Távita Alves dos Santos
  • Maxsuel Pedro dos Santos Lima
  • Ana Carolina Pontes de Miranda Maranhão
  • Vitor Fernando Mendes Malta
  • Clarice Oliveira Cavalcante
  • Emily Raquel Gomes Fernandes Moreira

Palavras-chave:

Neoplasia, Patologia, Roedor

Resumo

Hamsters sírios (Mesocricetus auratus) são pequenos roedores amplamente criados como animais de companhia, destacando-se pelo comportamento dócil e fácil manejo, mas que, quando acometidos por alterações clínicas como massas cutâneas e subcutâneas, exigem abordagem diagnóstica criteriosa devido à diversidade de etiologias possíveis (1). Entre os principais diagnósticos diferenciais de massas em tecidos moles estão os abscessos, geralmente decorrentes de traumas, hérnias ventrais de origem congênita ou adquirida e as neoplasias, benignas ou malignas, que devem ser sempre consideradas na rotina clínica por seu potencial de comprometimento local e sistêmico (1). Neoplasias mesenquimais em hamsters são raramente relatadas, mas são reconhecidas como tumores de comportamento infiltrativo, crescimento rápido e, em alguns casos, capacidade metastática variável (2,4). Uma fêmea não castrada de hamster sírio, com 1 ano e 2 meses, foi encaminhada à clínica especializada apresentando histórico de apetite diminuído, dificuldade para locomoção e aumento progressivo de volume em região inguinal esquerda (figura 1). O exame físico evidenciou massa bem delimitada, firme, de aproximadamente 4 cm, localizada no subcutâneo inguinal do membro pélvico esquerdo, foi realizada a coleta de material para citologia por punção aspirativa por agulha fina e o resultado foi inconclusivo. Tendo em vista a velocidade da evolução do tumor, a paciente foi submetida a exérese cirúrgica sob anestesia inalatória, precedida por administração de cetamina, morfina e dexmedetomidina como medicação pré-anestésica e lidocaína infiltrativa na linha de incisão para bloqueio loco-regional. Durante o procedimento verificou-se que a massa encontrava-se intimamente aderida à musculatura do quadríceps e abdominal e continha grandes áreas císticas preenchidas por conteúdo hemorrágico, características que dificulataram a divulsão dos tecidos e remoção do tumor. Apesar da remoção completa da lesão e suporte anestésico adequado, a paciente evoluiu para parada cardiorrespiratória e óbito cerca de uma hora após o término do procedimento. A análise macroscópica revelou massa de 3,8 × 2,5 × 1,0 cm, de superfície lisa, coloração parda a esbranquiçada e consistência macia. O exame microscópico demonstrou neoplasia fusocelular maligna entremeada por áreas de necrose fibrino-hemorrágica, composta por células alongadas com moderada anisocitose e núcleos vesiculosos com anisocariose acentuada, além de 11 figuras mitóticas em 2,37 mm² (figura 2). O diagnóstico foi de sarcoma fusocelular de partes moles moderadamente diferenciado, com recomendação de imunoistoquímica para definição histogênica, uma vez que fibrossarcomas, neurofibrossarcomas e mixossarcomas compartilham características morfológicas semelhantes (2).

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Publicado

2026-03-01