Detecção de OOCISTOS DE Isospora sp. em Sporophila caerulescens DOMICILIADO NO MUNICÍPIO DE TERESINA-PI

Autores

  • NOELY MARTINS BRINGEL DE MORAIS
  • Denise Leal Silva
  • Letícia Maria do Nascimento de Sousa
  • Madalena Darling do Nascimento Gomes
  • Erika Maria Gadelha Santos
  • Ana Carolina Gomes de Azevedo Marques
  • Werner Rocha Albuquerque
  • Luanna Soares de Melo Evangelista

Palavras-chave:

Isosporose, Ave, Coleirinho

Resumo

INTRODUÇÃO: As infecções por coccídeos intestinais são comuns em aves. Dentre os protozoários envolvidos, destaca-se o gênero Isospora, com espécies descritas em passeriformes. Esses parasitos têm o ciclo monoxênico e sua transmissão ocorre por via fecal-oral, através da água ou alimentos contaminados com oocistos esporulados, podendo causar desde infecções subclínicas até quadros graves, dependendo da carga parasitária e do sistema imune de cada animal. Além disso, fatores como a idade, manejo nutricional e ambiental também pode facilitar a infecção (1). O objetivo desse trabalho foi descrever a ocorrência de oocistos de Isospora sp. em fezes de Sporophila caerulescens (coleirinho) criado como pet exótico no município de Teresina-PI. RELATO DO CASO: Em abril de 2025, durante uma avaliação de rotina, uma ave coleirinho de 10 anos de idade, domiciliada em Teresina, apresentava sinais de apatia, dispneia, penas eriçadas e fezes líquidas, sendo constatado escore corporal 2. Na realização do exame parasitológico de fezes por meio das técnicas de sedimentação espontânea e de flutuação, foram encontrados oocistos compatíveis com Isospora sp. (Apicomplexa: Eimeriidae), possivelmente da espécie Isospora sporophilae, específica de aves do gênero Sporophila (2). Ainda no início do tratamento, o animal veio à óbito. DISCUSSÃO: A ocorrência de isosporose é comum em aves, mas a manifestação clínica da doença depende de alguns fatores, como o estado de saúde do animal e a carga parasitária; a idade e os fatores nutricionais também são relevantes (1). A ave em questão além de apresentar sinais clínicos sugestivos de coccidioses, era idosa, condição que pode ter contribuído para o agravamento do quadro. Na literatura consultada, o diagnóstico é realizado por meio de exames coproparasitológicos, principalmente pela técnica de flutuação e a descrição do protozoário se baseia nas características biológicas e morfológicas dos oocistos (3), o que também foi realizado nesse caso em questão. Os exames parasitológicos de fezes são muito importantes para o diagnóstico das coccidioses em aves e a espécie do protozoário também pode ser confirmada por métodos moleculares (3). Estudos revelam, ainda, que um ambiente estressante e uma má nutrição podem comprometer o sistema imune desses animais, tornando-os mais suscetíveis às infecções e manifestações clínicas (1). No entanto, a ave do presente relato vivia sob manejo nutricional e ambiental adequados, mas provavelmente por ser um passeriforme de idade avançada, apresentou-se mais sensível à infecção. Com relação ao tratamento da isosporose em aves, recomenda-se o uso de coccidiostáticos como sulfonamidas, amprólio, nicarbazina, diclazuril e toltrazuril (4). No coleirinho deste relato, o protocolo terapêutico foi iniciado com diclazuril, mas o animal veio à óbito no segundo dia do tratamento. Vale destacar que o manejo sanitário tanto no criadouro como no domicílio deve ser prioridade para evitar a disseminação de parasitos. CONCLUSÃO: Conclui-se, baseado no relato e nos estudos recentes, sobre a importância da realização de exames parasitológicos de fezes em aves, visto que os dados colocam o coleirinho como um reservatório de Isospora sp., com implicações para a saúde animal, especialmente para os animais idosos.
 

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Publicado

2026-03-17