CARACTERIZAÇÃO PARASITOLÓGICA EM Didelphis albiventris DO DISTRITO FEDERAL

Autores

  • Natasha Ayete La Menza
  • Fernanda Marocolo Quintão
  • Júlia Eva Gontijo Soares
  • Karolina Vasconcelos Marim Zimerer
  • Jhenifer Suelen Salustiano Gisto
  • Dara Evely Vieira da Costa
  • Gino Chaves da Rocha
  • Liria Queiroz Luz Hirano

Palavras-chave:

Endoparasitas, Helminto fauna, Saruê

Resumo

O Didelphis albiventris, ou gambá-de-orelha-branca, é um marsupial de hábito noturno, onívoro e oportunista, com alta adaptabilidade a diferentes nichos ecológicos, entre eles o antrópico. Diversas espécies de parasitos foram previamente descritas em seu trato digestório, e sua proximidade com áreas urbanas o transforma em um potencial disseminador de doenças para animais silvestres, domésticos e seres humanos (1). O presente trabalho teve como objetivo fazer um levantamento retrospectivo de parasitos identificados em gambás-de-orelha-branca adultos, atendidos entre julho de 2013 a junho de 2023, no Distrito Federal. A partir dos prontuários médicos foram obtidos dados de sexo, motivo do atendimento, resultado de exame coproparasitológico, tratamento prescrito e desfecho do caso. Foram contabilizados 177 prontuários de pacientes da espécie estudada, dos quais 70 (70/177; 39,5%) tinham resultado de exame coproparasitológico, sendo 66 (66/70; 94,3%) positivos para endoparasitos de 21 espécies (Tabela 1). Cruzia sp. foi o táxon mais comum com detecção em 41 (41/66; 62,1%) indivíduos, seguido pelos gêneros Aspidodera (19/66; 28,7%) e Physaloptera (16/66; 24,2%). Dos animais positivos, 29 (29/66; 43,9%) apresentaram apenas um parasito. Em contrapartida, seis (6/66; 9%) animais hospedavam até cinco parasitos distintos. A casuística envolveu, principalmente, casos de fratura óssea e trauma cranioencefálico (43/66; 65,15%) e patologias associadas ao comprometimento de tecidos moles (19/66; 28,78%), como lacerações de pele, sepse e desidratação intensa. Indivíduos hígidos (4/66; 6,06%) representaram o grupo com menor índice de parasitismo. Mais da metade dos atendimentos de animais parasitados englobou espécimes com quadros graves que evoluíram para óbito (37/66; 56,06%), contudo, não foi possível associar a morte desses pacientes com a ação de parasitas. Dentre os animais positivos, 24 (24/66; 36,3%) foram submetidos a tratamento com um ou mais antiparasitários à base de albendazol (1/24; 4,16%), sulfaquinoxalina (1/24; 4,16%), nitazoxanida (1/24; 4,16%), cloridrato de levamisol (2/24; 8,33%), febantel (2/24; 8,33%), praziquantel (3/24; 12,5%), pirantel (4/24; 16,66%), febendazol (5/24; 20,83%), ivermectina (8/24; 33,33%) e mebendazol (11/24; 45,83%). Desses, 16 (16/24; 66,66%) indivíduos receberam alta médica e oito (8/24; 33,33%) foram a óbito. A prevalência de endoparasitos em D. albiventris está intimamente ligada a seus hábitos alimentares oportunistas e todos os parasitos diagnosticados no presente estudo tinham sido previamente descritos na espécie. As infecções estão relacionadas, principalmente, ao consumo de moluscos terrestres, como Didelphostrongylus hayesi, ou ingestão de insetos, como no caso do Turgida turgida (3). De modo geral, as pesquisas voltadas para essa temática relataram que os helmintos e protozoários mais comuns na espécie são Physaloptera sp., Sarcocystis sp. e Cruzia tentaculata, que se apresentam com pouca importância clínica (5). A interação entre fauna, ambiente e parasitos reflete um estado de equilíbrio ecológico, sustentado por processos adaptativos do hospedeiro, porém, em situações de comprometimento imunológico, faz-se necessário avaliar a necessidade da redução ou controle da fauna parasitária, a fim de evitar agravamento clínico (2, 4). Os resultados do presente estudo apresentaram parasitas ocorrentes em D. albiventris do Distrito Federal e fornecem informações relevantes sobre aspectos sanitários da espécie.

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Publicado

2026-03-18