ALTERAÇÕES LABORATORIAIS EM AVES COM TRAUMA MEDULAR
Palavras-chave:
Bioquímico, hemograma, leucogramaResumo
Afecções traumáticas estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade de aves e, nesse sentido, os exames laboratoriais podem ser importantes marcadores de prognóstico (1). O objetivo deste estudo foi descrever alterações laboratoriais de aves com trauma medular. Foi conduzido um estudo retrospectivo de 10 anos, a partir da ata de atendimentos e de prontuários médicos veterinários, com seleção de registros que apontavam presença de lesões em coluna vertebral. Foram selecionados 39 casos de aves com trauma medular, de 21 espécies e 15 ordens. O frango-d’água (Porphyrio martinicus) (6/39; 15,4%) foi a espécie mais frequente da análise. Em relação ao sexo, os machos (22/39; 56,41%) foram mais prevalentes do que as fêmeas (11/39, 28,20%), com 6 (6/39, 15,38%) indivíduos sem determinação do sexo. Além disso, houve uma predominância de indivíduos adultos (28/39; 71,79%). Onze (11/39; 28,2%) aves foram eutanasiadas em decorrência do prognóstico e do comprometimento irreversível da qualidade de vida, enquanto 28 (28/39; 71,8%) foram a óbito naturalmente, em média e desvio padrão de 4 ± 9,9 dias após o recebimento. Dentre os prontuários selecionados, apenas dez (10/39; 25,64%) possuíam resultados de hemograma e oito (8/10, 80%) de bioquímica sérica. As alterações mais comuns no hemograma foram anemia não regenerativa (8/10, 80%) e a linfopenia (4/10, 40%) (Tabela 1). Injúrias traumáticas medulares podem desencadear alterações hematológicas, como leucopenia, neutrofilia e depressão da resposta imune. Além disso, o estresse e a dor associados ao trauma podem desencadear alterações no hemograma (2, 3). Nas análises de bioquímica sérica, as alterações mais comuns foram aumento nas atividades das enzimas aspartato aminotransferase (AST) (6/8, 75%), da enzima creatinofosfoquinase (CK) (3/4, 75%) e na dosagem de fósforo (4/6, 66,6%) (Tabela 2). O aumento desses componentes pode estar associado às lesões musculares decorrentes do trauma e da inflamação, uma vez que o aumento da atividade de AST pode sugerir lesões hepáticas e musculares, enquanto o aumento da atividade de CK, enzima músculo-específica, indica lesões musculares e o aumento de fósforo pode estar relacionado a lesões nos túbulos renais que podem ser decorrentes de radicais livres liberados pela inflamação e fisiopatologia do estresse (4). Dessa forma, a avaliação dos parâmetros laboratoriais fornece informações relevantes sobre o estado geral da saúde do paciente e são ferramentas importantes na determinação de prognóstico e na escolha da conduta médica veterinária (4, 5).
