BLOQUEIO QUADRADO LOMBAR PARA OVARIOHISTERECTOMIA ELETIVA EM ORYCTOLAGUS CUNICULUS: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Analgesia, Anestesia regional, CoelhoResumo
O bloqueio quadrado lombar (BQL) guiado por ultrassonografia consiste na injeção do anestésico local no plano interfascial entre os músculos quadrado lombar e psoas maior, com foco na dessensibilização das raízes ventrais dos nervos toracolombares e no tronco simpático (1, 2). Objetivou-se avaliar a eficácia do BQL na ovariosalpingohisterectomia eletiva em coelhas. Nas coelhas 1 (C1) e 2 (C2), foi realizada medicação pré-anestésica (MPA) com midazolam (1,5 mg/kg), dexmedetomidina (5 µg/kg) e metadona (0,5 mg/kg), administrados por via intramuscular (IM). Em C3 utilizou-se o mesmo protocolo, acrescido de cetamina (2 mg/kg, IM). A indução anestésica por via intravenosa (IV) foi realizada com propofol (4 mg/kg) e lidocaína (1 mg/kg) em C1; propofol (4 mg/kg IV), cetamina (1 mg/kg IV) e fentanil (5 µg/kg) em C2; e propofol (5 mg/kg) e cetamina (1 mg/kg) em C3. Após tricotomia e antissepsia da região toracolombar caudal à 12° costela de ambos os antímeros do corpo do animal, foi utilizado um aparelho de ultrassom portátil para realizar o BQL com bupivacaína (2 mg/kg) e dexametasona (0,5 mg/kg em C1 e C2; e 0,1 mg/kg em C3), com o volume final dividido igualmente entre os dois antímeros. A manutenção anestésica foi realizada com infusão contínua IV de propofol (0,3 a 0,8 mg/kg/min) associada à cetamina (1 mg/kg/h) em C1; propofol (0,5 a 1 mg/kg/min), lidocaína (3 mg/kg) e fentanil (2 a 8 µg/kg/h) em C2; e fentanil (5 µg/kg/h), associado à anestesia inalatória com isoflurano, via tubo endotraqueal 2,5, em C3. Para todos os animais, observou-se estabilidade dos parâmetros fisiológicos durante o transoperatório (Gráfico 1) e ausência de respostas autonômicas frente aos estímulos nociceptivos, o que se traduziu em recuperação anestésica rápida (Tabela 1). Além disso, após as cirurgias, nenhum animal apresentou desconforto à palpação abdominal. O emprego do BQL se mostrou vantajoso por reduzir a demanda de opioides, que podem comprometer a motilidade intestinal, bem como deprimir a função respiratória em coelhos (1). A bupivacaína foi escolhida por sua longa duração de 3 a 6 horas, associada à dexametasona, que prolonga o tempo de duração do bloqueio e reduz a inflamação neural, diminuindo a necessidade de usar opioides no pós-operatório (2, 3). O BQL exige conhecimento detalhado da anatomia dos músculos hipaxiais lombares e de suas fáscias (4), sendo a ultrassonografia um recurso indispensável para a correta identificação do plano interfacial e condução da agulha pela musculatura (5). Na percepção da equipe anestésica, a técnica do BQL possui dificuldade moderada a alta, por envolver conhecimento anestésico, ultrassonográfico e anatômico, além de exigir precisão na deposição do anestésico local entre as fáscias lombares. Contudo, com a aquisição de prática, o bloqueio pode ser realizado em aproximadamente 10 minutos, para ambos os lados. A associação do bloqueio quadrado lombar aos diferentes protocolos anestésicos avaliados promoveu estabilidade fisiológica e ausência de respostas nociceptivas durante a ovariosalpingohisterectomia em coelhos.
