BLOQUEIO GIN-TONIC em Oryctolagus cuniculus PARA AMPUTAÇÃO DE FALANGE
Palavras-chave:
Anestesia regional, coelho, ultrassomResumo
A técnica de anestesia regional interfascial combina o bloqueio do plano da Grande Incisura Isquiática (GIN), que promove o bloqueio do tronco lombossacral, e o bloqueio Quadrado Lombar Caudal (C-QLB ou TONIC), o qual bloqueia os nervos do plexo lombar, ambos guiados por ultrassom (1, 2). O presente relato descreve o uso do bloqueio GIN-TONIC como parte do protocolo anestésico multimodal em um coelho (Oryctolagus cuniculus) submetido à amputação de falange. Uma fêmea, de 6 anos, foi atendida com um nódulo em falange, diagnosticado na citologia como carcinoma de células escamosas, sendo indicada a amputação de falange. O animal foi pré-medicado com midazolam (1mg/kg), cetamina (5mg/kg), metadona (1mg/kg) e dexmedetomidina (5mcg/kg), todos por via intramuscular. Após relaxamento do animal, foi realizado acesso venoso e posterior indução com propofol (5mg/kg) e lidocaína (1mg/kg), pela via intravenosa (IV). Prosseguiu-se com a realização do bloqueio GIN-TONIC, com bupivacaína (2mg/kg) associada à dexametasona (0,5mg/kg), com auxílio de uma probe linear de 12MHz e cateter 24G. No bloqueio GIN, utilizou-se um transdutor posicionado sobre o íleo direito, cranial ao trocanter maior, para identificação dos vasos glúteos, e no bloqueio TONIC, o transdutor foi posicionado paralelo à crista ilíaca para localizar o processo transverso da sexta vértebra lombar e os músculos sublombares adjacentes, guiando a agulha pelo plano lateral ao músculo quadrado lombar, assim como demonstrado na Figura 1 (3). A manutenção anestésica foi realizada com propofol 0,4mg/kg/min IV e lidocaína 1,4mg/kg/h IV. A monitorização dos parâmetros fisiológicos está representada no Gráfico 1. Não foram observados sinais compatíveis com resposta nociceptiva durante o procedimento, que durou 20 minutos. O animal se recuperou bem do procedimento anestésico, e não demonstrou sinais de dor no membro por pelo menos 6 horas. As doses indicadas de propofol para lagomorfos é de 0,8 a 1 mg/kg/min para manutenção anestésica (4), o dobro da utilizada no presente caso, o que indica que o bloqueio locorregional contribuiu significativamente para a redução da demanda de anestésicos gerais, o que favorece manutenção do plano, bem como da estabilidade hemodinâmica. Cães submetidos ao bloqueio GIN-TONIC necessitaram de doses mais baixas de propofol para indução anestésica, com manutenção dos valores de frequência cardíaca dentro do intervalo de referência fisiológica (1). No coelho deste relato, foi realizada indução anestésica prévia à realização do bloqueio, para evitar excitabilidade do animal. A eficácia do bloqueio foi demonstrada pela ausência de respostas autonômicas aos estímulos nociceptivos durante o procedimento, resultado compatível com os achados de um estudo prévio em coelho (3) e também em cães (1, 2), que registraram antinocicepção intraoperatória com preservação da função motora dos membros pélvicos. Esses achados reforçam a aplicabilidade e eficiência da técnica em lagomorfos submetidos a cirurgias ortopédicas de membros pélvicos, demonstrando que sua inclusão em um protocolo anestésico multimodal proporcionou analgesia perianestésica eficaz, reduziu a necessidade de anestésicos gerais e preservou a função hemodinâmica, assim como manteve a função muscular tônica no pós-operatório.
