PENECTOMIA EM Rattus norvegicus: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Cirurgia, Neoplasia, UretropexiaResumo
Tumores cutaneos em Rattus novergicus, podem apresentar caráter agressivo e ulcerativo (1). Este trabalho teve como objetivo descrever a exerese cirúrgica de uma massa nodular em região escrotopeniana direita, ulcerada, com dimensão aproximada de 3 cm de diâmetro, associada à penectomia e uretropexia em um rato de 2 anos e 420g. Em análise de citologia aspirativa foi apontada presença de neoplasia de origem folicular (tricoepitelioma ou pilomatricoma), com indicação de exérese cirúrgica. A anestesia foi realizada com a administração intramuscular de metadona (1 mg/kg), dexmedetomidina (5 µg/kg), cetamina (5 mg/kg) e midazolam (2 mg/kg), associada ao bloqueio peridural lombossacral (L7-S1) com bupivacaína (2 mg/kg) (2), e indução e manutenção com isoflurano através de intubação com sonda endotraqueal n° 5. O animal foi posicionado em decúbito dorsal para tricotomia e antissepsia. Foi inserida uma sonda uretral retrógrada (nº 4), a partir da extremidade da uretra peniana, que ao progredir, emergiu pela abertura ulcerada da massa, o que sinalizou rompimento da uretra. Foi realizada incisão de pele e divulsão do subcutâneo ao redor de toda a massa neoplásica. O tecido peritumoral apresentava vascularização intensa, o que promoveu intensa hemorragia, controlada com compressão com gaze estéril e ligamento de vasos com fio absorvível. Após divulsão da massa na região de escroto, foi dado prosseguimento à penectomia, com avulsão da pele que recobria o pênis. Nessa etapa, foi utilizado um bisturi elétrico em modo blend (potência 5,0 W), para reduzir sangramento e inflamação tecidual (3). A ressecção peniana foi realizada em bloco ao redor da uretra, cuja abertura foi preservada com a sonda uretral. Foi realizada a excisão completa da massa neoplásica, com o intuito de minimizar o risco de disseminação tumoral (3). Para a uretropexia, a parte flexível de um catéter 24G foi usado como guia. Realizou-se incisão longitudinal da parede ventral da uretra, de aproximadamente 0,2 cm, com abertura do orifício a partir de sua fixação na pele, ao longo de toda a borda uretral, com pontos simples separados e fio ácido poliglicólico 5-0, de forma a evitar estenose e retrusão uretral (4). A pele da região do escroto foi suturada com pontos Wolf (fio nylon 4-0). O animal foi mantido no trans-cirúrgico em fluidoterapia com Ringer Lactato (5 mL/kg/h) e monitoramento constante de parâmetros fisiológicos. No pós-operatório imediato, o animal apresentou micção e alimentação espontâneas, recebendo dipirona (40 mg/kg, IM), meloxicam (1 mg/kg, SC) e enrofloxacina (5 mg/kg IM). Contudo, cerca de cinco horas após finalizada a cirurgia, o paciente apresentou dispneia e pulso fraco, necessitando de suporte com efedrina (1 mg/kg IV) e noradrenalina em infusão contínua (0,1 µg/kg/min). Apesar da melhora transitória, o quadro evoluiu para parada cardiorrespiratória e óbito. Embora o desfecho tenha sido desfavorável, este relato é relevante por não haver descrição prévia da penectomia associada à uretropexia em pequenos roedores. Apesar do desafio imposto pelo porte reduzido da espécie, a técnica se mostrou exequível, com micção espontânea no pós-operatório imediato.
