CORRELAÇÕES ENTRE VOLUME TESTICULAR, ESTEROIDOGÊNESE E PRODUÇÃO SEMINAL EM DIFERENTES ESPÉCIES DE JARARACA
Palavras-chave:
Reprodução, Viperidae, SerpentesResumo
As serpentes do gênero Bothrops apresentam uma grande relevância para a saúde publica, uma vez que 69,51% dos 29.543 registros de mordidas de serpentes registrados anualmente no Brasil são delas (1). Estudos prévios indicam que muitas espécies de serpentes apresentam padrões sazonais de espermatogênese e flutuações hormonais (2 e 3) mas essas características podem variar amplamente entre espécies, populações e o bioma de origem desses indivíduos. Este estudo teve como objetivo avaliar a correlação entre o volume testicular, a produção espermática e os níveis circulantes de testosterona em cinco diferentes espécies do gênero Bothrops; B. moojeni (BM), B.jararacussu (BJS), B.jararaca (BJ), B. leucurus (Bl) e B.atrox (BAX). As espécies selecionadas para este estudo apresentam uma ampla distribuição por todo o território brasileiro e são frequentemente mantidas em instituições de pesquisa e centros de conservação, para o desenvolvimento de estratégias de manejo reprodutivo, principalmente voltada para a produção de soro antiofídico, em serpentes peçonhentas (4). Machos adultos de cada uma das espécies analisadas, foram avaliados trimestralmente durante um período de 12 meses, totalizando quatro coletas por indivíduo, uma para cada estação do ano. Durante cada coleta, foram registrados o volume testicular (por mensuração ultrassonográfica), parâmetros seminais (amostras seminais obtidas por massagem crânio-caudal cloacal) e os níveis plasmáticos de testosterona (mensurados via testes imunoenzimáticos). A análise revelou que existem variações perceptíveis nos níveis de testosterona, volume testicular e concentração espermática ao longo do ano. A partir de análises estatísticas, observou-se correlações positivas significativas entre o volume testicular e a testosterona plasmáticas para as espécies BAX (r = 0,76; p = 0,03) a BJ (r = 0,67; p = 0,03). Paralelamente, observou-se correlações positivas entre volume testicular e concentração espermática nas espécies BJS (r = 0,74; p = 0,02) e BJ (r = 0,82; p = 0,01) (Figura 1). Esses achados demonstram que dependendo da espécie o volume testicular em jararacas pode atuar como um preditor da atividade endócrina ou da produção espermática. Essas sincronias ou assincronias entre as atividades esteroidogênica e espermatogênica são possivelmente consequência da evolução das estratégias reprodutivas adotadas por essas espécies frente as diferentes oscilações ambientais e na oferta de alimentos dos biomas em que as mesmas se encontram. A compreensão de como o volume testicular se correlaciona com características endócrinas ou seminais podem guiar manejos de planteis sob cuidados humanos com o objetivo de maximizar a eficiência reprodutiva.
