USO DA MEDICINA INTEGRATIVA PARA TRATAMENTO DE CIFOESCOLIOSE EM JACARÉ-DO-PANTANAL (Caiman yacare)

Autores

  • Beatriz Rosa Cravo
  • Laura Reisfeld
  • Paloma Canedo
  • Jordana Barros
  • Islene Santos

Palavras-chave:

Acupuntura, Deformidade, Répteis

Resumo

Introdução: As deformidades da coluna vertebral, como hipercifose e escoliose, são condições estruturais que afetam diversos grupos animais, incluindo répteis como o jacaré-do-pantanal (Caiman yacare). Estas alterações podem ter origem congênita, traumática, metabólica, ambiental ou idiopática, e resultar em dor, limitação de mobilidade, atrofia muscular e comprometimento da qualidade de vida (1). Diante disso, a medicina integrativa tem ganhado espaço como abordagem complementar na medicina veterinária, ao combinar técnicas terapêuticas menos invasivas e com potencial analgésico, anti-inflamatório e de reequilíbrio energético (2). O presente trabalho tem como objetivo relatar a eficácia terapêutica da medicina integrativa no tratamento de cifoescoliose em um exemplar de Caiman yacare. Relato de Caso: Um indivíduo macho, adulto, albino, da espécie jacaré-do-pantanal, apresentou uma sutil deformidade de coluna vertebral em 2007, enquanto ainda era juvenil, que foi se tornando mais evidente conforme seu crescimento. No exame radiográfico foi diagnosticado hipercifose e escoliose na coluna toracolombar, com alteração morfológica de corpos vertebrais. A partir de 2009, observou-se progressão clínica do quadro, com piora da locomoção, hiporexia, diminuição da sensibilidade, déficit proprioceptivo e paresia membros pélvicos. Iniciou-se então um protocolo terapêutico com sessões semanais de acupuntura, moxabustão, laserterapia e terapia nutracêutica. Durante as sessões, devido ao seu comportamento tranquilo, o animal é fisicamente contido apenas no momento do transporte e permanece com a boca segura com uma fita de PVC. Os acupontos selecionados variam a cada sessão, com combinação rotativa entre F3, VB34, B60, B23, VG20, E36, R3, VG4 e Ba Feng, por meio de agulhamento simples (Tabela 1). A fototerapia é realizada alternada com a acupuntura, nos mesmos pontos e ao longo de toda a coluna vertebral, com a aplicação da luz IV + V na dose de 8 Joules. A aplicação de calor terapêutico sobre os acupontos e o dorso do animal é realizada pelas técnicas de moxabustão. Complementa-se o tratamento com suplementação diária contendo Condroitina, Glucosamina, Colágeno, metilsulfonilmetano (MSM), Curcumina, Boswelia serrata, Diacereína e Semente de uva. Desde o início do tratamento, observou-se melhora significativa no quadro clínico, o animal retomou padrões normais de alimentação e comportamento e passou a se locomover e nadar com maior frequência e facilidade. Discussão: As diversas adaptações fisiológicas e comportamentais dos répteis tornam difícil e desafiadora a avaliação de dor nestes pacientes. Ainda assim, os pesquisadores concordam em alguns conceitos gerais sobre o comportamento da dor em répteis, como a redução da ingestão alimentar, do padrão de atividade e da interação com o ambiente (3,4), sinais que foram compatíveis com os observados no caso relatado. Os resultados obtidos demonstram a eficácia da medicina integrativa no controle da dor, especialmente de origem musculoesquelética. Nesse sentido, as técnicas integrativas se destacam como importantes ferramentas da analgesia multimodal, essenciais para reduzir a utilização de fármacos alopáticos e, consequentemente, seus efeitos adversos ao organismo (5). Conclusão: A combinação das técnicas de medicina integrativa tem se mostrado eficaz, promovendo uma resposta terapêutica satisfatória que contribui para a melhora do bem-estar e qualidade de vida do indivíduo, especialmente considerando o caráter progressivo da condição. 

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Publicado

2026-03-18