ANEURISMA INTRAVAGINAL EM COELHO DOMÉSTICO (Oryctolagus cuniculus): RELATO DE CASO
Palavras-chave:
sistema reprodutor, lagomorfos, varicosidadesResumo
Aneurismas intravaginais são uma condição rara em coelhos e estão associadas a varicosidades no trato genital, principalmente em animais jovens (13 a 72 meses) (1). Essa condição é caracterizada pelo aumento da pressão e formação dos aneurismas. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de aneurisma intravaginal em coelho doméstico. Em novembro de 2024, deu entrada no Hospital Veterinário um coelho doméstico (Oryctolagus cuniculus), fêmea, com 5 meses de idade e pesando 1,7 kg. O animal, prenhe, apresentava um quadro clínico de prolapso vaginal e urina de coloração rósea. Ao exame ultrassonográfico, observou-se ausência de atividade cardíaca e movimento peristáltico intestinal dos fetos, o que atestava a presença de natimortos. A paciente foi submetida a ovário-salpingohisterectomia (OSH) terapêutica e correção do prolapso vaginal, permanecendo internada e recebendo antibioticoterapia (enrofloxacina, 10mg/kg, via oral, BID), analgésicos (tramadol, 7mg/kg, via oral, BID), e anti-inflamatórios (dipirona, 30mg/kg, via oral, BID; meloxicam 0,3mg/kg, via oral, BID). O animal veio a óbito no terceiro dia de internamento e encaminhado à necropsia. Na avaliação macroscópica foi observado edema e sangue em região vulvar, além de uma palidez difusa e acentuada das mucosas. Durante a abertura e avaliação da mucosa vaginal observou-se uma estrutura nodular medindo aproximadamente 1 cm de diâmetro, vermelho-escura, pedunculada e de consistência macia, que projetava-se da parede, obstruindo o lúmen vaginal (Figura 1). Uma estrutura semelhante, de menor tamanho, infiltrava e distendia a parede vaginal na região do istmo vaginal, próximo ao coto uterino. A análise microscópica revelou que as massas intravaginais tratavam-se de aneurismas intravaginais massivos (Figura 2), revestido por uma fina camada de endotélio, associados a linfócitos e neutrófilos. O órgão também apresentava hiperplasia da mucosa vaginal associado a uma acentuada e difusa ectasia e congestão vascular. O útero possuía hiperplasia endometrial acentuada, endometrite linfohistiocítica, acentuada e difusa associada a ectasia, congestão acentuada e múltiplos aneurismas. Aneurismas intravaginais são uma condição puerperal rara reportadas em humanos e coelhos (1, 2). Em cadelas e éguas já foram reportados varicosidade e ectasia vascular uterina, associado a hematometra (1, 3, 5). Em um estudo retrospectivo sobre doenças do trato genital em coelhas (4), 19 de 1.006 fêmeas (1,89%) foram diagnosticadas com aneurisma venoso endometrial, enquanto apenas um caso (0,099%) apresentava múltiplos aneurismas venosos na parede da vagina simultaneamente com aneurismas venosos endometriais. Em humanos as varicosidades vaginais são causadas pela compressão da veia cava inferior e diminuição do retorno venoso devido a gravidez (1). O caso presente sugere que a condição pode ter levado o animal a uma anemia severa e fatal. A ultrassonografia abdominal e exame de hematócrito são fundamentais no diagnóstico clínico da condição. O prognóstico é reservado. OSH, vaginectomia parcial e transfusão sanguínea são recomendados em caso de hematoma intravaginal. A presença de sinais clínicos como prolapso vaginal, hematúria, distensão abdominal, fetos natimortos e alterações ultrassonográficas compatíveis com massas intravaginais ou uterinas devem levantar a suspeita dessa afecção, sobretudo em animais jovens. Esta condição deve ser considerada como diagnóstico diferencial em coelhas com alterações reprodutivas associadas a sinais de anemia.
