CASUÍSTICA CIRÚRGICA DE COELHOS (Oryctolagus cuniculus) EM UM HOSPITAL-ESCOLA VETERINÁRIO

Autores

  • Raquel Emanuela Pereira Gonçalves
  • Denise Pereira Gomes Figueiredo
  • Ana Beatriz Cortes Lemos
  • Dara Evely Vieira da Costa
  • Ana Maria Barros Marques
  • Nanci Sousa Nilo Bahia Diniz
  • Priscilla Pimentel de Freitas
  • Liria Queiroz Luz Hirano

Palavras-chave:

Cirurgia, Lagomorfos, Mortalidade

Resumo

O aumento na criação de pets não convencionais (PNC) no Brasil tem impulsionado a demanda por atendimento veterinário especializado (1). Apesar da expansão do mercado, os dados sobre a casuística cirúrgica desses animais ainda são limitados. Entre 2018 e 2019, os coelhos representaram 72,2% dos atendimentos a PNC de uma instituição do Distrito Federal, o que demonstra a importância dessa espécie na rotina hospitalar especializada (2). O objetivo deste estudo foi descrever a casuística cirúrgica de coelhos em um hospital-escola, a fim de ampliar o conhecimento sobre a demanda de atendimentos à espécie. Foi realizado um levantamento retrospectivo de cirurgias realizadas em coelhos entre os anos de 2014 e 2024, por meio de atas e prontuários médicos. As informações compiladas incluíram o ano de atendimento, sexo, idade, diagnóstico e tipo de procedimento cirúrgico. Foram registradas 186 cirurgias em coelhos, sendo 113 (60,75%) machos, 70 (37,63%) fêmeas e três (1,61%) sem identificação de sexo, com idade entre 4 meses e 11 anos. Dentre os procedimentos realizados, destacaram-se as orquiectomias eletivas (71/186; 38,17%), o que pode ser reflexo da alta prolificidade da espécie, de forma que a esterilizão cirúrgica é a principal opção de controle reprodutivo para lagomorfos, além de auxiliar na mitigação de comportamentos indesejados, como a marcação de território e a agressividade, mais predominantes em machos (3). Nesse mesmo sentido, a ovariossalpingohisterectomia (42/186; 22,58%) foi o segundo procedimento mais frequente, pois além de impedir a prenhez, ela também coibe casos de pseudociese, neoplasias uterinas, piometra e auxilia na modulação de alguns distúrbios comportamentais (4). Dentro dos procedimentos terapêuticos, destacou-se o desgaste dentário com 22 casos (22/186; 11,83%). O hipercrescimento dentário em coelhos está frequentemente relacionado a falhas na alimentação. Esses animais possuem dentição elodonte, caracterizada pelo crescimento contínuo dos dentes, sendo necessário oferecer uma dieta rica em matéria seca, como o feno, para garantir o desgaste dentário adequado (4). A taxa de mortalidade do estudo foi de 2,15% (4/186) e ocorreu durante o trans-operatório ou pós-operatório imediato. Essa frequência foi próxima à relatada na literatura (5), de 2,05% em coelhos. A maior parte dos óbitos foi relacionada a causas multifatoriais como estado clínico grave, avanço da afecção ou complexidade cirúrgica. Estudos retrospectivos contribuem para identificar afecções mais frequentes e orientar a capacitação profissional de acordo com a demanda de cada espécie. Durante o período analisado, houve variedade de intervenções eletivas e terapêuticas o que evidenciou a complexidade do manejo desses pacientes e a relevância de serviços especializados.

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Publicado

2026-03-18