INSUFICIÊNCIA MITRAL EM MARIANINHA-DE-CABEÇA-AMARELA (Pionites leucogaster): ACHADOS CLÍNICOS, RADIOGRÁFICOS E ECOCARDIOGRÁFICOS

Autores

  • Ana Clara Fernandes Gomes
  • Nathalia Aline Luz Rodrigues
  • Ana Carolina Monteiro Miranda Grolla
  • Caio Eduardo Okamoto Tardivo
  • Renato Ordones Baptista da Luz
  • Bárbara Ferraz Antoniassi
  • Mariana Castilho Martins
  • André Luiz Mota da Costa

Palavras-chave:

Cardiopatia, ecocardiograma, psitacídeos

Resumo

           A elevada taxa metabólica das aves exige um sistema cardiovascular de alto desempenho, caracterizado pela frequência cardíaca, pressão arterial e débito cardíaco superiores aos observados em mamíferos (1). No passado, as cardiopatias em aves eram subdiagnosticadas, sendo muitas vezes identificadas durante o exame post mortem (2). No entanto, com os avanços na medicina de animais silvestres, exames de imagem como a radiografia, a ecocardiografia e o eletrocardiograma foram incluídos na rotina clínica, possibilitando o diagnóstico ante mortem de inúmeras afecções (3). Neste contexto, o presente trabalho relata os achados clínicos, ecocardiográficos e radiográficos de um caso de insuficiência de valva mitral em uma marianinha-de-cabeça-amarela (Pionites leucogaster). Uma fêmea adulta foi encaminhada ao setor veterinário com histórico de dispneia acentuada e intolerância ao exercício. Ao exame físico, apresentava taquicardia intensa, o que impossibilitou a avaliação das bulhas cardíacas, além de taquipneia e dispneia expiratória marcantes. No exame radiográfico de cavidade celomática (Figura 1), nas projeções ventrodorsal e laterolateral, observou-se perda das definições da silhueta cardiohepática, compressão de sacos aéreos torácicos e abdominais e aumento generalizado da radiopacidade pulmonar, sugestivo de edema pulmonar. No exame ecocardiográfico (Figura 2), evidenciou-se insuficiência mitral de grau importante, associada ao remodelamento das câmaras cardíacas esquerdas e repercussões hemodinâmicas. A valva mitral apresentava morfologia heterogênea, contornos irregulares e presença de flail no folheto septal, achados compatíveis com processo degenerativo. O estudo com Doppler demonstrou fluxo sistólico turbulento em átrio esquerdo. Com base nos achados, instituiu-se terapia com pimobendan (5 mg/kg, VO, BID), enalapril (0,3 mg/kg, VO, SID) e furosemida (0,1 mg/kg, IM, BID), uso contínuo. Três semanas após o início do tratamento, observou-se melhora clínica significativa, o paciente apresentou redução da dispneia e do esforço respiratório, o que indicou resposta terapêutica positiva. Assim, a abordagem diagnóstica multimodal constitui uma estratégia essencial para a identificação acurada de enfermidades de origem cardíaca ou sistêmica (4). Posto isso, a frequência cardíaca elevada das aves dificulta ou impossibilita a auscultação precisa e, embora seja um método diagnóstico acessível, o exame radiográfico fornece informações limitadas sobre a dimensão cardíaca (3). Portanto, o ecocardiograma é uma ferramenta indispensável no diagnóstico de cardiopatias, já que permite as avaliações morfológica e funcional do coração (5). Apesar dos avanços na compreensão clínica e diagnóstica dessas afecções, as informações referentes ao tratamento ainda são limitadas, e os protocolos terapêuticos empregados são extrapolados de outras espécies (2). Comumente, o tratamento limita-se ao manejo de suporte, com o objetivo de preservar a qualidade de vida e prolongar a expectativa de sobrevivência (1). Em síntese, observam-se evidências de que a terapêutica instituída foi eficaz, promovendo melhora do estado clínico do paciente. Contudo, a realização de ecocardiograma de controle é imprescindível para confirmação diagnóstica. Apesar de ser uma área em expansão, ainda há escassez de estudos sobre doenças cardiovasculares em aves, a definição de parâmetros fisiológicos específicos para cada espécie e terapêutica mais adequada para cada caso.
 

Downloads

Publicado

2026-03-18