RECAPTURA DE TARTARUGAS MARINHAS COMO VALIDADOR DO SUCESSO DE REABILITAÇÃO
Palavras-chave:
centro de reabilitação, conservação, tartaruga verdeResumo
A alta de tratamento de uma tartaruga marinha reabilitada se baseia na avaliação clínica dos veterinários e nos resultados dos exames laboratoriais. Confirmar o sucesso da reabilitação, depende do monitoramento, indicando que, de fato, os animais retornaram ao seu ciclo biológico. Para avaliar o sucesso da reintrodução das tartarugas reabilitadas no litoral norte de SP, analisamos as recapturas dos animais reabilitados entre 1998 a 2024. As tartarugas atendidas foram resgatadas de capturas incidentais na pesca ou encontradas encalhadas nas praias (SISBIO n° 42760-25). A partir de 2015, o atendimento de encalhes de praia passou a integrar o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BS), condicionante de licenciamento ambiental federal do Ibama, executada pela Petrobras na Bacia de Santos. As tartarugas reabilitadas foram identificadas com marcas de aço inoxidável. Quando reencontradas vivas, foram avaliadas em campo, tiveram dados biométricos coletados, sendo imediatamente devolvidas ao mar. Tartarugas que necessitaram de cuidados foram novamente encaminhadas para reabilitação e indivíduos encontrados mortos foram submetidos a exames necroscópicos. Os dados de recapturas foram extraídos do Sistema de Informações da Fundação Projeto Tamar (SITAMAR), enquanto dados clínicos e necroscópicos foram obtidos dos prontuários de cada animal. O sucesso da reabilitação considerou a condição dos animais reencontrados e o intervalo de tempo das recapturas. Foram considerados casos de sucesso animais recapturados saudáveis e animais encaminhados para reabilitação, ou encontrados mortos, por motivos diferentes do primeiro tratamento. Foram classificados como insucesso os casos de animais recapturados em períodos inferiores a 30 dias pós-soltura, vivos ou mortos, que apresentavam os mesmos problemas do primeiro tratamento. Foram reabilitadas e devolvidas ao mar 1.056 tartarugas verdes (Chelonia mydas), sendo recapturados 167 indivíduos (15,80%). Entre esses, 97% (N = 162) foram classificados como casos de sucesso, sendo 63 animais vivos e saudáveis, 43 debilitados (novas afecções) e 56 mortos (novas afecções). Casos de insucesso representaram 3% (N = 5), sendo 3 animais debilitados e 2 mortos (Figura 1). Os intervalos de recapturas variaram de um a 4202 dias (11,5 anos), a maioria concentrada nos primeiros 12 meses (Figura 2). 66,5% das recapturas foram registradas na mesma praia da soltura, ou em áreas adjacentes, enquanto as demais (33,5%), foram encontradas em outras praias do município. Um único indivíduo foi encontrado no Espírito Santo. Embora a taxa de sucesso tenha sido bem alta (97%), a taxa de recapturas com novos problemas também foi alta, evidenciando que mesmo após reabilitadas, as tartarugas seguem expostas a inúmeras ameaças. A distribuição dos intervalos de recapturas se assemelha ao observado em estudos com tartarugas saudáveis (1). A permanência das tartarugas na região onde foram soltas corrobora com estudos que evidenciam a fidelidade dos juvenis desta espécie às áreas de alimentação (2). A reabilitação das tartarugas marinhas representa uma nova chance para cumprirem seu papel biológico e contribui com valiosas informações sobre a saúde e patologias desses animais, que ajudam a subsidiar as tomadas de decisões no âmbito dos programas de conservação. Recapturas de tartarugas marinhas podem servir como importantes validadores da eficiência do tratamento aplicado em animais reabilitados.
