FICHA DE ACOMPANHAMENTO FISIOTERAPÊUTICO PARA AVES E MAMÍFEROS SILVESTRES

Autores

  • Priscilla Pimentel de Freitas
  • Juliana Dias Silveira
  • Milena Pereira Barreto
  • Natasha Ayete La Menza
  • Julia Eva Gontijo Soares
  • Sofia Silva La Rocca de Freitas
  • Elda Ely Gomes de Souza
  • Líria Queiroz Luz Hirano

Palavras-chave:

Avaliação, Documentação, Reabilitação

Resumo

A fisioterapia tem ganhado espaço como ferramenta terapêutica complementar no manejo clínico e de reabilitação de animais silvestres, especialmente focados no retorno à natureza ou na melhoria da qualidade de vida sob cuidados humanos (1). Nesse cenário, é importante implementar fichas para registros, adaptadas a diferentes grupos taxonômicos, de modo a garantir a continuidade, individualização e precisão do tratamento, além de favorecer a comunicação entre profissionais (2). Apesar da relevância e do crescente emprego da fisioterapia na medicina de animais silvestres (3), ainda há poucas informações disponíveis acerca da padronização das técnicas. Além disso, não foram encontrados modelos de documentos para registro e acompanhamento do tratamento, o que motivou a elaboração do presente trabalho. Objetivou-se apresentar a proposta de fichas para avaliação fisioterapêutica de aves e mamíferos silvestres, com foco no planejamento do tratamento, monitorização da evolução clínica e tomada de decisões baseadas em evidências. A partir de modelos de fichas para outras espécies (2) e experiências dos autores, foram desenvolvidas fichas fisioterapêuticas para aves, primatas não humanos e didelfídeos (Figura 1), implementadas na rotina de um hospital-escola desde janeiro de 2024 e aplicadas a 43 pacientes, sendo 32 aves e 11 mamíferos (Tabela 1). As fichas incluem características individuais do paciente, histórico, diagnóstico, avaliação funcional, evolução clínica, protocolos e resposta à terapêutica. A terapia é individualizada de acordo com as especificidades de cada caso e paciente, mas as fichas asseguram a padronização sistemática dos registros, melhor controle terapêutico e a integração entre os diferentes profissionais envolvidos. Para facilitar a interpretação das informações, foram incluídas imagens gráficas nos documentos, que são utilizadas para delimitar as áreas afetadas e descrever as alterações. O emprego de fichas para registros clínicos contribui para a avaliação dos pacientes e a determinação de decisões baseadas em evidências. Em um trabalho publicado com dados de 7.021 aves de rapina submetidas à reabilitação, destacou-se a importância dos registros clínicos individualizados, juntamente com as intervenções e desfechos, mas não foi incluída uma proposta de ficha clínica para esse fim (1). A aplicação prática do modelo apresentado no presente estudo foi avaliada em diferentes espécies, com quadros clínicos diversos, como fraturas, traumas neurológicos e ruptura de saco aéreo. As fichas foram determinantes para o ajuste progressivo dos protocolos, como a incorporação de exercícios proprioceptivos em casos neurológicos ou o uso de exercícios passivos e ativos associados a terapias integrativas, nos casos de lesões ortopédicas. Ademais, em mamíferos, os protocolos adotados de utilização de exercícios de mobilidade e reforço positivo seguiram diretrizes globais com resultados satisfatórios no tratamento e controle da dor, ganho de força muscular e recuperação funcional (2). Por meio da análise sistemática, as fichas também permitiram ajustes personalizados, como variações de intensidade ou introdução de técnicas complementares, conforme a resposta individual. Deste modo, conclui-se que as fichas de acompanhamento fisioterapêutico são instrumentos importantes para assegurar a continuidade, evolução, individualização e precisão técnica durante o tratamento de animais silvestres, de forma a contribuir significativamente para o sucesso da reabilitação e potencial retorno dos indivíduos ao habitat natural. 

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Publicado

2026-03-19