MANEJO, REABILITAÇÃO E SOLTURA DE FILHOTE DE PREGUIÇA-COMUM (Bradypus variegatus): RELATO DE CASO

Autores

  • Rayanne Gomes Silveira
  • Natália Boaventura Reis de Assis
  • Caroline Sotto Mayor Padua Rodrigues
  • Gabrielly Uchôa Gonçalves
  • Raquel Leite Urbano
  • Mariana Mirella Cavalcante Goes
  • Débora Costa da Silva
  • Ana Silvia Sardinha Ribeiro

Palavras-chave:

Bradypodidae, criação artificial, sucedâneo lácteo

Resumo

A preguiça-comum (Bradypus variegatus) apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em praticamente todo o território brasileiro. De hábitos arborícolas e dieta folívora, essa espécie vem sendo cada vez mais afetada pelo crescente desmatamento, que resulta na perda de habitat natural (1). No dia 30 de julho de 2024, foi encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens, um filhote de preguiça-comum, que havia sido encontrado sozinho, na base de uma árvore. O animal pesava 250 gramas e tinha idade estimada de aproximadamente uma semana de vida, com bom estado geral de saúde (2). A fórmula utilizada para o aleitamento artificial foi o leite zero lactose, na proporção de 1 g do composto para cada 10 mL de água. Além do sucedâneo lácteo, foram ofertadas diariamente, ad libitum, folhas frescas de embaúba (Cecropia spp.) e cacau (Theobroma cacao), previamente umedecidas com spray de água para estimular o consumo. A frequência da oferta do sucedâneo foi inicialmente estabelecida a cada 3 horas, com consumo médio de 5 mL por refeição. A partir da terceira semana de vida, o intervalo foi ampliado para 4 horas, com consumo médio de 10 mL por mamada, sendo o aleitamento suspenso durante o período noturno. Em relação ao manejo comportamental, foi disponibilizada uma “mãe artificial”, utilizando bichos de pelúcia e toalhas, para o animal ficar “agarrado”, visando proporcionar conforto e segurança psicológica ao filhote (3). As preguiças, possuem o comportamento de descerem ao solo para defecar, e por conta disso, o filhote era colocado em contato com a grama, uma vez ao dia, geralmente pela manhã, onde ele defecava e urinava. Com 10 semanas de vida, já consumindo cerca de 20 mL, iniciou-se o processo de desmame, reduzindo-se a oferta de leite para uma única mamadeira pela manhã, sendo as demais refeições compostas exclusivamente por folhas frescas. Ainda na fase final do desmame, o animal foi gradualmente introduzido em um recinto de ambientação ("preguiçário"), composto por árvores naturais, com o objetivo de estimular o exercício físico, a exposição solar e a familiarização com o ambiente natural. Duas semanas após o início do desmame, a alimentação passou a ser exclusivamente composta por folhas frescas. Aos 5 meses de idade, pesando 532 gramas e demonstrando aptidão para a vida livre, o filhote foi reintroduzido à natureza, sendo solto em um parque ecológico da região (Figura 1). A utilização de leite zero lactose, associada à introdução gradual de folhas nativas, mostrou-se eficaz no ganho de peso e na transição alimentar do filhote. O uso da “mãe artificial” e a disponibilização de um ambiente com estímulos naturais foram fundamentais para o desenvolvimento comportamental adequado, reproduzindo aspectos do cuidado materno e das interações com o habitat natural. A reabilitação do filhote de preguiça-comum foi bem-sucedida, com desenvolvimento físico e comportamental satisfatório, ganho de peso progressivo e adaptação alimentar compatível com a espécie. O caso reforça a importância da adoção de protocolos específicos e individualizados para o manejo e reabilitação de preguiças, especialmente em fases iniciais da vida.

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Publicado

2026-03-19