DISGERMINOMA OVARIANO EM Nymphicus hollandicus: RELATO DE CASO

Autores

  • Loïc Rangel Lamarche
  • Sofia Silva La Rocca de Freitas
  • Vitória Maciel Arôso Mendes
  • Karolina Vitorino Barbosa Fernandes
  • Dandara Franco Ferreira da Silva
  • Rafaela Selbmann Coimbra
  • Aline Ramos Marques Marangon
  • Rômulo Santos Adjuto Eloi

Palavras-chave:

Aves, Silvestre, Neoplasia

Resumo

Tumores gonadais têm se destacado na família Psittacidae, sendo tumores da granulosa e adenocarcinomas ovarianos os mais comumente diagnosticados em fêmeas (1). O disgerminoma é uma neoplasia que acomete células germinativas primordiais e possui um alto potencial de malignidade em humanos e animais domésticos (2). Por não ser um tumor comum em aves, mas apresentar características de malignidade, cuja sintomatologia clínica geralmente só é expressada após desenvolvimento massivo da neoplasia (3), o objetivo do presente trabalho é relatar um caso de disgerminoma em Nymphicus hollandicus. Uma calopsita, fêmea, adulta, com peso de 95 gramas, foi recebida na clínica com principal queixa de dificuldade respiratória e suspeita de distocia. Durante o exame físico, não foram observadas alterações dignas de nota além de excretas diarreicas e cavidade celomática abaulada. No exame radiográfico, evidenciou-se a presença de líquido livre na cavidade e hiperostose poliostótica. No exame ultrassonográfico, foi evidenciado ovário com 0,98 x 0,66 cm de tamanho coberto por múltiplos cistos simples e cranial à cavidade, discretos folículos não desenvolvidos. Ademais, foi notada a presença de uma estrutura oval com trabeculações medindo 4,44 x 3,45 cm, ocupando toda a cavidade celomática da ave. Esta estrutura aparentava estar preenchida por um líquido anecogênico identificado como cisto ovariano (Figura 1). O líquido foi drenado e encaminhado para análise com resultado compatível com transudato com presença moderada de hemácias íntegras. Não foi autorizado a realização de procedimento cirúrgico ou implantação de deslorelina, e o animal veio à óbito após uma semana. Foi realizada necrópsia, e o ovário foi enviado para exame histopatológico (Figura 2). A neoformação apresentava pleomorfismo moderado e presença de mitoses. Era infiltrativa, hipercelular, homogênea, sem demarcação e não encapsulada, compatível com disgerminoma. Em diversos casos, pacientes com essa neoplasia se encontram em condição de hiperestrogenismo (2), por isso, foi recomendado a aplicação de um implante de deslorelina, que atua como agonista sintético de hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) e inibe a produção de hormônio folículo-estimulantes (FSH) que é o principal estímulo de crescimento do tumor (4). Entretanto, não foi possível afirmar que auxiliaria neste caso, visto que o tumor já apresentava um tamanho expressivo. Em humanos, disgerminomas se classificam como a neoplasia maligna de célula germinativa mais comum e dentro da medicina veterinária é mais comumente diagnosticada em gatas e cadelas, porém mesmo que relatada em répteis, anfíbios e diversos mamíferos silvestres, em aves, esta patologia não é tão frequentemente relatada (2). Independente da espécie afetada, os sinais clínicos são inespecíficos, mas muitas vezes é observado a presença de massa abdominal e consequentemente distensão abdominal e dor, como observado neste relato (2). Mesmo em humanos, a etiologia exata desse tipo tumoral permanece incerta, sendo predominantemente considerada multifatorial. Entre os principais fatores propostos estão a predisposição genética, influências ambientais, distúrbios no desenvolvimento das células germinativas ovarianas e disfunções hormonais (5). Desta forma, este caso contribui para a literatura ampliando o conhecimento sobre esta neoplasia em aves mantidas em cativeiro.

Downloads

Publicado

2026-03-19