ANÁLISE DO VALOR DE GLICOSE UTILIZANDO APARELHO DE GLICOSÍMETRO RÁPIDO EM Crotalus durissus.
Palavras-chave:
Hematologia, Metabolismo energético, ViperídeosResumo
As serpentes do gênero Crotalus, conhecidas popularmente como cascavéis, pertencem à família Viperidae e representam um grupo de serpentes peçonhentas com extensa distribuição nas Américas. No Brasil, a única espécie do gênero é a Crotalus durissus, presente em biomas como Cerrado, Caatinga, Pampa e zonas de transição da Mata Atlântica (1).
Apesar de já existirem estudos sobre sua ecologia, reprodução e toxinologia, informações fisiológicas específicas ainda são limitadas, especialmente àquelas relacionadas ao metabolismo energético (2). Cascavéis, assim como outros répteis, possuem capacidade de jejuar por longos períodos e tendem a apresentar concentrações plasmáticas de glicose inferiores a das aves e mamíferos. Esses níveis podem variar conforme fatores como a taxa metabólica, temperatura corporal, sexo, estação do ano, estado clínico e estresse (3).
Glicemias entre 60 e 100 mg/dL são consideradas normais para répteis, mas estes valores podem aumentar de forma significativa em resposta ao estresse, devido à liberação de cortisol e hormônios adrenais que estimulam a glicogenólise e a gliconeogênese (3,4). O presente estudo tem como objetivo estabelecer um perfil glicêmico de referência para serpentes do gênero Crotalus, para isso foi realizada uma análise das glicemias de 20 indivíduos hígidos, sendo eles 10 machos e 10 fêmeas, mantidos em recintos individuais, com controle de temperatura e umidade. O experimento foi realizado em junho de 2025 e todos os protocolos foram previamente autorizados pela CEUAIB nº 7967310720.
As coletas sanguíneas foram realizadas por punção da veia coccígea caudal com agulha 22G, em até três minutos após a contenção, a fim de evitar alterações nos níveis glicêmicos induzidos pelo estresse. As amostras foram obtidas em quatro momentos distintos: 7, 14, 21 e 28 dias após a alimentação. Uma gota de sangue foi aplicada em tiras reagentes e analisada com o glicosímetro portátil (Figura 1).
A padronização do tempo de coleta foi essencial para evitar a liberação de cortisol, cuja elevação costuma ocorrer a partir do terceiro minuto de contenção, podendo interferir diretamente nos níveis de glicose e comprometer os resultados (4).
Foi realizada uma análise de modelos lineares mistos empregando como variável dependente os níveis de glicose, como fatores fixos o sexo e os dias pós-alimentares e como fator aleatório os indivíduos. Todas as análises foram feitas no programa R (pacotes: car, ggplot2, lme4, lmertest e emmeans) e o valor de significância adotado foi de p < 0,05.
Os resultados preliminares revelaram que no sétimo dia após a alimentação as fêmeas apresentam um nível sérico de glicose superior ao dos machos, entretanto, a partir do dia 14 esses níveis decrescem e ambos os sexos passam a apresentar os mesmos níveis de glicose (Figura 2). Embora as análises ainda sejam preliminares, essa diferença intersexual na dinâmica da da glicemia ao longo do tempo pode estar relacionada aos ciclos reprodutivos ou a variações no metabolismo energético.. Futuramente, o aumento do grupo amostral e novas análises poderão auxiliar na elucidação da origem dessas diferenças, bem como, explorar se estão associadas a fatores reprodutivos e metabólicos.
