ESTABELECIMENTO DE UM PROTOCOLO PARA TRANSPORTE REFRIGERADO DE TESTÍCULOS DE CATETOS (Pecari tajacu)

Autores

  • Ana Alice Carlos Sales de Sousa Loia
  • Romário Parente dos Santos
  • Andreia Maria da Silva
  • Luana Grasiele Pereira Bezerra
  • Gabriel Santos Costa Bezerra
  • Gabriela Linhares Leite
  • Joana Letícia Cottin de Albuquerque
  • Isaac Lemuel Bezerra da Silva
  • Alexandre Rodrigues Silva

Palavras-chave:

Conservação, Microscopia de Fluorescência, Viabilidade

Resumo

Embora muito se fale da necessidade de formação de biobancos para conservação de espécies selvagens, são ainda escassos os laboratórios especializados nessa temática, sendo necessário o desenvolvimento de técnicas para salvaguardar o germoplasma de animais importantes que venham subitamente a óbito. Assim, objetivou-se estabelecer um protocolo para o transporte refrigerado de amostras de testículo, utilizando o cateto (Pecari tajacu) como modelo experimental. Após aprovações cabíveis (CEUA 41/2024; SISBIO 72170-3), foram eutanasiados seis catetos adultos, cujos testículos (n = 12) foram coletados, examinados, e distribuídos por randomização em três grupos: 1) avaliado imediatamente (n = 4), 2) refrigerado por 24 horas (n = 4) e 3) refrigerado por 48 horas (n = 4), utilizando-se dispositivo comercial de transporte a 5°C. Testículos frescos e refrigerados foram fragmentados e avaliados sob microscopia de fluorescência quanto à viabilidade tecidual (sondas iodeto de propídio e Hoechst 33342) e apoptose celular (sondas laranja de acridina e brometo de etídio), sendo classificadas em viáveis, sem apoptose, apoptose precoce, apoptose tardia e necróticas. Os resultados foram expressos como média ± erro padrão, analisados pelo teste de Kruskal-Wallis, seguido do teste de Dunn para comparação de médias (P < 0,05). O controle fresco apresentou 92,75 ± 0,75% de viabilidade tecidual com 90,75 ± 3,03% de células sem apoptose. Tanto a viabilidade celular (71,00 ± 8,82%), quanto o padrão sem apoptose (66,50 ± 9,94%) foram conservados efetivamente por até 24 horas (P > 0,05); porém,  verificou-se leve redução desses padrões às 48 horas (43,25 ± 8,99% e 56,75 ± 5,12%) (P < 0,05), comparando-se ao grupo fresco. Os padrões de viabilidade, bem como as análises referentes diferentes manifestações de apoptose em todos os grupos são detalhados na Tabela 1. Os resultados indicam que o tecido testicular de catetos armazenado a 5 °C mantém sua viabilidade com eficácia por até 24 horas, tempo inferior ao observado para bovinos cuja viabilidade é mantida por até 48 h (1). A divergência dos resultados entre os estudos evidencia características inerentes à espécie que podem ser influenciadas pelo tempo e temperatura, apontando a necessidade de aperfeiçoamento do protocolo. Em todo caso, ressalta-se que 24 h seria tempo suficiente para o transporte de amostras biológicas entre regiões distantes por via aérea, mesmo em um país de dimensões continentais como o Brasil. Neste sentido, conclui-se que o tecido testicular de catetos pode ser efetivamente transportado sob refrigeração a 5 °C por até 24 h. Entretanto, mesmo após 48 h, a taxa de viabilidade celular encontrada ainda permitiria o aproveitamento de células testiculares para a composição de biobancos. Este trabalho inova ao oferecer um protocolo efetivo para a recuperação e processamento de amostras de indivíduos de alto valor biológico que eventualmente venham a óbito nos centros de conservação.

Downloads

Publicado

2026-03-19