GLAUCOMA UNILATERAL EM ARACUÃ-ESCAMOSO (Ortalis squamata): RELATO DE CASO

Autores

  • Jacqueline Meyer
  • Caroline Ströher de Souza
  • Stephanie Lopes de Jesus
  • Maiara Poersch Seibel
  • Ana Carolina Contri Natal
  • Paola Antunes Rodrigues
  • João Antonio Tadeu Pigatto
  • Marcelo Meller Alievi

Palavras-chave:

aves, oftalmologia, pressão intraocular

Resumo

O aracuã-escamoso (Ortalis squamata) é uma ave pertencente à ordem Galliformes, com ocorrência registrada em áreas florestais, restingas e jardins arborizados (1). Indivíduos de vida livre, especialmente os que habitam ambientes antropizados, estão frequentemente expostos a traumas que podem resultar em lesões oculares, como hifema, úlceras de córnea, uveítes, fraturas dos ossos da esclera, sinéquias, descolamento da retina e lesões cataratogênicas (2). O objetivo deste trabalho é relatar um caso de glaucoma unilateral em aracuã-escamoso atendido em um centro de reabilitação de fauna silvestre. Um indivíduo adulto, macho, pesando 400 gramas, foi recebido apresentando lesão por queimadura em região craniana e úlcera de córnea no olho direito. No exame oftálmico, foi constatado que o olho direito apresentava evidente buftalmia, íris bombé, edema de córnea e secreção mucosa (Figura 1). A pressão intraocular (PIO), aferida com tonômetro de rebote, foi de 44 mmHg, valor significativamente superior ao esperado para Galliformes (16 – 18 mmHg) (3). O olho contralateral apresentava blefarite, possivelmente relacionada à queimadura, com PIO de 16 mmHg. Diante do quadro clínico compatível com glaucoma secundário e do comprometimento ocular irreversível, foi realizada a evisceração modificada do bulbo ocular direito (Figura 2). O procedimento transcorreu sem intercorrências, proporcionando alívio da dor e adequada recuperação do animal. Após cuidados pós-operatórios e total cicatrização da lesão na cabeça, o paciente apresentou boa evolução, sendo considerado apto para destinação a um zoológico. A PIO elevada (20,36 – 28,18 mmHg) é comum em aves marinhas e de rapina, que possuem hábitos de mergulho e voo que as expõem a maiores oscilações abruptas de pressão atmosférica (4). No entanto, o glaucoma é considerado uma condição extremamente rara em aves (2), podendo ocorrer de forma primária ou, mais frequentemente, de forma secundária a processos inflamatórios e traumáticos. O presente caso reforça essa associação, já que a lesão traumática na cabeça pode ter desencadeado um processo inflamatório ocular severo, evoluindo para glaucoma. O diagnóstico é baseado nos sinais clínicos, caracterizados por buftalmia e dor ocular, associados a valores elevados de PIO (5). Evisceração cirúrgica do bulbo ocular ou enucleação são recomendadas como abordagem terapêutica na presença de olhos já buftálmicos (2), como observado no paciente. O presente caso reforça que, embora raro, o glaucoma pode ocorrer como complicação secundária a traumas em aves silvestres. A realização da evisceração ocular foi essencial para promover o bem-estar do paciente, permitindo sua recuperação clínica e posterior destinação.

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Publicado

2026-03-20