Ocorrência de hemoparasitas em aves e mamíferos silvestres atendidos em um CETRAS, com uso de diagnóstico morfológico e molecular

Autores

  • Thainá Monteiro Marques Oliveira
  • Ana Silvia Sardinha Ribeiro
  • Caroline Sotto Mayer Padua Rodrigues
  • Natália Boaventura Reis de Assis
  • Sergio Marcelo Rodriguez Málaga
  • Raquel Leite Urbano
  • Rayanne Gomes Silveira
  • Gabrielly Uchôa Gonçalves

Palavras-chave:

Diagnóstico molecular, Fauna silvestre, Protozoários

Resumo

O parasitismo é definido como a interação desarmônica entre dois organismos diferentes, na qual existe uma dependência metabólica, resultando em benefícios para uma das espécies e prejuízo para a outra (1). Fatores como a destruição das áreas de preservação, urbanização e mudanças climáticas favorecem infecções parasitárias, inclusive com potencial zoonótico. A região amazônica brasileira abriga uma rica biodiversidade, contudo, ultimamente, houve uma crescente pressão antrópica que aproxima a fauna silvestre das áreas urbanas. Nesse contexto, o presente estudo objetivou detectar hemoparasitas em animais atendidos pelo Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), no período de agosto de 2024 a julho de 2025. Para isso, amostras de sangue periférico de cada espécime foram utilizadas para a confecção de estendidos sanguíneos e a purificação de DNA genômico. Dessa forma, as lâminas foram coradas com Giemsa e observadas em microscópio para a identificação de parasitos, enquanto o DNA purificado foi analisado através de PCR para a detecção de hemoparasitos das famílias: Trypanosomatidae, Haemosporida e Filarioidea. Até o momento, foram analisadas amostras de 60 espécimes pertencentes a 18 ordens taxonômicas distintas (Tabela 1), em que 31 correspondem às aves, das quais 9 estavam infectadas, e 29 aos mamíferos, com 11 infectados por pelo menos um hemoparasita. Em relação aos mamíferos, o grupo dos primatas não humanos foi o mais representado com dez indivíduos analisados, sendo metade deles infectados por filárias ou tripanossomatídeos. Além disso, destaca-se um caso de coinfecção em um espécime de Saguinus niger, com presença simultânea de microfilárias, detectadas por esfregaço sanguíneo (Figura 1), e tripanossomatídeos, identificados molecularmente.  Indivíduos das ordens Didelphimorphia e Pilosa apresentaram apenas infecção por tripanosomatídeos, detectada por PCR, entretanto no grupo Pilosa, apenas tamanduás estavam infectados, apesar de terem amostras de preguiça-comum. Entre as aves, 9 (29%) apresentaram infecção, sendo os hemosporídeos identificados em três accipitriformes, dois Pelecaniformes e um Gruiforme. A infecção por tripanosomatídeos ocorreu apenas nas espécies Vanellus chilensis e Tyto furcata, enquanto as filárias foram detectadas em Ramphastos vitellinus e Falco rufigularis. A taxa geral de infecção foi de 33,3%, evidenciando ampla circulação desses agentes nos ambientes de origem dos animais. Os resultados estão em consonância com a literatura, especialmente no caso dos primatas não humanos, nos quais infecções por filárias são frequentemente relatadas (2), assim como por  tripanossomatídeos na região tropical. Além disso, é sabido que os Tamanduás são reservatórios de Leishmania spp. (3) e, com menor frequência, de Trypanosoma spp., enquanto mucuras são reservatórios naturais de Trypanosoma cruzi. Por outro lado, sabe-se que os hemosporídeos estão comumente infectando uma variedade de aves silvestres, sobretudo os rapinantes, tornando-se responsáveis pela manutenção dos hemoprotozoários. Em aves silvestres infecções por tripanossomatídeos e filárias têm sido registradas, evidenciando a diversidade desses parasitos, reforçando seu papel na manutenção desses parasitos. Os dados obtidos permitem caracterizar a ocorrência de hemoparasitos em diferentes grupos de vertebrados silvestres acolhidos pelo CETRAS, contribuindo para a compreensão da dinâmica dessas infecções na Amazônia. Ademais, a associação entre os métodos de detecção aumenta a sensibilidade diagnóstica, revelando infecções subclínicas.

Downloads

Publicado

2026-03-20

Edição

Seção

Resumo Cientifico