ABORDAGEM MULTIMODAL EM FERIDAS CONTAMINADAS

Autores

  • Ana Elisa Barros Medeiros
  • Andressa Kagohara
  • Anieli Vidal Stocco
  • Beatriz Pereira Coelho
  • Ana Carolina da Rocha Santos Elattar
  • Ana Vitória de Rezende
  • Maria Madalena Jorge de Oliveira do Amaral
  • Beatriz Araújo dos Santos
  • Daniel de Almeida Balthazar

Palavras-chave:

Terapia tópica, Cicatrização, ferida aberta

Resumo

A ocorrência de feridas em animais silvestres é frequente, sendo comum optar pela cicatrização por segunda intenção devido ao grau de contaminação, tamanho e localização desfavorável impedindo a justaposição dos bordos ou tecido necrosado (1). O manejo destas, vai além do uso de antibióticos e anti-inflamatórios, sendo a abordagem multimodal, uma estratégia promissora para a evolução clínica e redução das complicações, pois combina recursos para controle de infecção, inflamação, dor e estímulo à regeneração (2). Entre os recursos empregados destacam-se: o uso de polihexanida biguanida (PHMB), que trata-se de um polímero com ampla ação antimicrobiana, que promove lise bacteriana por interação com a membrana celular (3). O hipoclorito de sódio, que age por meio da liberação de ácido hipocloroso, sendo um potente agente oxidativo (4). A laserterapia estimula a proliferação celular e a síntese de colágeno, acelerando o processo cicatricial (2). O ácido acético acidifica o leito da ferida, inibe o crescimento bacteriano e desestabiliza biofilmes, potencializando outros tratamentos tópicos (5). E a moxaterapia consiste na aplicação de calor gerado pela queima da erva Artemisia vulgaris, que estimula a circulação e a resposta inflamatória local, favorecendo a reparação tecidual (3). Este estudo levantou a casuística de feridas tratadas com terapias multimodais de um Hospital-escola Veterinário no estado do Rio de Janeiro, no período de um ano (Julho 2024 - Julho 2025). Os tratamentos aplicados, bem como o número de pacientes podem ser visualizados no quadro 1, enquanto a porcentagem de uso de cada método é apresentada no quadro 2. O PHMB foi utilizado em 10 pacientes (90,9%),  hipoclorito de sódio, aplicado em três pacientes (27,3%), a laserterapia, empregada em seis pacientes (54,5%), o ácido acético, aplicado em quatro pacientes (36,4%). Por fim, a moxaterapia, utilizada em quatro pacientes (36,4%). No período, 11 indivíduos de dez espécies foram tratados. A cicatrização completa ocorreu em média em 45,5 dias (11 a 86), variando conforme espécie, extensão e gravidade, com exceção de um indivíduo que foi eutanasiado devido à evolução desfavorável. Em todos os casos houve formação de tecido de granulação viável e a cicatrização foi satisfatória. Observou-se variação significativa no tempo de cicatrização entre espécies, mesmo com abordagens multimodais similares. Essa diferença pode estar ligada a fatores fisiológicos, além da extensão e gravidade das lesões (1). Espécies como Coendou-spp. e Nasua-nasua apresentaram os maiores tempos, possivelmente ligados à infecção sistêmica e resistência bacteriana, enquanto Dasypus novemcinctus e Oryctolagus cuniculus cicatrizaram mais rápido (Tabela 1). Esses dados reforçam a importância de personalizar protocolos terapêuticos para atender necessidades individuais e otimizar cicatrização. A abordagem multimodal contribuiu para a cicatrização e melhorou a qualidade do tecido desvitalizado, indicando seu uso como adjuvantes no tratamento de feridas, mas são necessários estudos adicionais, especialmente em animais silvestres, para validar os achados e ampliar conhecimento sobre sua eficácia em diferentes contextos clínicos e espécies.

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Publicado

2026-03-20