USO DE BLOQUEIO MAXILOMANDIBULAR PARA OSTEOSSÍNTESE MANDIBULAR IN BOA CONSTRICTOR: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
odontologia, répteis, cirurgiaResumo
A jiboia (Boa constrictor) é uma serpente presente nas americas e Caribe, possui grande importância no ecossistema, desempenhando papel como presa e predador de diversas espécies. O medo de serpentes é observado na maioria da população, são animais vistos como potencial perigo, isto somado a outras crenças populares, resultam no aumento de conflitos entre humanos e serpentes. Grande parte das causas de morte desses animais, ocorre pelo trauma, principalmente no primeiro terço do corpo, frequentemente comprometendo a cavidade oral [1]. A mandíbula da jiboia consiste em duas partes, o osso composto, localizado na porção proximal, que articula com o osso quadrado e o osso dentário, situado na porção distal. Dentre as técnicas odontológicas, o bloqueio maxilo-mandibular é um tratamento conservador indicado para fraturas proximais de mandíbula, sendo menos invasivo, mas restringindo a oferta de alimento ao paciente. O objetivo deste trabalho é descrever um procedimento de reconstrução de cavidade oral de uma jiboia. Foi atendida uma jiboia com histórico de trauma por interação antrópica. Após exames físico e de imagem, foi constatada avulsão do músculo masseter esquerdo com necrose muscular e fratura no osso composto da mandíbula, após estabilização clínica, o paciente foi encaminhado para cirurgia. Sob anestesia geral inalatória, primeiramente foi realizada a higienização da cavidade oral com clorexidine 0,12% sem álcool, ressecção da musculatura exposta necrosada, com escarificação de debris e fibrina, após a remoção do tecido necrótico, observou-se uma considerável redução da musculatura viável. Feita sutura na mucosa oral com ponto simples isolado e wolf com fio PGC 5-0, após a conclusão do procedimento, foi realizada fotobiomodulação de baixa intensidade na ferida cirúrgica (vermelho 6 jaules em 3 pontos) e externamente a lesão (inflavermelho 6J em 3 pontos) e bloqueio maxilo-mandibular com esparadrapo, objetivando-se imobilizar a mandíbula para uma cicatrização da fratura por segunda intenção. No pós-cirúrgico foi ministrado meloxican (0,2%, IM, SID, por 3 dias), cloridrato de tramadol (2%, IM, SID, por 10 dias), ceftriaxona (10%, IM, a cada 48 horas por 22 dias), limpeza da cavidade oral com clorexidine 0,12% sem álcool (SID, por 90 dias), fotobiomodulação (a cada 48 horas, 6J em varredura em região de ferida cirúrgica durante todo o tratamento). Nos 3 primeiros meses de tratamento, mensalmente, foi fornecido alimento completo para animais em estado convalescente, por meio de sonda, após 2 meses, foi realizada uma nova radiografia e verificou-se a consolidação da fratura, retornando a sua alimentação natural após 4 meses de tratamento, sendo encaminhada para soltura pouco tempo depois. O bloqueio maxilo-mandibular se mostrou eficaz na estabilização da fratura, o que permitiu a consolidação óssea por segunda intenção, não sendo necessária uma abordagem cirúrgica invasiva, uso de implantes ortopédicos, além de risco de infecção pós operatória, deiscência da ferida cirúrgica e retardo na cicatrização. Apesar do bloqueio ter inviabilizado o alinhamento longitudinal dos fragmentos ósseos, os mesmos foram unidos por uma ponte óssea, que apesar de ter promovido um discreto desvio medial da mandíbula direita, não houve comprometimento funcional.
