AVALIAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DE MACACOS-PREGO (Sapajus spp.) DESTINADOS A SOLTURA PELO CETAS-CE
Palavras-chave:
Primatas, Patologia, Saúde únicaResumo
Introdução: Macacos-prego pertencentes ao gênero Sapajus spp. têm ampla distribuição geográfica no Brasil, ocupando território amazônico, cerrado e a Mata Atlântica. A destruição de seu habitat natural e o tráfico ilegal tem propiciado o maior contato com o ser humano, o que favorece a transmissão e disseminação de antropozoonoses, comprometendo o bem-estar e a sobrevivência da espécie. Dentre os acometimentos de maior relevância tem-se a raiva, a herpesvirose e as arboviroses. A realização de avaliação clínica e exames complementares, em animais resgatados são importantes parâmetros para triagem e direcionamento, principalmente antecedendo a soltura (1,2,3), além dos exames diagnósticos sorológicos e moleculares. Objetivou-se com esse estudo descrever achados hematológicos e bioquímicos de 10 macacos-prego (Sapajus spp.) e resultados de RT-PCR Convencional para Herpesvirus simples tipo 2 (HSV) encaminhados ao CETAS direcionados a soltura. Relato de Caso: A tabela 01 evidencia o perfil clínico dos primatas que foram recebidos no Centro de Triagem em maio de 2025. Durante a recepção, foram submetidos a avaliação clínica, nutricional e laboratorial, sendo solicitados exames coproparasitológicos, perfil hematológico e bioquímicos, os quais estão listados na tabela 02. Após avaliação dos animais, estes foram direcionados a recintos, em função de seu estado clínico e nível de socialização. Durante o processo de adaptação, a fêmea 06, não aceitou outros adultos, mas teve ótima interação com os filhotes (07 e 08). O macho 10 era vasectomizado e teve boa interação com a fêmea 06 e os filhotes. No exame coproparasitológico, apenas no recinto 3 foi encontrado ovos do tipo Ancylostoma spp. A partir disso, preventivamente foi instituído protocolo de vermifugação em todos os animais com suspensão oral à base de fembendazol (20mg/kg, 40mg/ml), pamoato de Pirantel (28,8mg/ml) e praziquantel (10mg/ml), dose única de 0,5 ml, repetido após 15 dias. A alimentação instituída era à base de frutas, folhas, sementes e ração, e água sempre disponível. Ademais, os animais foram testados para herpesvírus (Simplexvirus 2) via RT-PCR. Dentre os primatas, apenas o 09 testou positivo para o vírus, o qual não tinha alterações clínicas evidentes, sendo colocado em isolamento para realização de novos testes e avaliação. Dentre os animais recebidos, os 01, 02, 03, 04 e 05 foram considerados aptos e encaminhados para área de soltura no Piauí. Discussão: O recebimento e a reabilitação são importantes para manutenção e conservação de espécies de primatas, bem como para maior abrangência de referencial clínico (1,3). Os exames hematológicos apresentaram-se dentro da normalidade (4). O perfil bioquímico mostrou-se dentro dos referenciais para maioria dos analitos, entretanto, sete animais demonstraram aumento dos níveis de fosfatase alcalina, o que pode ser indicativo de maior atividade osteoblástica em animais mais jovens e/ou de menor porte e tendem a ser maiores nos machos (4,5). Conclusão: Assim, a realização de exames complementares é bastante relevante no contexto de reabilitação e soltura de primatas. Os resultados encontrados corroboram com a literatura existente e ampliam as informações disponíveis sobre a clínica desses animais.
