TERAPIAS INTEGRATIVAS NO TRATAMENTO DE LESÃO DE CAUDA EM IGUANA-VERDE (Iguana iguana): RELATO DE CASO

Autores

  • Lívia Maria Belmiro de Sousa
  • Anna Beatriz de Souza Freitas
  • Maria Heloísa Rêgo Leite
  • Ismênia Ribeiro da Silva
  • Bianca da Nóbrega Medeiros
  • Giovanna Paiva Castelo Branco
  • Danila Barreiro Campos
  • Rafael Lima de Oliveira

Palavras-chave:

Acupuntura, cicatrização, fotobiomodulação

Resumo

A iguana-verde (Iguana iguana) possui a cauda como principal mecanismo de defesa contra predadores, podendo livrá-la voluntariamente por autotomia. Essa estrutura é frequentemente acometida por lesões de diversas origens, como fraturas e lacerações (1). Na ocorrência de traumas graves, a amputação é um dos principais métodos de tratamento. A medicina integrativa baseia-se no uso de terapias que atuam como adjuvantes no tratamento de inúmeras afecções, como na cicatrização de feridas. A acupuntura, a moxabustão e a fotobiomodulação são exemplos de terapias integrativas. Sob o ponto de vista ocidental, as agulhas ativam terminações nervosas cutâneas, liberando substâncias vasodilatadoras, aumentando o fluxo sanguíneo, oxigênio e migração de células inflamatórias para o local (2). A moxabustão potencializa a vasodilatação local, promovendo uma maior atividade enzimática das células pelo calor, sintetizando colágeno a partir dos fibroblastos e proliferando tecido de granulação. O laser de baixa potência possui mecanismos que estimulam a cicatrização e regeneração tecidual, além dos efeitos analgésicos e anti inflamatórios. Seus efeitos biomoduladores aumentam a proliferação celular, síntese de colágeno, formação de tecido de granulação, a vasodilatação e o aumento da circulação (3,4). Objetiva-se relatar o uso de terapias integrativas associadas ao tratamento de uma lesão traumática em cauda de uma iguana-verde, fêmea, de vida livre, recebida no hospital veterinário com histórico de ataque por cães. Na avaliação física constatou-se que o animal estava apático, com mucosas pálidas, e com laceração profunda, extensa e infectada. Ao ser submetido ao exame radiográfico, avaliou-se a região de coluna e corpo inteiro, nas projeções lateral direita, dorsoventral e crânio-caudal, com achados indicativos de lesão cutânea sem comprometimento ósseo a nível da porção inicial da cauda. Optou-se pelo tratamento conservador em detrimento do cirúrgico visto que a amputação iria limitar seus mecanismos de defesa, por requerer uma incisão muito proximal na cauda, mesmo considerando sua capacidade regenerativa. O protocolo inicial consistiu em cetoprofeno (1 mg/kg), morfina (1 mg/kg), posteriormente substituída por tramadol (5 mg/kg), dipirona (15 mg/kg), ceftriaxona (20 mg/kg), sustituida posteriormente por gentamicina (5mg/kg), higienização da ferida com clorexidina 2% e aplicação tópica das pomadas Ganadol® e colagenase associadas. Utilizou-se inicialmente a terapia fotodinâmica (PDT), que consistiu na aplicação do azul de metileno sobre a ferida e após cinco minutos a varredura com luz vermelha. Após duas semanas de internação, o tecido de granulação estava exuberante, além das margens da lesão. Quando não mais possuía sinais de infecção, iniciou-se a fotobiomodulação com luz vermelha em varredura a cada 48 horas. Foi instituído o protocolo de acupuntura por cerclagem da ferida e moxabustão local semanalmente (Figura 1). O paciente apresentou evolução clínica favorável após de sete semanas, recebendo alta ao término do tratamento com a ferida totalmente cicatrizada (Figura 2). Nesse caso, é possível considerar que as terapias integrativas contribuíram para acelerar o processo cicatricial, tendo em vista que os répteis possuem um metabolismo lento. Conclui-se que o tratamento adotado foi eficaz na recuperação completa da ferida.

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Publicado

2026-03-20