ANIMAIS SILVESTRES E MULTIRRESISTÊNCIA BACTERIANA: ESTUDO EM HOSPITAL VETERINÁRIO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Autores

  • Bárbara de Azeredo Medeiros
  • Andressa Kagohara
  • Anieli Vidal Stocco
  • Juliana Beatriz Giarola Ferreira
  • Beatriz Pereira Coelho
  • Ana Elisa Barros Medeiros
  • Ana Vitória de Rezende
  • Daniel de Almeida Balthazar

Palavras-chave:

Carbapenêmicos, Resistência antimicrobiana, Saúde Única

Resumo

A resistência antimicrobiana, antimicrobial resistance (AMR), é um problema crescente que afeta a saúde humana, animal e ambiental, tornando essencial o monitoramento em diferentes espécies (1, 2, 3). Bactérias multirresistentes, multidrug-resistant (MDR), são microrganismos com resistência adquirida a pelo menos um antibiótico em três ou mais categorias de antimicrobianos (1). Diante da escassez de estudos sobre o tema, o presente trabalho teve como objetivo descrever a prevalência de infecções por bactérias multirresistentes em animais atendidos em um hospital-escola no estado do Rio de Janeiro. Foram analisados os registros de atendimentos dos animais durante o período 01/03/2024 a 01/08/2025. Destes, foram selecionados os indivíduos colonizados por bactérias multirresistentes. Ao todo, foram identificados 9 animais, sendo 6 (66,7%) provenientes de indivíduos nativos de vida livre e 3 (33,3%) de exóticos mantidos como pets (Tabela 1). As espécies bacterianas mais frequentes foram Complexo Citrobacter freundii e Klebsiella spp., ambas representando 18,2% dos isolados (Gráfico 1). Observou-se que 66,7% (6/9) dos microorganismos identificadas pertencem à ordem Enterobacterales (enterobactérias), enquanto os restantes 33,3% (3/9) são das ordens Bacillales (2/9) e Lactobacillales (1/9). Todos os isolados apresentaram resistência mínima aos antibióticos dos grupos das quinolonas, β-lactâmicos e sulfonamidas. E destaca-se a identificação de bactérias Staphylococcus spp. e Enterococcus spp. resistentes aos carbapenêmicos meropenem e imipenem, provenientes de dois coelhos domésticos (Oryctolagus cuniculus domesticus) mantidos como animais de companhia (Tabela 1). A prevalência de MDR identificada neste trabalho, especialmente as da ordem Enterobacterales (66,7%), reforça a literatura que aponta a importância desses microrganismos como agentes etiológicos de infecções relacionadas à assistência à saúde e sua alta capacidade de adquirir resistência antimicrobiana (1, 2, 3). O perfil de resistência encontrado, com todos os isolados apresentando resistência a quinolonas, β-lactâmicos e sulfonamidas, indica a urgência de uma terapia antimicrobiana mais criteriosa. O uso inadequado, ou tardio, de antibióticos e a ausência de um diagnóstico completo são um dos principais fatores que impulsionam o desenvolvimento de resistência, ressaltando a importância de se respeitar os protocolos terapêuticos estabelecidos e a adesão da solicitação de antibiogramas (1, 2, 3). A resistência aos carbapenêmicos em Staphylococcus spp. e Enterococcus spp., é um alerta significativo, visto que esses antimicrobianos são de última linha para tratamento de infecções causadas por MDR. Sua disseminação em ambientes não-hospitalares é preocupante (1, 4). A fauna selvagem em particular tem sido reconhecida como um importante reservatório e potencial vetor de disseminação de bactérias resistentes, com a crescente influência de atividades antrópicas contribuindo para esse cenário (3, 5). A identificação de perfis de resistência complexos, inclusive a carbapenêmicos, reforçam a importância de integrar a fauna silvestre às estratégias de vigilância em saúde única. Além disso, ressalta-se a urgência em ampliar estudos microbiológicos em contextos de reabilitação ou vida livre, bem como a importância de medidas efetivas de biossegurança e uso racional de antimicrobianos. 

Downloads

Publicado

2026-03-20