USO DO CONDICIONAMENTO OPERANTE PARA AVALIAÇÃO ARTICULAR RADIOGRÁFICA DE UM PLANTEL DE GIRAFFA GIRAFFA GIRAFFA

Autores

  • Bernardo Miranda
  • Laura Siqueira Soldaini de Oliveira
  • Maria Eduarda Paz Brito
  • Samuel Villanova Vieira
  • Raiane Machado da Silva
  • Claudio Santos Brito
  • Lucas de Oliveira Figueiredo
  • Felipe Kataoka

Palavras-chave:

Medicina preventiva, Megavertebrado, Radiografia

Resumo

Caracterizada por seu grande porte, as girafas ocupam um lugar de destaque entre os mamíferos da megafauna e tornam o monitoramento de sua saúde um desafio significativo em instituições zoológicas (1). Devido às suas particularidades anatômicas e fisiológicas, são predispostas a problemas crônicos relacionados à saúde articular e dos cascos (2). Para manter altos níveis de bem-estar e cuidados veterinários, é fundamental a execução de um programa de condicionamento operante que facilite o acesso aos animais e possibilite a medicina preventiva, por meio da análise de cascos, casqueamentos e a realização de exames complementares que possibilitem a avaliação articular, como a radiografia. (3,4). O presente relato descreve a investigação radiográfica das articulações metacarpofalangeana e interfalangeana proximal e distal, nas projeções crâniocaudal (Figura 1), médiolateral e latero-lateral de ambos os membros anteriores de um plantel de girafas (Giraffa giraffa giraffa), mantidas sob cuidados humanos, composto por 06 machos, com idades entre 05 e 06 anos. Todos os animais apresentavam um bom estado de saúde à inspeção no dia da avaliação radiográfica, sem apresentar qualquer sinal clínico relacionado ao sistema locomotor. A instituição segue um calendário anual de medicina preventiva que envolve exames laboratoriais, avaliação física e exames de imagem, como a radiografia. Devido ao grande porte, à fisiologia peculiar e ao comportamento característico das girafas, tanto a contenção física, quanto a química envolvem riscos significativos. Nesse contexto, a realização de procedimentos com base na participação voluntária do animal surge como uma alternativa mais segura e menos estressante. Dessa forma, optou-se pelo condicionamento operante para a realização do manejo preventivo, visando garantir a segurança da equipe e dos animais, assim como seu bem-estar. O protocolo e cronograma de treinos foi idealizado e executado pelo corpo técnico da instituição, composto por biólogos de manejo, de bem-estar e médicos-veterinários. Neste treinamento, foi utilizado o condicionamento operante com reforço positivo, possuindo como recompensa folhagens e a ração provenientes da dieta dos animais. A técnica adotada foi a dessensibilização das girafas com o equipamento a ser usado no exame radiográfico, visando manter o membro a ser radiografado em um estrutura presente no local durante todo o período necessário para a realização das imagens. O processo de dessensibilização durou cerca de 12 semanas, com sessões diárias, segundo o cronograma estipulado. A adoção das técnicas de condicionamento operante (Figura 2) permitiu a obtenção de imagens radiográficas com qualidade diagnóstica satisfatória, sem a necessidade de contenção física ou sedação, corroborando com estudos prévios sobre a aplicação desta técnica em animais de grande porte (5). Os achados mantiveram-se dentro do referencial para a anatomia e faixa etária da espécie. Sendo assim, a metodologia empregada demonstrou-se eficaz, destacando o condicionamento operante como método valioso para a medicina preventiva de animais da megafauna. A realização de exames radiográficos durante o condicionamento provou ser uma alternativa segura e alinhada às práticas de bem-estar para a promoção da saúde das girafas. Logo, a integração entre a medicina preventiva e as técnicas de manejo colaborativo permite diagnósticos precoces, reduzindo a necessidade de procedimentos invasivos.
 

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Publicado

2026-03-20