TRATAMENTO CLÍNICO-CIRÚRGICO ASSOCIADO À OZONIOTERAPIA EM ABSCESSO FACIAL EM COELHO: RELATO DE CASO

Autores

  • Anna Beatriz de Souza Freitas
  • Maria Heloísa Rego Leite
  • Livia Maria Belmiro de Sousa
  • Carlos Alberto Queiroz de Aquino
  • Karla Campos Malta
  • Vanessa da Silva Torres
  • Li de Araújo Milani
  • Rafael Lima de Oliveira

Palavras-chave:

Ozônio, Hipercrescimento dentário,, Exoftalmia

Resumo

Os abscessos odontogênicos são afecções frequentes em coelhos. Normalmente resultam de maloclusões oriundas de um manejo nutricional inadequado, o que acarreta um desgaste inadequado dos dentes e hipercrescimento dentário. Essa condição pode promover dor e infecções que, em muitos casos, se estendem para além da cavidade oral (1, 2, 3). O gás ozônio é o agente desinfetante e sanitizante mais potente disponível, devido ao seu alto poder oxidante pode promover a destruição física de suas membranas e/ou paredes celulares de microorganismos (4). Este trabalho teve por objetivo relatar um caso de abscesso facial em um coelho, abordando seu diagnóstico, tratamento e evolução. Um coelho doméstico (Oryctolagus cuniculus), fêmea, com dois anos de idade e pesando 2,9 kg, foi atendido no Hospital Veterinário. No exame clínico, o paciente apresentava abscesso facial, exoftalmia, e hipercrescimento de incisivos. Devido à gravidade do quadro, optou-se pela intervenção cirúrgica para correção da oclusão dentária e drenagem do abscesso. No procedimento cirúrgico, observou-se hipercrescimento de molares e pré molares mandibulares e maxilares direito, porém não havia a presença de comunicação ou fístula dentária com o abscesso facial. A drenagem consistiu na ressecção da cápsula externa e curetagem do conteúdo do primeiro abscesso, permitindo o acesso ao segundo, no qual também foi feita a curetagem do conteúdo. Em seguida, uma punção atingiu o terceiro abscesso, e uma nova incisão, transversal à primeira, alcançou o quarto abscesso, localizado na região infraorbital e principal causador da exoftalmia. Nesse último, introduziu-se um sugador de secreções para remoção do conteúdo caseoso. Após a drenagem da lesão, realizou-se a técnica de marsupialização. Para a drenagem do conteúdo e higienização profunda da ferida, a ser realizada no pós-cirúrgico, foi inserida uma sonda uretral nº 12 no trajeto da fístula, fixada à pele com ponto isolado simples. O pós-operatório consistiu em dipirona (30 mg/kg, VO, BID), meloxicam (0,2 mg/kg, VO, BID), tramadol (2 mg/kg, VO, BID), enrofloxacina (10 mg/kg, VO, BID) e ceftriaxona (25mg/kg, IM, SID). A limpeza da ferida cirúrgica via sonda foi realizada com a associação iodopovidona e solução de Nacl 0,9%, BID. Após oito semanas de tratamento a ferida teve redução em tamanho e cicatrização significativa até atingir o diâmetro aproximado de 3mm, mas apresentava intermitentemente conteúdo caseoso após as higienizações. Em substituição a higienização foi instituído do tratamento com gás ozônio, que consistiu na insuflação na fístula com ozônio (19mcg/ml), 5ml a cada 48 horas por meio de cateter 22G de forma lenta, após lavagem com água ozonizada (60 mcg/ml). Após cinco aplicações houve a completa cicatrização. As propriedades antissépticas e de reparação tecidual promovida pelo gás ozônio (4) contribuíram fortemente para o controle antimicrobiano presente na ferida cirúrgica em questão, que por ser profunda, favorecia a manutenção de bactérias anaeróbias e a cronicidade da lesão. Dessa forma conclui-se que a abordagem cirúrgica, a terapia antimicrobiana e analgésica associada a ozonioterapia demonstrou eficácia no controle da infecção e na recuperação do referido paciente.
 

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Publicado

2026-03-20