TRATAMENTO DE LESÃO DÉRMICA EM GIRAFFA GIRAFFA GIRAFFA POR MEIO DE CONDICIONAMENTO OPERANTE.
Palavras-chave:
Cicatrização, ,Girafa, MegavertebradosResumo
O condicionamento operante é uma ferramenta de grande relevância no manejo voluntário de animais sob cuidados humanos, permitindo a aproximação segura dos profissionais e promovendo o bem-estar animal (1). Essa prática torna-se especialmente útil em espécies que oferecem riscos à saúde do próprio animal e à equipe técnica durante o manejo, como no caso dos representantes da megafauna (2). Dentre esses, as girafas destacam-se por sua natureza neofóbica, o que pode dificultar a introdução de novas rotinas ou estímulos no ambiente (3). A adesão ao treinamento permite à equipe o acesso facilitado à superfície corporal dos animais, viabilizando avaliações clínicas, alguns exames preventivos e a implementação de medidas terapêuticas (1,4,5). Em uma instituição zoológica, o plantel de girafas participa voluntariamente dessas sessões, o que possibilita a segurança do animal e da equipe técnica. Durante a rotina, foi possível identificar precocemente lesões cutâneas bilaterais na região torácica ventral, adjacentes à articulação umerorradioulnar, em uma fêmea de girafa-sul-africana (Giraffa giraffa giraffa) de 6 anos (Figura 1). As lesões apresentaram evolução progressiva, acompanhadas de discreta secreção translúcida. Com o objetivo de implementar o protocolo terapêutico de forma eficaz e segura, os treinos de condicionamento operante foram adaptados para permitir tanto o tratamento tópico, quanto a administração de antibioticoterapia sistêmica por meio de ceftiofur 2,75 mg/kg, via intramuscular, de aplicação única com dose-reforço após 14 dias. Como o animal apresentou resposta positiva ao condicionamento com a permanência voluntária na plataforma, foi possível associar o tratamento sistêmico com o tópico. Dessa forma, foi aplicado de forma tópica um spray que associava sulfato de gentamicina 0,04 g, nitrato de miconazol 0,4 g e valerato de betametasona 0,02 g, uma vez ao dia, por 25 dias, o que contribuiu para a regressão completa das lesões ao final do tratamento (Figura 2). A utilização do manejo voluntário por meio de condicionamento operante em girafas é essencial, especialmente diante dos riscos associados à contenção química, agravados por características fisiológicas específicas da espécie, como grande porte, sensibilidade a fármacos e acentuada diferença de pressão entre cabeça e corpo (4,5). Além disso, por apresentarem comportamentos característicos de animais presa, mantêm-se constantemente em estado de alerta e podem apresentar respostas agonísticas diante de estímulos estressores (1,4,5). Assim, o condicionamento permite intervenções seguras ao favorecer a participação ativa do animal nos procedimentos, além da sua aplicação exigir adaptações contínuas às respostas comportamentais e clínicas de cada indivíduo (1,5). A abordagem integrada entre estratégias de treinamento e o acompanhamento veterinário contínuo reforça a importância do trabalho colaborativo entre biólogos, médicos-veterinários, e tratadores, evidenciando que o bem-estar animal depende da atuação coordenada entre toda a equipe. Devido a literatura que documenta a aplicabilidade específica do condicionamento operante no tratamento de afecções clínicas, em representantes da megafauna sob cuidados humanos, ainda ser escassa, o presente trabalho evidencia a eficácia do manejo comportamental aliado à intervenção médico-veterinária como estratégia essencial para a promoção da saúde e bem-estar animal.
