UTILIZAÇÃO DA OZONIOTERAPIA E LASERTERAPIA NO TRATAMENTO DE PODODERMATITE EM Pogona vitticeps

Autores

  • Vitor Fernando Mendes Malta
  • Fabiano Rocha Prazeres Júnior
  • Amanda de Carvalho Moreira
  • José Alvim de Melo Neto
  • Yuri Dellape Lima
  • Clarice Oliveira Cavalcante
  • Emily Raquel Gomes Fernandes Moreira
  • Maxsuel Pedro dos Santos Lima
  • Adrian Leonardo da Silva Lima

Palavras-chave:

cicatrização, lesões, terapias complementares

Resumo

Introdução: As afecções cutâneas em repteis frequentemente estão associadas a erros de manejo, podendo demandar, para um resultado clínico satisfatório, abordagens terapêuticas multimodais (1). Nesse contexto, o uso de terapias complementares como a ozonioterapia e laserterapia podem ser empregadas para potencializar o tratamento convencional devido a suas ações de proteção contra microrganismos e de estimulação do metabolismo celular (2,3). O presente trabalho tem como objetivo relatar a utilização do óleo ozonizado e da laserterapia como terapias complementares no tratamento de pododermatite em um dragão-barbudo (Pogona vitticeps). Relato de caso: Um dragão barbudo (Pogona vitticeps) macho, com aproximadamente dois anos e 443g, foi atendido em clínica particular com queixa de aumento de volume nos membros torácicos. O animal era mantido em recinto externo com substrato abrasivo e outros indivíduos da mesma espécie. Ao exame clínico, observou-se aumento de volume e lesões ventrais necróticas em ambos os membros torácicos (Figura 1). Foi solicitado radiografias e exames de cultura e antibiograma. O animal foi internado com o objetivo de controlar melhor o ambiente e manejar a ferida, além disso, recebeu analgesia com cetoprofeno (2 mg/kg, IM, q48h) por 15 dias e tramadol (11 mg/kg, IM, q24h) por três dias. A radiografia evidenciou comprometimento ósseo no membro torácico esquerdo. Sob anestesia foi feito o desbridamento das lesões e coleta de material para exames (Figura 2). A cultura revelou infecção por Serratia spp., sensível a antibióticos como ceftiofur, ceftazidima e cefovecina. Para combater a infecção foi utilizado ceftiofur (30 mg/kg, IM) em duas doses com intervalo de 10 dias. Paralelamente, as lesões cutâneas foram higienizadas q48h com polihexanida (PHMB 0,1%), sendo posteriormente protegidas com bandagens compostas por gaze e ataduras flexíveis, associadas à aplicação tópica de óleo de girassol ozonizado. Adicionalmente, realizaram-se duas sessões semanais de laserterapia com laser vermelho (4 Jaules). Após 15 dias de tratamento, o animal apresentou completa recuperação e recebeu alta (Figura 2). Discussão: O ozônio vem sendo utilizado no tratamento complementar de lesões na pele devido a suas propriedades antimicrobianas, cicatrizantes e imunorreguladoras (2). Em répteis, o seu uso demostrou ser capaz de acelerar o processo cicatricial de feridas cutâneas (3). O laser vermelho, por sua vez, atua no metabolismo celular, promovendo ativação enzimática e produção de ATP, o que favorece a divisão celular e a síntese proteica, acelerando a cicatrização (4,5). Estudos já documentaram que, em répteis, a associação da laserterapia ao tratamento alopático em lesões de pele pode ser mais eficiente do que o tratamento alopático isolado (4). No presente relato, o uso das terapias complementares em associação ao tratamento convencional, pode ter ajudado a acelerar o processo cicatricial ao promover uma melhor regeneração e combater mais eficientemente os microrganismos patogênicos. Além disso, o uso dessas terapias demostrou ser prático e seguro, podendo ser um bom aliado no tratamento de afecções cutâneas graves se usadas de maneira cautelosa e de forma complementar. Conclusão: Pode-se concluir que terapias complementares como as do presente relato, podem ser utilizadas de forma segura e objetiva, complementando e, possivelmente, potencializando o tratamento alopático.

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Publicado

2026-03-20