Ovariohisterectomia devido à intussuscepção uterina em rata twister (Rattus norvegicus)
Palavras-chave:
cirurgia, emergência, obstetríciaResumo
A intussuscepção uterina é um quadro de caráter emergencial, caracterizada pela invaginação de uma porção do útero em outra, ou no lúmen vaginal (1). Sua prevalência é baixa, mas já foi visualizada em diversas espécies animais domésticos e selvagens (2). O diagnóstico é comumente obtido por ultrassonografia abdominal; em corte transversal, e o principal achado é a visualização de anéis concêntricos de ecogenicidade alternada (3). O principal sinal clínico é o desconforto abdominal, podendo ou não estar associado à contrações improdutivas e o tratamento recomendado é a ovariohisterectomia (4). Relata-se o caso de uma rata twister (Rattus norvegicus), 5 anos, 170 gramas, submetida à mastectomia regional direita para ressecção de fibroma em M5, e que estava em planejamento para ovariohisterectomia eletiva. No momento da retirada dos pontos, observou-se descarga vaginal sanguinolenta leve. A citologia vaginal demonstrou predomínio de hemácias e escassez de células epiteliais, compatível com diestro, fase que em ratas dura entre 24 e 72 horas. Sem alterações clínicas importantes, exceto leve dor à palpação abdominal, foi recomendada avaliação ultrassonográfica. Poucas horas após, a paciente apresentou-se em emergência com dor abdominal intensa, prolapso de trato reprodutivo, compatível com útero, e descarga hemorrágica acentuada (Figura 1). A ultrassonografia point-of-care descartou líquido livre, mas revelou volumosa estrutura na região do corno uterino esquerdo, sendo a principal hipótese diagnóstica uma neoformação. Dada a gravidade do quadro e o risco hemorrágico em pequenos mamíferos, optou-se por celiotomia ventral exploratória. Durante o procedimento, foi identificada intussuscepção em porção média do corno uterino esquerdo, associada a extensa área de isquemia (Figura 2). Procedeu-se com ovariohisterectomia utilizando fio de polidioxanona 4-0, com miorrafia padrão Sultan, sutura subcutânea padrão Cushing e dermorrafia simples interrompida com náilon 4-0. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências. O exame histopatológico descartou neoplasias e evidenciou apenas hiperplasia endometrial cística e hemorragia tecidual, compatíveis com o quadro de intussuscepção uterina. A intussuscepção uterina é condição rara, geralmente associada a fases de pico de progesterona como o diestro em cadelas ou ao período pós-parto imediato (1). Em ratas, os relatos são escassos e, quando presentes, estão relacionados a alterações endometriais, como pólipos (5). Um caso em ratazana-do-capim (Thryonomys swinderianus) também foi documentado, com metaplasia condroide, leiomiossarcoma e pólipos endometriais associados (2). Este caso destaca a raridade da condição em ratas geriátricas, reforçando a importância da suspeita clínica e da abordagem cirúrgica precoce.
