MORFOLOGIA DO TIMO DE FILHOTES PÓS-ECLODIDOS DE Podocnemis expansa (TESTUDINES: Podocnemididae)

Autores

  • Márcio Santos de Oliveira Filho
  • Nicolas Nogueira dos Santos
  • Ludhymilla Estevão Rebouças
  • Layla Ianca Queiroz Rocha
  • Marcela dos Santos Magalhães
  • Rysonely Maclay de Oliveira
  • Moacir Franco de Oliveira
  • Carlos Eduardo Bezerra de Moura

Palavras-chave:

Adaptação, ontogenia, tartaruga-da-amazônia

Resumo

O timo é um órgão linfático primário essencial para a maturação de linfócitos T e sofre variações morfológicas em répteis conforme fatores ambientais. Em tartarugas amazônicas como Podocnemis expansa, pouco se sabe sobre seu desenvolvimento tímico. Este estudo descreve o timo em filhotes recém-eclodidos de P. expansa, investigando possíveis variações sazonais e contribuindo com dados relevantes para a conservação da espécie (1). Foram analisados 43 timos de filhotes de P expansa, coletados no âmbito do projeto aprovado pelo SISBIO (nº 73951-3/2021). Após a coleta, os filhotes foram pesados, medidos e eutanasiados com sobredose de Tiopental administrado por injeção intravenosa via veia jugular ou intraperitoneal. O timo foi dissecado, fixado em formaldeído 10% e armazenado em etanol 70% para análises em microscopia de luz. A biometria dos lobos tímicos (comprimento, largura, espessura e peso) foi realizada com paquímetro e balança de precisão. Os fragmentos foram processados, corados em HE e analisados ao microscópio. As análises estatísticas, realizadas no SPSS 21.0, incluíram testes descritivos e correlações pelo coeficiente de Pearson, com significância adotada em P ≤ 0,05. Foi analisado o desenvolvimento pós-eclosão do timo, avaliando aspectos morfológicos e morfométricos ao longo dos primeiros três anos de vida (Tabela 1). Nos filhotes mais jovens (6–9 meses), o timo apresentava organização básica, com córtex e medula pouco definidos, lóbulos pequenos e trabéculas imaturas. Nos indivíduos mais velhos (12–26 meses), houve aumento no tamanho, número de lóbulos e vascularização, indicando maturação funcional do órgão (Figura 1). Vale ressaltar que nos quelônios os corpúsculos de Hassall não são bem definidos (2). As medidas morfométricas (massa, comprimento, largura e espessura) aumentaram progressivamente, com crescimento mais acentuado na segunda metade do ano, sugerindo influência ambiental (3). A análise histológica destacou uma diferenciação estrutural significativa, acompanhada de maior complexidade lobular e vascularização, compatível com estudos anteriores em quelônios (Figura 1). A variação sazonal no crescimento tímico pode estar relacionada aos pulsos de inundação amazônicos e fatores neuroendócrinos, como corticosterona e testosterona (3). Esses achados sustentam a hipótese de que estímulos ambientais influenciam diretamente o ritmo de desenvolvimento do sistema imunológico em répteis tropicais. A possível presença de células mióides e o aumento do tecido conjuntivo refletem adaptações para otimizar a função imunológica frente aos desafios ambientais e de idade, além disso, a maior densidade de tecido conjuntivo em indivíduos mais velhos também pode indicar uma adaptação progressiva para sustentar uma resposta imune mais robusta e duradoura (4). Este estudo ajuda a entender como o sistema imune da P. expansa se desenvolve e mostra caminhos importantes para proteger a espécie diante das mudanças no clima e no ambiente.

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Publicado

2026-03-20