FISIOTERAPIA EM DIDELPHIS ALBIVENTRIS SUBMETIDO À OSTEOSSÍNTESE E AMPUTAÇÃO DE DÍGITOS EM MEMBRO PÉLVICO: RELATO DE CASO
Palavras-chave:
Bem-estar animal, Animais silvestres,, ReabilitaçãoResumo
A fisioterapia têm se destacado na medicina veterinária por proporcionar bem-estar e qualidade de vida aos animais, sendo importante na reabilitação e recuperação médica de todas as espécies (1). Técnicas fisioterapêuticas podem ser empregadas no pós-operatório de afecções musculoesqueléticas, com fins de acelerar a recuperação funcional dos movimentos (2). O objetivo do presente estudo foi relatar o caso de uma fêmea adulta de gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) de vida livre, com 1,04 kg, submetida a fisioterapia após amputação dos dígitos. O animal foi encaminhado para atendimento médico veterinário com garroteamento em região de tíbia por arame, associada à fratura em fêmur do membro pélvico esquerdo (MPE). O paciente foi submetido à osteossíntese femoral com colocação de pino intramedular, associada à bandagem para imobilização do membro. Adicionalmente, foi realizada a amputação dos dígitos do MPE devido à necrose promovida pelo garrote (Figura 1). Após 32 dias da cirurgia de fêmur e 26 dias da amputação dos dígitos, o animal foi encaminhado para fisioterapia. Na avaliação fisioterapêutica constatou-se ausência de propriocepção e fraqueza muscular em MPE, mas com sensibilidade profunda e edema moderado. O animal demonstrou sinais de incômodo e dor durante a manipulação da fisioterapia e, por isso, foi prescrita analgesia com dipirona por via oral (30 mg/kg) 30 minutos antes das sessões, melhorando o tempo de sessão e tolerância do animal. O protocolo estabelecido para a reabilitação era composto de exercícios passivos e ativos, com frequência de três vezes na semana. As sessões foram iniciadas com massagem e mobilidade articular, para diminuição do edema e aquecimento durante 3 a 5 minutos. Posteriormente, eram incluídos exercícios de engrama em tapetes texturizados para a estimulação de sensibilidade e propriocepção, com duas séries com intervalo de 2 minutos entre elas (Figura 2). Nessa etapa, eram realizadas oito repetições de extensão de glúteos, enquanto havia ferida no pé, e sustentação do animal na posição anatômica, respeitando o tempo máximo permitido pelo paciente. A sessão era finalizada com laserterapia na ferida na potência de 4 joules em modo contínuo, por 4 minutos. Com a melhora da lesão, o exercício evoluiu para movimentos de marcha, assim como isometria em dois membros. O paciente respondeu positivamente ao protocolo estabelecido, totalizando 45 sessões em um período de 3 meses. O animal teve alta da fisioterapia e foi considerado apto para soltura. A massoterapia foi importante para o alívio da dor e redução de edema, com foco no relaxamento muscular do membro acometido, enquanto a cinesioterapia auxiliou na melhora da propriocepção, no ganho e fortalecimento de massa muscular. Exercícios que estimulam o equilíbrio e a amplitude de movimento ajudam a manter articulações em movimento, reduzem sua rigidez e evitam a contratura irreversível dos tendões, sendo interessantes para pós-operatórios ortopédicos (3). Além disso, o laser é um interessante adjuvante por acelerar a cicatrização, promover analgesia e controlar a inflamação (4). O uso de técnicas fisioterapêuticas possibilitou a reversão de um prognóstico reservado, proporcionando recuperação funcional do membro, qualidade de vida e redução do tempo de internação.
