CARACTERIZAÇÃO HISTOPATOLÓGICA E MOLECULAR DE AVIPOXVÍRUS EM AVES SELVAGENS NO ESTADO DE SÃO PAULO

Autores

  • Beatriz Rosa Cravo
  • Juliana Mariotti Guerra
  • Leonardo José Tadeu de Araújo
  • Mariana Sequetin Cunha
  • Lidia Midori Kimura
  • Camila Santos da Silva Ferreira
  • Isabella Galesi Tallash
  • Jessica de Brito Ferreira Nascimento

Palavras-chave:

Aviário, diagnóstico, poxvírus

Resumo

Introdução: A Bouba Aviária é uma doença causada por vírus do gênero Avipoxvirus (AVP), pertencentes à família Poxviridae. Infecções por AVP já foram identificadas em mais de 370 espécies de aves domésticas e silvestres (1). Este estudo tem como objetivo a caracterização histopatológica e molecular da infecção por poxvírus aviário em aves silvestres no Estado de São Paulo. ​​A pesquisa foi aprovada pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) N° 8389200922 e está registrada no Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO) N° 85867. Material e Métodos: A partir de um sistema de vigilância passiva de aves, foram selecionados 29 casos recebidos entre 2019 e 2025 que apresentaram alterações histopatológicas indicativas de infecção por AVP. Fragmentos de tecido foram fixados em formaldeído a 10%, incluídos em parafina, processados em lâminas e analisados histopatologicamente. Para a detecção molecular, extraiu-se DNA das amostras parafinadas e amplificou-se uma porção do gene que codifica a proteína P4b por reação em cadeia da polimerase convencional (cPCR) utilizando dois pares de iniciadores: P4b1060F (5-GATGGCTGACGAGGAACAAAT-3), P4b1060R (5-TAGCCGGCATAAACATAACTCTTC-3) (2) e Avipox275F (5-TCCTTGTAAAAGCGATACAGGAA-3), Avipox275R (5-CCCCTTAACATGTGCTAACAA-3) (3). Os produtos amplificados foram avaliados por eletroforese em gel de agarose a 2%. Resultados: A análise histopatológica das amostras revelou que 100% dos casos apresentaram hiperplasia da epiderme, degeneração balonosa de queratinócitos e corpúsculos de inclusão viral intracitoplasmáticos (Corpúsculos de Bollinger), enquanto que 96,5% (28/29) apresentaram infiltrado de células inflamatórias. Hiperqueratose ortoqueratótica foi identificada em 75,8% (22/29) das amostras, já 24,1% (7/29) apresentaram hiperqueratose orto e paraqueratótica. Coinfecção secundária foi detectada em 93,1% (27/29) das amostras analisadas, principalmente por bactérias cocóides e fungos leveduriformes. Quanto ao diagnóstico molecular, 72,4% (21/29) das amostras apresentaram amplificação do DNA viral por meio da técnica de PCR. Dentre essas, 44,8% (13/29) foram positivas nas reações com ambos os primers; 24,1% (7/29) apenas com o P4b1060F/R; e 3,4% (1/29), apenas com o Avipox275F/R. Discussão: Os exames histopatológico  e molecular estão entre os principais diagnósticos confirmatórios de avipoxvírus. Segundo Tripathy e Reed (4), as principais alterações histopatológicas observadas são hiperplasia epitelial, degeneração balonosa dos queratinócitos e presença de corpúsculos de inclusão intracitoplasmáticos, como o observado em todas as amostras do presente estudo, entre outras alterações. O diagnóstico molecular é realizado, principalmente, por meio da técnica de PCR, que é considerada a metodologia de maior sensibilidade e especificidade (5). A inclusão das amostras em blocos de parafina, associada ao tempo decorrido desde o seu processamento, pode ter comprometido a qualidade do material genético, limitando a eficiência da amplificação do DNA em algumas amostras e, consequentemente, justificando a discrepância entre os resultados obtidos por PCR e pela análise histopatológica. Conclusão: Estudos sobre poxvírus aviários em aves silvestres são essenciais para a conservação da avifauna brasileira e para redução de riscos à avicultura comercial. Nesse contexto, o exame histopatológico e a técnica molecular de PCR, especialmente utilizando o par de iniciadores P4b1060F/R, demonstraram-se eficazes no diagnóstico de infecções por avipoxvírus.

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Publicado

2026-03-20