TERAPIA FOTODINÂMICA NO TRATAMENTO DE SINUSITE CRÔNICA EM CANINANA (Spilotes pullatus): RELATO DE CASO.

Autores

  • Emily Raquel Gomes Fernandes Moreira
  • Fabiano Rocha Prazeres Júnior
  • Amanda de Carvalho Moreira
  • Maxsuel Pedro dos Santos Lima
  • Yuri Dellape Lima
  • Vitor Fernando Mendes Malta
  • Adrian Leonardo da Silva Lima
  • Clarice Oliveira Cavalcante
  • Livia Borges Pereira Granja

Palavras-chave:

Infecções respiratórias, Polihexanida, Répteis

Resumo

Infecções respiratórias em répteis representam um desafio clínico devido às particularidades fisiológicas desses animais. Diferente de mamíferos, os répteis apresentam resposta inflamatória com formação de exsudato caseoso sólido devido à ausência da lisozima, enzima proteolítica que promove sua drenagem natural. Isso favorece a persistência da infecção e a necessidade de remoção mecânica do material (1). Entre as afecções respiratórias, a sinusite é comum em serpentes, podendo ser causada por infecções bacterianas primárias ou secundárias, falhas no manejo e fatores ambientais adversos (1). O presente relato descreve um caso de sinusite crônica severa em uma serpente caninana (Spilotes pullatus), que foi tratado por meio de uma abordagem multimodal, associando antibioticoterapia, anti-inflamatórios, terapia fotodinâmica e limpeza com solução a base de Polihexanida (PHMB 0.1%). Uma serpente caninana adulta, fêmea, pesando 0,467 Kg, foi encaminhada a uma clínica veterinária especializada, apresentando grande aumento de volume na região que circunda o olho direito (figura 1), o exame físico revelou exsudato caseoso espesso que se localizava no seio infraorbitário. Amostras do local foram coletadas por meio de swab estéril para cultura microbiológica e antibiograma, que identificaram a presença da bactéria Proteus vulgaris, bactéria gram negativa frequentemente encontrados em microbiota oral e associado a estomatites e enterites bacterianas em serpentes (4,5). Foi realizada a remoção mecânica dos cáseos e reavivamento dos bordos, o tratamento foi iniciado com enrofloxacina (10 mg/kg, IM, SID), cetoprofeno (2 mg/kg, IM, QOD)  durante 10 dias associado a terapia fotodinâmica com azul de metileno ativado por luz LED vermelha na potência de 3 Joules duas vezes por semana, durante 4 semanas, a lavagem do seio infraorbitário foi realizada com PHMB solução aquosa a cada 48 horas. Após 4 semanas de tratamento, a serpente apresentou melhora significativa no aumento de volume, não havia mais formação de exsudato (figura 2).  O acompanhamento pós-tratamento demonstrou recuperação completa, sem sinais de recidiva da infecção. A Terapia fotodinâmica tem sido utilizada como adjuvante em tratamento de feridas por seu efeito antimicrobiano, analgésico e cicatrizante (2). No caso de répteis, é uma grande aliada pois associada a antibioticoterapia, apresenta uma aceleração no processo de melhora de lesões e diminuição de possíveis microorganismos resistentes (3). O presente caso reforça a necessidade de abordagens terapêuticas integradas para o manejo de infecções crônicas em répteis. A combinação de antibióticos, anti-inflamatórios, remoção mecânica do exsudato, terapia fotodinâmica e irrigação com solução PHMB para limpeza da ferida demonstrou-se eficaz, oferecendo uma alternativa promissora para o tratamento desse tipo de afecção.

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Publicado

2026-03-20