PROTOCOLO CLÍNICO DE MORTE EMBRIONÁRIA EM VEADO-CATINGUEIRO (Subulo gouazoubira)

Autores

  • Kimberly Weschenfelder Teixeira de Carvalho
  • Michelli Westphal Ataide
  • Luis Otávio Freddo

Palavras-chave:

hormonioterapia, Indução, cervidae

Resumo

O veado‑catingueiro (Subulo gouazoubira) apresenta ampla capacidade adaptativa, habitando desde florestas até cerrados e caatingas, graças à dieta frugívora seletiva (1). A retenção fetal em cervídeos é rara e pouco documentada; porém, protocolos adaptados de ruminantes como bovinos evidenciam uso eficiente de prostaglandinas e ocitocina na expulsão de fetos moles e mumificados (2,3). Além disso, fenômenos como a extrusão fetal post‑mortem, apesar de ocorrerem em cadáveres por acúmulo de gases durante decomposição, ajudam a compreender os mecanismos fisiológicos de expulsão fetal (4). Dessa forma, o objetivo deste trabalho é relatar o protocolo medicamentoso para expulsão fetal em fêmea de veado‑catingueiro após morte embrionária, resgatado e entregue ao atendimento veterinário, vítima de interação antrópica. Durante o exame físico inicial e contenção química com tiletamina e zolazepan (5mg.kg-1IM), posterior ao exame físico e laboratorial, notou-se uma abdômen abaulado, bem como o úbere edemaciado. Portanto, optou-se pela realização de ultrassonografia abdominal, que revelou gestação com fetos viável. Três dias após o resgate, e tratamento para a miopatia de captura, novo exame ultrassonográfico constatou ausência de batimentos cardíacos fetais, caracterizando morte embrionária com retenção. Devido às comorbidades atuais, e para evitar uma intervenção anestésica e cirúrgica, foi optado por um tratamento medicamentoso para indução da expulsão fetal. O protocolo utilizado foi adaptado de ruminantes domésticos, especialmente bovinos e consistiu em:, cloprostenol sódico – Sincrocio® (1 mg.kg, IM), cipionato de estradiol – ECP® (0,05 mg.kg, IM). Após 24 horas da hormonioterapia, observou-se a expulsão completa do feto e envoltórios, sem necessidade de intervenção adicional. A combinação de prostaglandina e estrógeno tem sido eficaz na indução de parto em bovinos com fetos mortos, promovendo luteólise, dilatação cervical e estimulação das contrações uterinas (3,4). Embora poucos estudos tratem da expulsão fetal em cervídeos, a literatura sobre reprodução assistida e eventos como extrusão fetal post-mortem sugerem que os mecanismos fisiológicos envolvidos são semelhantes (5). O caso descrito reforça a importância do uso criterioso de protocolos medicamentosos adaptados ao contexto da medicina da conservação, com foco na redução do estresse e no risco cirúrgico em espécies silvestres.
 

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Publicado

2026-03-20