OCORRÊNCIA DE HEMOPARASITAS EM Salvator merianae DE VIDA LIVRE EM ÁREA DE CAATINGA NA BAHIA
Palavras-chave:
Epidemiologia, hemogregarina, répteisResumo
OCORRÊNCIA DE HEMOPARASITAS EM Salvator merianae DE VIDA LIVRE EM ÁREA DE CAATINGA NA BAHIA
Occurrence of hemoparasites in wild Salvator merianae from a Caatinga region in Bahia
Fernanda Martins Doria dos Santos¹ (fernanda.s1956@ufob.edu.br), Lismara da Costa Matos¹ (lismara.m5445@ufob.edu.br), Vitória Yumi Seki Kale¹* (vitoria.k0503@ufob.edu.br), Emanuelle Pasa² (biol.emanuellepasa@gmail.com), Guilherme Bard Adams³ (adams.guilherme@gmail.com), Lourdes Marina Bezerra Pessoa¹ (lourdes.pessoa@ufob.edu.br).
1. Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB) - Medicina Veterinária, Brasil.
2. Cruzeiro do Sul Consultoria Ambiental LTDA.
3. Prosul Projetos Supervisão e Planejamento LTDA.
*Contato principal: vitoria.k0503@ufob.edu.br
Palavras-chave: Epidemiologia, hemogregarina, répteis.
Keywords: Epidemiology, hemogregarine, reptiles.
O Brasil apresenta uma das maiores diversidades de répteis do mundo, ocupando a terceira posição global em riqueza de espécies desse grupo (1). Entre os répteis amplamente distribuídos no território nacional, destaca-se o Salvator merianae, espécie que exerce papel ecológico significativo nos ecossistemas neotropicais. Esses animais podem atuar como hospedeiros de uma ampla variedade de hemoparasitas, especialmente protozoários intracelulares pertencentes aos filos Apicomplexa, como os gêneros Hepatozoon, Haemogregarina, Haemoproteus e Plasmodium. Esses parasitas possuem ciclos biológicos complexos, frequentemente envolvendo artrópodes hematófogos como vetores (2). A diversidade de hemoparasitas em répteis é particularmente elevada em razão da ampla variabilidade ecológica e filogenética desses hospedeiros. A identificação desses parasitas nesses animais possibilita a avaliação de aspectos sanitários das populações, dos impactos ecológicos das infecções e das interações com vetores ou hospedeiros intermediários em ambientes naturais (3). Apesar da alta diversidade de répteis no Brasil, o conhecimento sobre os hemoparasitas que os acometem ainda é limitado, estima-se que praticamente todos os répteis de vida livre possam ser infectados por algum tipo de agente infeccioso, o que destaca a importância de investigações parasitológicas mais abrangentes (4). Neste contexto, o presente trabalho descreve a ocorrência de hemoparasita em exemplares de S. merianae de vida livre de uma área de caatinga no estado da Bahia. Um total de cinco espécimes de S. merianae foram capturados utilizando armadilhas do tipo gaiola Tomahawk. Realizou-se a contenção física e coleta de sangue através da punção da veia caudal ventral para confecção de extensões sanguíneas para avaliação da presença de hemoparasitas. As lâminas foram coradas com corante panótico e analisadas em microscópio óptico nas ampliação a priori, de 400x e posteriormente, 1000x. A parasitemia foi calculada por meio da contagem de parasitos em 2000 eritrócitos, examinados em 20 campos contendo 100 células cada. Foram observadas a presença de inclusões eritrocitárias características de hemoparasitas nos cinco animais avaliados. Sendo a parasitemia individual variou entre 1,15% e 5,00% de eritrócitos parasitados, com valores específicos de 1,15% (Teiú 1), 2,05% (Teiú 2), 1,70% (Teiú 3), 5,00% (Teiú 4) e 1,95% (Teiú 5). Todos os indivíduos avaliados apresentaram 100% de prevalência quanto a presença de hemoparasitas, sendo que, a variação na intensidade de infecção (1,15% a 5,00%) pode estar relacionada a fatores intrínsecos, como idade, estado imunológico e estágio da contaminação, bem como a fatores extrínsecos, como carga e espécie de vetor envolvido. Desta forma, a presença detectada de hemoparasitas em S. merianae na área da Caatinga sugere a circulação do parasito no ecossistema local. A partir dos resultados encontrados, apesar de ter observado níveis baixos a moderados de parasitemia, pode-se sugerir que essa espécie de réptil atua como hospedeiro natural de hemoparasitas em ambientes de caatinga, evidenciando circulação desses parasitas e reforçando a necessidade de mais estudos na área.
Segue o número de protocolo do CEUA e SISBIO, respectivamente - 0003-2024 e 86892-3.
